Por roberta.campos
Publicado 03/04/2016 13:18 | Atualizado 03/04/2016 13:28
Caio Blat vive André em 'Liberdade, Liberdade'Divulgação/Globo

Rio - Caio Blat e Ricardo Pereira viverão um tórrido romance proibido em ‘Liberdade, Liberdade’, nova produção das 23h da Globo, com estreia marcada para o dia 11. Nesse caso, qualquer semelhança com o filme ‘O Segredo de Brokeback Mountain’ (2005) não será mera coincidência.

Protagonizado por dois galãs de Hollywood, Heath Ledger (morto em janeiro de 2008) e Jake Gyllenhaal, o romance gay serviu de referência para os atores. E as similaridades não param por aí. Caio e Jake nasceram em 1980, Ricardo e Heath em 1979.

O polêmico e premiado longa do cineasta taiwanês Ang Lee narra a paixão entre dois caubóis. Aqui, a história se passa em 1808 com a chegada da Família Real ao Brasil. Caio é o nobre André. “Um gay enrustido, sensível, culto que vem para um país onde acha tudo horrível. Na verdade, ele só vai descobrir o desejo por outros homens ao longo da novela. Esse processo vai ser muito bonito e muito sofrido também”, descreve o ator.

E como os opostos se atraem, André se apaixonará pelo violento Tolentino, interpretado por Ricardo. “Um homem seco, mas que passa a sorrir com o personagem do Caio”, conta o português. Na história, nobre e capitão começam a se aproximar no cabaré de Virgínia (Lilia Cabral).

“Eles tomam vinho, ficam bêbados, se abraçam, se sujam e tomam banho juntos. Com isso, o André vai percebendo a atração que sente pelo Tolentino. O pai (Raposo/Dalton Vigh) dele o obriga a sair com mulheres. Ele fica fascinado, mas não sente atração”, adianta Caio. Cliente de fachada da prostituta Mimi (Yanna Lavigne), André formará com ela uma bela parceria.

“Eles fazem um pacto. Fingem que transam. Ele é um nobre e, para ela, que é rameira, é legal para ficar protegida. Ele vai ensiná-la a ler e a fazer contas para os clientes não a enganarem mais.”

Beijo gay

O tão falado beijo gay, se rolar, não será problema para Ricardo: “Não é uma questão para mim. Somos atores. Não vejo diferença entre beijar uma atriz ou um ator. O maior desafio é misturar a dureza do meu personagem com o outro, que tem uma sensibilidade fora do comum. Que venham mil beijos.”

No que depender do diretor Vinicius Coimbra tudo será mostrado, na dose certa. “Eu, nessa novela, gostaria de lidar de forma mais explícita com esse lance homossexual, é um desejo meu. Não gosto de apelar nas minhas obras. Gosto muito de insinuar. Meu trabalho é estimular a imaginação das pessoas. Vamos fazer com elegância, mas com uma sensualidade bem forte”, deixa claro.

Rubião (Mateus Solano) e Tolentino (Ricardo Pereira) em cena da nova novela das 23hDivulgação/Globo


A relação, segundo o autor Mario Teixeira, começa velada: “A sociedade condenava qualquer prática homossexual. Se punia com a morte a sodomia, que era o crime de homossexualismo. Então, eles vão se descobrindo ao logo da narrativa. O Tolentino é um bruto, é um militar de carreira violento. E o André se encanta por ele, mas não é um amor bandido, é o amor de um homem por outro, mas que poderia ser de um homem por uma mulher também, porque sinceramente, para mim, não tem diferença.”

Mario não acredita que haverá rejeição por parte do público. “Será mostrado um envolvimento entre dois homens, mas não vai haver sexo explícito, é óbvio, porque se trata de televisão, e porque o sexo explícito é de mau gosto. ‘Brokeback Mountain’ é uma referência, uma coisa que já vem pronta dos Estados Unidos e as pessoas engolem com mais facilidade. No nosso caso, são dois galãs da TV. As pessoas vão se assustar com isso? Não sei. É uma história que vai ser levada não com leveza, mas com verdade. Acho que vão entender. O amor não tem sexo, o desejo não tem sexo.” 

Heath Ledger e Jake Gyllenhaal em ‘O Segredo de Brokeback Mountain’Divulgação


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