Marcos Palmeira encara um cafetão em minissérie recheada de cenas de sexo

Ator, que vive delegado em ‘O Rebu’, na Globo, estreia no Multishow com 'A Segunda Vez'

Por daniela.lima

Rio - ‘Não sou uma pessoa normal, deve ser porque eu penso demais em sacanagem” e “tenho a imaginação de um garoto de 14 anos, trancado no banheiro”, são alguns dos pensamentos eróticos que Raul, o jornalista boêmio vivido por Marcos Palmeira, terá na minissérie de 15 episódios do Multishow, ‘A Segunda Vez’, baseada no livro ‘A Segunda Vez que te Conheci’, de Marcelo Rubens Paiva. 

Priscila Sol%2C Letícia Persiles%2C Marcos Palmeira%2C Eline Porto e Monique Alfradique fazem parte do elenco da minissérieDivulgação


Um é pouco, dois é bom... A partir do dia 11, Palmeira concorrerá com ele mesmo: na Globo, na novela das 23h ‘O Rebu’, como o delegado Pedroso, e no canal pago, na pele do cafetão de prostitutas de luxo. Ambos transitam no submundo do crime, estão cercados de beleza e sedução e de jogos de interesse.

“Não sei como vai ser. É uma experiência nova estar em dois veículos, em trabalhos completamente opostos, mas no mesmo horário. As propostas são distintas, mas, ao mesmo tempo, parecidas na linguagem. Espero que o público identifique essa diferença”, diz o ator.

Na minissérie, Raul é demitido, a mulher, Ariela (Priscila Sol), pede a separação e no meio desse caos emocional ele conhece Carla (Letícia Persiles), uma garota de programa viciada, que o convence a agenciar belas mulheres. “Ele tem um estilo meio antigo, bebe uísque, fuma, cheira cocaína, ouve discos de vinil. Eu nem sou esse cara, não tenho nada a ver com ele, mas mergulhei dentro daquilo que estava sendo proposto no texto”, explica o ator.

Se esse é mais um pegador no extenso currículo, Palmeira diz que não e defende a fértil imaginação sexual do personagem. “Ele não é galã. Não faz isso para se dar bem: ‘Opa, vou comer todas essas mulheres’. Não olha para elas e vê a figura da puta, no sentido mais pejorativo da palavra, encara como uma profissão. Ele não é um cara promíscuo, curte filme pornô por uma questão cultural mesmo, e é apaixonado pela mulher dele”, esclarece. “Uma coisa é o que você fantasia, outra é o que você vive. Isso é humano. Também uma sacanagem é sempre bom, não faz mal a ninguém”, acrescenta.

Isso fora do set. Na hora do ‘ação’, ele reforça, vale o profissionalismo: “Se eu for fazer uma cena e ficar com tesão na atriz vou ficar constrangido, como vou fazer? Se é numa novela de dez meses, eu sou solteiro e ela também, possivelmente vamos namorar, acontece, por isso que tem vários atores que se relacionam, mas não é esse o problema. Não corre esse risco. É muita gente, é luz, um falatório... Quanto menos tiver esse tipo de envolvimento, mais à vontade a gente fica”, garante Marcos, que deu uma força para as atrizes que contracenam com ele nos takes de nudez e de sexo: “O fato de eu ter mais experiência as deixavam à vontade para que pudessem ter maior liberdade para se expor. É muito ruim quando a atriz faz uma cena e tenta dar uma disfarçada, isso é muito chato. Eu sou o oposto, sou liberado nesse sentido, para mim é tranquilo fazer cenas de sexo. Também não é aquela coisa: ‘Nossa, que legal, vamos fazer’. Demanda uma concentração, um certo cuidado. A atriz está sempre mais fragilizada, porque a mulher está mais exposta. O homem se defende mais até pelo próprio universo machista”, reconhece.

Para as atrizes Monique Alfradique e Letícia Persiles que, na história, fazem sexo em troca de dinheiro, nudez gera, sim, um desconforto. “Essas cenas foram dificílimas”, assume Letícia. “Totalmente nua a gente não ficava. Era tapa-sexo frontal, mas lib (adesivo para tapar o mamilo) nem sempre tinha. Era um pouco difícil, sim, mas o Cesinha (César Rodrigues, diretor) tirava algumas pessoas do set. Ali não era eu me protegendo. Eu estava ciente de quem estava defendendo”, justifica Monique. Para interpretar Luisa, ela fez aulas de pole dance. “Saía roxa, ralada das aulas. Nas casas de programa, elas dançam com uma facilidade, parece que nasceram assim. Eu dei só uns rodopios com o auxílio da minha professora que foi ao set”, conta.

Como as personagens são suscetíveis à violência, drogas e homossexualidade, Monique encarou seu primeiro beijo gay na TV. “Ela não é lésbica, mas faz parte do trabalho, se o cliente queria aquela situação, então rolou um beijo, mas nada demais. A Luisa era uma personagem que eu estava esperando, então eu encarei tudo”, frisa. Inclusive visitar prostíbulos. “O pai dela era alcoólatra, batia na mãe que era submissa, então ela saiu de casa para buscar o sonho de se formar em psicologia e conheceu uma casa de prostituição. Mas aquilo, para ela, é passageiro. O que eu busquei, quando visitamos casas noturnas, eram meninas com esse passado. Elas estão ali, dançando sensuais, mas a tristeza está no olhar”, conclui a atriz.

Para Letícia, elas são sobreviventes: “A prostituição lida com um universo muito machista. É uma realidade opressora. Não vou defender nem dizer que é bacana, mas a gente tem que respeitar. É uma profissão antiga e, acima de tudo, honesta.”

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