'Em Família' encerra ciclo das Helenas com audiência baixa e final sem emoção

Novela de Manoel Carlos, segundo prévia de audiência, obteve média de 35 pontos; capítulo não teve ponto alto e foi insosso

Por tamara.coimbra

Rio - Com a trajetória que teve, era quase impossível esperar qualquer tipo de comoção com o último capítulo de “Em Família”, exibido nesta sexta-feira. A novela que patinou na audiência durante todos os meses no ar terminou... em flauta. Toda a situação envolvendo a morte de Laerte, o personagem vivido por Gabriel Braga Nunes, beirou a comicidade. Para tentar resgatar a coerência e cortar o mal da família de Helena (Julia Lemmertz) pela raiz, o autor Manoel Carlos fez Luiza (Bruna Marquezine) se casar e ficar viúva na porta da igreja, debaixo de um temporal hollywoodiano.

Atenção para a cena, exibida entre o quinto e sexto bloco: os noivos deixam a igreja a caminho da festa, felizes, com a família. Um tiro, no melhor estilo bala perdida, atinge o peito de Laerte, que cai na chuva nos braços de Luiza. Com o olhar, o personagem foca nas mulheres com as quais se envolveu durante a história. Shirley (Viviane Pasmanter), Helena, Luiza, Verônica (Helena Ranaldi) e… Falta uma. Se lembra da jovem pianista, a aprendiz do Laerte? Ah, não sabe o nome dela? A gente conta. É Lívia (Louise D’Tuani), que entrou no elenco no meio da história e não fez muita coisa, a não ser tocar piano. A fixação por Laerte, de maneira doentia, surgiu há alguns dias. E sim, foi ela que meteu uma bala no professor por amor não correspondido.

Luiza conhece um jovem músico em um café parisienseReprodução TV Globo

E pronto. Foi assim que terminou a história de Laerte. Não teve velório, enterro, chororô, barraco para prender a assassina… Nem Ana Beatriz Nogueira, que viveu Selma, mãe do flautista, salvou a cena. Para infelicidade geral da nação, a atriz que podia dar um show teve apenas — pasme! — uma fala. E essa foi “quem é?”, direcionada para Verônica ao ver um morto no chão. Triste.

Tantas opções na manga… Fazer Shirley mostra a que veio como vilã (ela se encaixou mais no núcleo cômico) era uma delas. Mas, não. Até o último suspiro de vida tudo que a loira fez foi implorar para que Laerte terminasse com ela. E só para terminar o assunto “assassinato”, a cereja do bolo foi o corte de edição da cena seguinte. De Laerte ensanguentado na porta da igreja, uma passagem de tempo desavisada e um belo dia surgiram no horizonte e, com ele, Nando (Leonardo Medeiros) apareceu no Galpão Cultural na porta da aula de dança de sua namorada nova.

Um dos assuntos que ocupou bastante espaço (inclusive o segundo bloco inteiro) foi a busca de André (Bruno Gissoni) por sua mãe biológica. O rapaz descobriu que Branca (Angela Vieira) era a dita cuja. Foi na mansão, enfrentou a ricaça e ouviu um conto da carochinha que dizia que ele era, na verdade, filho de uma ex-empregada dela. Ele não comprou a história, e ela também deixou transparecer sua mentira. Uma pena que foi tão tarde. Seria um dramazinho a mais para explorar no meio da novela, com luta por herança, por amor, ou por qualquer outra coisa.

Virgílio e Helena realizam a segunda lua de melReprodução TV Globo

No Twitter, a timeline estava cheia com comentários sobre o último capítulo. Mas o fenômeno foi o inverso da emoção causada com uma trama envolvente. Desta vez, internautas capricharam na chamada trollagem, ou o ato de criticar alguma coisa. A ansiedade era maior para o capítulo inédito de “O Rebu” do que para o desfecho dos personagens de Maneco. E antes do ponto final, justiça seja feita: Julia Lemmertz usou as armas que pode para tentar tirar o melhor dessa Helena. Atriz e tanto, assim como tantas outras. E Bruna Marquezine, com todo seu frescor e talento, também merece aplausos.

Ah, e lembra que eu comentei que acabou em flauta? A cena final foi em Paris, com um concerto de Verônica (ela não estava grávida? Não teria uma menina? Cadê a criança?) com Leto (Ronny Kriwat). Nada mais entediante. Virgílio (Humberto Martins) e Helena surgiram em segunda lua de mel e Luiza jogou um olhar 43 para um jovem músico que conheceu em um café parisiense. Tudo bossa nova, nada rock and roll.

Audiência

A prévia do Ibope indicou que “Em Família” alcançou uma média baixa para último capítulo. Na Grande São Paulo, onde cada ponto equivale a 65 mil domicílios, a novela teve 35 pontos. Para efeito de comparação, “Amor à Vida”, antecessora de “Em Família”, cravou 48 pontos de média na capital paulista com beijo de Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso). Antes dela, “Salve Jorge”, de Gloria Perez, ficou com 46 pontos de média, e o fenômeno “Avenida Brasil” conquistou 52 pontos em 2012.

Reportagem de Nina Ramos do iG

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