Em ‘Império’, José Mayer e Klebber Toledo vão formar casal gay

Se depender do autor Aguinaldo Silva, cenas de intimidade não vão faltar na próxima novela das 21h

Por daniela.lima

Rio - Beijo gay é coisa do passado. Pelo menos essa é a aposta da próxima novela das 21h, ‘Império’, que estreia dia 21 de julho. Já nos primeiros capítulos da trama de Aguinaldo Silva, o público vai assistir a uma cena de amor entre Claudio (José Mayer) e Leonardo (Klebber Toledo), que termina com um sugestivo convite: “Vamos para o quarto?”

Na próxima novela das 21h, ‘Império’, José Mayer vive o cerimonialista Claudio Bolgari, que, mesmo casado com Beatriz (Suzy Rêgo), mantém um relacionamento de dez anos com Leonardo (Klebber Toledo), um jovem aspirante a atorDivulgação / Ag.News


“Me estressa essa história de beijo gay. Essa cena tem uma intimidade tão forte que, se fosse uma cena de beijo, não teria. Acho muito melhor mostrar a intimidade entre as pessoas. Eles não se beijam, mas a cena é linda”, diz o autor, se referindo à sequência que insinua que os dois vão direto para a cama.
Na cena em questão, o que se vê é um casal que exala desejo. “É aquela coisa da saudade. São duas pessoas que não têm oportunidade de estar tão junto, então, quando se encontram, é tudo muito intenso. Eles querem aproveitar o pouco tempo que têm”, explica Toledo. Mas, ao contrário do que se possa imaginar, a relação entre Leonardo e Claudio não é pautada exclusivamente em sexo. “É um casal que se ama, simplesmente isso”, frisa Mayer.

Com o par romântico homossexual de ‘Império’, a ideia é seguir o caminho oposto do que foi visto em ‘Amor à Vida’ — quando um beijo discreto foi trocado entre Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) apenas no último capítulo — e na novela ‘Em Família’, em que Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller) não foram além do selinho. “Acho hipocrisia essa história de beijo gay que é guardado para o capítulo 200. É a espetacularização de algo que deveria ser cotidiano e normal. As pessoas se beijam por afeição, sejam elas homens e mulheres, homens e homens, mulheres e mulheres”, comenta Mayer.

E, se depender da torcida do ator veterano, de 64 anos, não vai demorar muito para o amor entre duas pessoas do mesmo sexo ser visto na TV com absoluta naturalidade. “O ideal seria que se assimilasse um pouco melhor a expressão do afeto entre casais homossexuais. A moral não é uma coisa estagnada, os costumes mudam. Eu acho que, com o passar do tempo, a aceitação será inevitável. E eu espero que venha logo”, frisa o intérprete do cerimonialista Claudio Bolgari.

Curiosamente, o personagem vivido por José Mayer é um gay enrustido. Ele é casado com Beatriz (Suzy Rêgo), tem uma vida aparentemente feliz com a mulher e, por isso mesmo, mantém um romance em segredo com Leonardo por dez anos. “Ele se aceita, mas, como milhões de homossexuais, não quer assumir a sua opção sexual para a sociedade. Eu acho que as pessoas têm amplo direito de ter privacidade na sua escolha, na sua realização sexual”, defende Mayer.

A pouca disponibilidade de Claudio para o amante, inclusive, é motivo de conflito entre eles. “O Leonardo se sente sozinho e vai querer mais atenção. É claro que os dois vão discutir a relação em algum momento”, adianta Toledo, que afirma ainda não ter gravado nenhuma cena íntima com o seu novo par romântico. 

Se os dois personagens da novela de Aguinaldo Silva vão discutir por causa da falta de tempo para se encontrarem, Klebber e sua namorada, Marina Ruy Barbosa, que está na mesma novela, certamente não vão precisar brigar. “Não contracenamos, mas estamos sempre juntos. Fico muito feliz pelo Klebber, que tem um personagem desafiante, instigante nas mãos. Se tiver beijo gay, não tem problema nenhum”, jura a atriz.

Nem o fato de o posto de galã estar em risco é motivo de dor de cabeça para os atores. “Minha única preocupação é fazer o melhor trabalho que eu puder”, afirma Toledo. “Acabou o meu tempo de galã. Essa é uma função ligada à juventude”, jura Mayer, ao contrário do que pensa o público. “Esse personagem é muito interessante para renovar o olhar do telespectador em relação ao meu trabalho”, conclui.

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