Por daniela.lima

Rio - Durante as manifestações de junho do ano passado, Bernardo Falcone estava dentro de um estúdio gravando seu CD, enquanto uma multidão protestava nas ruas contra a corrupção. “Minha maneira de participar foi compartilhando informações nas redes sociais”, conta o ator, que possui mais de 300 mil seguidores no Facebook graças à sua participação na novela ‘Rebeldes’ (2011), da Record. Atualmente, encarnando o revoltado Rico, um líder do movimento black bloc na minissérie ‘Plano Alto’, da mesma emissora, o jovem galã de 31 anos tem a sensação de estar fazendo história na TV enquanto ela acontece na vida real. 

Cena em que Rico foi preso durante um protesto em ‘Plano Alto’Divulgação


“Fiquei emocionado com as manifestações do ano passado. Pena que no final teve violência. Mas o movimento black bloc não nasceu no Brasil, essa é a estratégia deles. Não temos uma polícia preparada para isso. É uma pena, mas essa é uma realidade que a gente ainda precisa entender”, diz.

Bernardo comemora a participação cada vez maior dos jovens nas discussões sobre o futuro do país. “Acho genial. Estamos vendo a política ser discutida em mesas de bar, restaurante, em casa, independentemente de partidos políticos. O debate é sempre importante, e a gente tem que lutar por essa liberdade de pensar o que quiser.”

Apesar de defender o direito de ir à rua para protestar e reivindicar, o ator só não concorda que a violência tome o lugar dos argumentos. Mas responsabiliza a polícia quando a situação sai do controle.

“Não cresci em ambiente violento, nada na vida respondo com violência. Eu não sou assim, mas muitos black blocs são de comunidades, que vivem uma realidade opressora, com uma polícia agressiva. Então se aquele cidadão cresceu daquela maneira, não pode esperar que ele seja o Mahatma Gandhi. Estamos criando uma sociedade doente, com uma polícia despreparada. Sou contra a violência”, diz.

Na trama de Marcílio Moraes, ambientada no Rio durante os protestos de 2013, Rico é filho do deputado federal João Titino (Milhem Cortaz) e neto do governador Guido Flores (Gracindo Jr.), investigado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sob denúncia de desvio de dinheiro público. O rapaz já foi preso após participar de uma manifestação com a namorada, a jornalista Paula (Mariah Rocha), e uma amiga, a ativista Lucrécia (Carla Diaz). A prisão arbitrária faz com que Rico se envolva com os black blocs.

“Ele vê que existe uma causa para lutar, porque a polícia é extremamente despreparada e violenta”, conta o ator, sem revelar que o personagem também participa de quebra-quebra. “Ele faz o que for preciso naquela situação para não ser preso, não se machucar, ou defender o direito de manifestação.”

As cenas de protestos foram gravadas no Centro do Rio e na cidade cenográfica da Record, com participação de mais de 300 figurantes e 50 dublês. Bernardo conta que as sequências pareciam tão reais que eram assustadoras. “Era bem realista. Quando chegava no set, falava: ‘O Caveirão está aí, p...’ Mas a equipe tinha o maior cuidado para a gente não se machucar”, relata o ator, que fez uma preparação de um mês com a equipe de dublês de Jorge Só.

Ele espera que a minissérie possa ajudar a despertar no público a consciência política. Já a crença em políticos... “Acho que nossa fé em políticos será testada o tempo inteiro. Mas acredito em política, porque acredito no ser humano e na capacidade de ser agente transformador de seu ambiente.”

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