Por tabata.uchoa

Rio - O ‘MasterChef Júnior’ estreou na terça-feira com o mesmo sucesso que a versão adulta. O programa teve pico de 7 pontos de audiência, deixando a Band em segundo lugar no ibope por alguns minutos, e uma repercussão gigante nas redes sociais. O que muitos não esperavam era que parte desses comentários tivesse cunho preconceituoso e ligado à pedofilia.

O perfil @andreemuniiz foi um dos que deram o pontapé inicial ao ataque a uma participante de 12 anos com frases de conteúdo erótico — O DIA não publica os comentários para não dar publicidade a esse tipo de conteúdo. Outra conta registrada como @luantipatico publicou dizeres como quem quisesse assediar a menina. O perfil @Kemper_guedes engrossou o coro com o post que culpava a molecada na justificativa da pedofilia. Já @victorHrentschl foi mais além e insultou a adolescente com palavras de baixo calão.

Reality infantil de culinária da Band tem estreia com boa audiência%2C mas sofre preconceito na internetDivulgação

Alguns internautas se revoltaram com os posts ofensivos e ameaçaram denunciar e agredir os donos dos perfis. Outras crianças do reality também tiveram sua sexualidade questionada na web, muitas das vezes em tom de piada.

O desembargador Siro Darlan explicou que caso as crianças tenham se sentido ofendidas com os comentários, podem procurar a Delegacia de Proteção à Criança Vítima de Violência, sempre representados por seus pais, ou levar o caso ao conhecimento do Ministério Público. “Pessoas que fazem esses tipos de postagens podem responder por injúria, apologia ao crime e estímulo à pedofilia”, analisa o desembargador.

“Tem que avaliar caso a caso, tudo depende do conteúdo. Mas muitos comentários podem ser bullying, desrespeito, mas não acho que venham ser caracterizados como crime. Para ser crime, a frase tem que ser feita de forma mais direta, algo do tipo: ‘Vou te estuprar’”. Ainda sim, Siro repudia qualquer tipo de ofensas e maldades contra crianças. “Temos muito a coisa da homofobia, que ainda não está criminalizada, mas que as pessoas devem lutar para conseguir esse direito. É lamentável que essa prática seja algo recorrente.” 

Até o fechamento desta edição, a Band não havia se pronunciado sobre o assunto.

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