Por karilayn.areias

Rio - Ter personalidade borderline, no caso de Ray, nova personagem de Débora Falabella, é dos males o menor. Seu transtorno provoca ataques de fúria, ciúmes, oscilação de humor, medo de rejeição e, muitas vezes, automutilação. Ama demais, sofre demais. Mas isso, nem de longe, se compara ao perigo de ser apaixonada, sem saber, por um assassino em série, um criminoso sádico, que mata por puro prazer: Edu (Bruno Gagliasso), um lobo em pele de cordeiro, que se aproveita dessa instabilidade emocional para manipular sua presa, no suspense psicológico ‘Dupla Identidade’. A série de Gloria Perez, com direção de Mauro Mendonça Filho, estreia na Globo sexta-feira.

Débora Falabella em cena de 'Dupla Identidade'Divulgação

“A border vive no limite das emoções. Para mim, como intérprete, é até difícil pensar nela apenas como uma pessoa que tem um transtorno. Isso não determina a Ray, faz parte dela. Tive contato com pessoas que têm esse problema. Uma menina, que tem um blog sobre o assunto, me ajudou bastante. Uma frase que ela interprete de maneira errada vira uma coisa muito maior do que realmente é. Está sempre a ponto de explodir, mas sofre mais do que faz as pessoas sofrerem”, explica.

Para acentuar a química entre o casal explosivo, Débora e Bruno vão protagonizar cenas quentes de sexo — isso se não houver cortes, como anda acontecendo em várias produções da casa. Na hora do ‘ação’, ela se libera e diz que lida numa boa com sequências mais ousadas. “É mais fácil. Fico à vontade. Nessa idade (35 anos) já não tenho mais timidez. Sou apenas reservada na vida pessoal. Mas essa é a maneira que escolhi para encarar a profissão”, explica Débora.

Carente, a personagem cairá fácil na lábia desse psicopata sedutor. Mal sabe ela que, por trás da imagem de príncipe encantado, há um serial killer, autor de crimes que apavoram a cidade. “A Ray não teve relacionamentos bem-sucedidos na vida. Tem uma autoestima baixa, então precisa do outro para poder viver e ser feliz. Ela encontra o Edu, um cara lindo e carinhoso, e se encanta. Ele vai dar corda para isso. É a junção perfeita: uma mulher cega de amor com uma pessoa que tem uma vida paralela e que ama o poder, acima de tudo. Imagina o resultado?”, questiona.

Se Ray não consegue administrar os próprios sentimentos, Débora aprendeu a lidar com as cargas dramáticas de papéis tão intensos: “Tenho que emprestar meu corpo e, às vezes, isso me desgasta, porque sinto isso em cena. Quando faço uma personagem diferente de mim, me sinto protegida por ela. É muito gostoso ter o desafio de fazer algo assim. Na hora pode até ser cansativo, mas depois isso se torna extremamente gratificante.”

Fora do trabalho, a atriz não tem nenhuma tatuagem. “E, se não fiz até hoje, não faço mais”, deixa claro. Mas, para esse papel, ela radicalizou nas tattoos falsas. “São todas da Ray. Ela tem uns pássaros, algumas frases. Gosto de pensar que cada uma tem um significado. Algo que ela fez na adolescência, que a marcou. Mas a interpretação é livre.” No visual, a atriz também deu uma boa repaginada: alongou e clareou as madeixas. “Nunca tinha ficado tão loura, nem com o cabelo tão comprido. Mas achei ótimo, gostei do resultado. Até porque é a primeira personagem que faço depois da novela (‘Avenida Brasil’, de 2012), então é bacana mudar, ajuda na composição”, destaca.

Na história, o criminoso tem uma boa relação com a filha da namorada. “Isso a deixa ainda mais apaixonada, e confusa ao mesmo tempo. Ele é extremamente carinhoso com a menina, e ela também se encanta por ele. Brincam juntos, se adoram”, descreve Débora.

Na vida real, Murilo Benício, 43 anos, acompanhou a atriz na festa de lançamento da atração. Por lá, comentou que tem assistido a séries para ajudá-la na preparação. “Li muitos livros sobre o tema, assisti a palestras, filmes, séries. Sou fã do gênero”, diz ela. É fato que Benício sente-se mais à vontade para falar sobre o relacionamento dos dois. Ao contrário de Débora, que não quis responder a uma pergunta sequer sobre a sua intimidade.

Mas sabe-se que o ator está construindo uma casa nova no Rio e que o plano é morar com ela. Enquanto não dividem o mesmo endereço, a atriz segue sua rotina em São Paulo com a filha, Nina, de 5 anos, da relação com o músico Chuck Hipolitho. A menina ainda está na creche, e Débora estreia dia 27, na capital paulista, a peça infantil ‘O Rei e a Coroa Enfeitiçada’. “Eu e minha irmã (Cynthia Falabella) dirigimos. É a primeira vez que estamos fazendo isso juntas. Essa peça foi escrita pelo meu pai (Rogério Falabella), que é ator e diretor de teatro, quando as netas nasceram. Ele fez para contar a história para elas, e nós também queremos contar para outras crianças. Conseguimos patrocínio e montamos”, conta a atriz.

Confira quem é quem...

1. VERA (Luana Piovani) é psicóloga forense, se especializou no FBI em Ciência Comportamental e foi chamada para reforçar a equipe no caso dos assassinatos em série, ao lado do delegado Dias (Marcello Novaes), sua antiga paixão. Casado, pai de dois filhos, é sério e deseja chegar ao cargo de Secretário de Segurança.

2. EDU (Bruno Gagliasso) finge ser um jovem atraente e confiável, mas não passa de um criminoso sádico, um serial killer.

3. SYLVIA (Marisa Orth) é casada com Oto Veiga (Aderbal Freire Filho) e mãe de Junior (Bernardo Mendes), está cansada de desempenhar o papel de mulher de político.

4. OTO VEIGA (Aderbal Freire-Filho) é uma velha raposa da política. O senador dança conforme a música e faz de tudo para conseguir se reeleger. Casado com Sylvia (Marisa Orth) e pai de Junior (Bernardo Mendes), age pensando em manter as aparências e angariar mais votos. Vai achar Edu um jovem inexperiente e fácil de manipular.

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