Seriado faz o público dar uma volta aos tempos das pornochanchadas

Carlo Mossy, que vive um produtor de comédias eróticas na série ‘Magnífica 70’, recorda a época em que filmava na Boca do Lixo e suas paixões pelas atrizes

Por daniela.lima

Carlo Mossy conta que teve filme cortado pela censura e foi preso por exibir comédia sem certificadoDivulgação

Rio - Um dos ícones da pornochanchada, Carlo Mossy voltou no tempo. Na série ‘Magnífica 70’, que retrata o universo da produção desse tipo de filme, exibida no canal HBO, o ator e diretor de 68 anos interpreta Lúcifer, um comerciante que investe boa parte de seu dinheiro em produções eróticas do cinema nacional. O papel faz com que Mossy reviva a época em que filmava na Boca do Lixo, em São Paulo.

“Eu passei por aqueles problemas com meus filmes. Convivi muito com a ditadura, fui preso por ter exibido um filme sem o certificado da censura”, recorda o ator, que produziu 25 longas. “O censor tinha uma obrigação moral de cortar, era um peitinho aqui, uma bunda a mais... Por isso, a gente filmava um pouco mais, porque sabia que as cenas mais pesadas seriam cortadas.” 

Protagonista de comédias eróticas com títulos tão divertidos quanto bem-sucedidos em bilheteria, como ‘Lua de Mel e Amendoim’, ‘Oh, Que Delícia de Patrão’, ‘Como É Boa a Nossa Empregada’ e ‘Essa Gostosa Brincadeira a Dois’, Mossy aprendeu a driblar a censura nas sequências de sexo, mas sofreu com os diálogos. “Alguns filmes tiveram o som cortado por causa dos palavrões, ficavam buracos, mas nunca cortei nos negativos, só nas cópias”, conta. 

Para o ator, ser chamado de Rei da Pornochanchada é motivo de orgulho, apesar de muita gente ter torcido o nariz para seus filmes nos anos 70. “Nunca tive vergonha. Pelo contrário! O rótulo pornochanchada era pejorativo, para desmoralizar. A crítica elitizada não assistia e dizia que não gostava. Ficavam putos, porque os meus filmes passavam em mais cinemas e faziam sucesso.”

Belas mulheres também marcaram a história de Mossy no cinema. A paixão pela diva Odete Lara, seu par romântico em ‘Copacabana Me Engana’ (1968), acabou em confusão. “Ela era casada com o (diretor) Antonio Carlos da Fontoura, que não me perdoou até hoje”, diz. A química com a atriz Adriana Prieto em ‘Soninha Toda Pura’ (1971) também saiu da ficção para a vida real. “Fui muito apaixonado por ela. A turma considerava a dupla mais sensual da época”, admite o ator, que está casado pela terceira vez, com Íris, há 22 anos, e tem cinco filhos.

Embora tenha feito muitas cenas calientes, como as de ‘Essa Gostosa Brincadeira a Dois’, com Vera Fischer, ele garante que o clima era sempre de “muito respeito”. “As pessoas pensam que só rolava sacanagem. Eu era garotão, produtor... Beijava muito. Beijo, quando rolava química, a gente não desgrudava. Namorei, sim, muitas atrizes famosas depois dos filmes, mas isso acontece em qualquer profissão. O cinema tem essa coisa epidérmica. Beijou, rolou”, diz ele, que acrescenta: “Nunca fiz teste do sofá, nunca permiti sexo em troca de trabalho.”

Especialista em mulheres sedutoras, Mossy não economiza elogios a Simone Spoladore, que vive Dora, a estrela dos filmes da produtora Magnífica na série do HBO. “As lentes grudam nela feito ímã. Raríssimas atrizes suportam um superclose como a Simone. Ela sabe usar a epiderme como técnica no assunto”, derrama-se ele, que a compara com outra musa: “Ela seria a atriz que mais se assemelharia à divina Adriana Prieto, no que diz respeito ao ‘physique du rôle’, uma tropicalizada mescla de ingenuidade ‘femeal’ agregada à irreverência e cinismo sensual.”

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