
Rio - Não é de hoje que o SBT sonha em emplacar duas novelas originais em sua grade de programação. A ideia surgiu quando a emissora percebeu que conseguiu fidelizar o público infantojuvenil a partir dos trabalhos de Íris Abravanel, que escreveu as releituras de ‘Chiquititas’, ‘Carrossel’ e ‘Cúmplices de um Resgate’, garantindo bons índices de audiência.
Em 2016, a mulher de Silvio Santos passou o bastão dos remakes para a autora Leonor Correa, que entrou para o time com ‘Carinha de Anjo’, e resolveu apostar suas fichas em um produto novo, como ‘As Aventuras de Poliana’, no ar atualmente.
Os elogios pelo trabalho da dupla de autoras deram fôlego para que a equipe não deixasse esfriar o plano de seguir com mais de uma novela original em exibição e, para isso, Leonor ganhou a tarefa de escrever a série ‘Z4’, que estreia hoje, e será um termômetro para o núcleo de dramaturgia da emissora.
“Uma novela é um transatlântico. Demora para construir, demora para sair do porto, e para terminar requer cuidado. Custa milhões! Por isso, ‘Z4’ é um teste para implementarmos o segundo horário de novelas no SBT. Queremos ver se pode ser rentável, mostrar que pode ter boa audiência. Isso servirá de alicerce para a gente”, afirma o diretor Fernando Pelégio.
Parceria entre a Disney, a Formata Produções e a Sony, ‘Z4’ é uma série musical, que conta a história de um produtor, interpretado pelo veterano Werner Schünemann.
Na trama, o profissional está desacreditado por ter feito sucesso apenas na década de 1980, mas encontra uma ótima oportunidade de se reinventar ao conhecer quatro garotos, que sonham em criar uma banda, e precisam lidar com muitas dificuldades pelo caminho.
“Fiquei acostumado com personagens mais pesados ao longo da minha carreira e esse convite trouxe coisas muito legais para mim. É como seu eu estivesse fazendo tudo pela primeira vez de novo, porque a última vez que trabalhei com comédia foi no século 19 (risos)”, brinca o artista. Ao lado dele, jovens que foram revelados em ‘Chiquititas’, como Apollo Costa, Matheus Lustosa e Gabriel Santana, ganharão o apoio do youtuber Pedro Rezende, contratado pela emissora com a intenção de aproximar os jovens mais conectados nessa formação da “boy band”.
“Nós somos atores, comunicadores, e também batalhamos como os meninos da ‘Z4’ para alcançarmos nossos sonhos. Essa mensagem é muito importante dentro da série. A gente fala sobre vencer barreiras e obstáculos atrás de uma paixão, que é o que une os quatro. Eu me vi muito no meu personagem e nos outros meninos. A nossa responsabilidade é mostrar para quem assiste que vale ter esperança e lutar atrás do que quer”, afirma Apollo.
Para gerar identificação com o público, Leonor, que já escreveu duas temporadas da série, conta que fez questão de traçar diferentes perfis para os personagens. E essa pegada diversificada, inclusive, é o que agrada a Disney, que já está cuidando do processo de dublagem em espanhol para exibir o conteúdo em outros países da América Latina. “O DNA da nossa empresa está nessa mensagem de construção de sonhos, e nada como mostrar tudo isso com a música e a dança”, valoriza a representante do canal Cecilia Mendonça.
APOSTANDO ALTO
Embora o foco do seriado esteja na dramaturgia, a parceria com a Sony abriu os olhos do SBT para outros caminhos. Além de contar com as músicas em todas as plataformas, o representante da Sony e produtor Umberto Tavares conta que fará questão de levar as canções do grupo para as rádios e organizar pequenas
turnês. O futuro, é claro, dependerá da audiência e repercussão, mas levando em consideração os trabalhos do profissional, que já produziu músicas de Anitta, tudo leva a crer que o investimento terá retorno.
Com as participações de Negra Li e Manu Gavassi no elenco, também existe a possibilidade de, no futuro, a trama ganhar uma banda feminina. A autora da série conta que tem assunto para outras temporadas e foi até difícil cortar tantas ideias para escrever apenas duas, com 26 capítulos de meia hora cada. O SBT é lembrado pela revelação da banda Rouge e fez muito sucesso ao exibir a trama mexicana ‘Rebelde’, que também contava com vários números musicais durante seus episódios. A Disney, por sua vez, carrega o seriado ‘High School Musical’ como um de seus maiores sucessos e diz que a trama brasileira lembrará, sim, um pouco do que foi feito lá fora.
“Nesses 16 anos em que eu trabalho na Disney, acompanhei a construção de todos os personagens e, a cada novo trabalho, a gente traz o que aprendeu do anterior, então aqui não será diferente”, defende a gerente.
Leonor ainda completa a colega, afirmando que fez questão de contar a história com a cara do SBT, ao colocar a família inteira para assistir seus programas sem medo das cenas que passarão, e investiu em núcleos que têm apelo emocional.
“Os meninos estão aprendendo a cantar e dançar como na série. A Z4 é muito real porque é uma banda em formação de verdade. A estrutura para esse sucesso acontecer foi pensada desde o início e a própria presença do Pedro (Rezende) veio com essa expectativa. Cada um aqui representa os sonhos de crianças e adolescentes reais”, adianta a autora, que espera garantir o segundo lugar consolidado em audiência,
com mais de 12 pontos, para ter autorização de seguir com o projeto na casa e, quem sabe, ganhar uma novela original na emissora.
*Correspondente em São Paulo



