'O assédio está presente em situações inimagináveis', diz diretora da Globo

Amora Mautner fala sobre 'Assédio', minissérie que estreia sexta-feira para os assinantes da plataforma online Globoplay e, em 2019, na Globo

Por Gabriel Sobreira

Acima, Amora Mautner. No alto, Adriana Esteves, Fernanda D'Umbra, Paula Possani, Jéssica Ellen e Hermila Guedes. E Antonio Calloni e Elisa Volpatto
Acima, Amora Mautner. No alto, Adriana Esteves, Fernanda D'Umbra, Paula Possani, Jéssica Ellen e Hermila Guedes. E Antonio Calloni e Elisa Volpatto -

Rio - Cinco mulheres vítimas de uma série de abusos sexuais se unem para denunciar o agressor: Roger Sadala (Antonio Calloni), um médico bem-sucedido e respeitado. Esse é o mote de 'Assédio', minissérie que estreia sexta-feira para os assinantes do Globoplay (e na Globo só em 2019). "O maior desafio da direção foi falar sobre a pluralidade das vítimas e sobre como o assédio está presente em situações inimagináveis, como, por exemplo, dentro de um consultório médico", relata Amora Mautner, que assina a direção artística da minissérie.

Para a diretora, o fato de a produção tratar de assédio com a luz voltada para as vítimas e contar com mulheres em postos de comando como direção e autoria (Maria Camargo) é muito importante. "O fato de ter muitas mulheres envolvidas ajudou muito na concepção de todo o projeto porque, justamente, tem essa sensação em comum, que todas as mulheres que fizeram parte do projeto têm. De se sentirem assediadas durante uma vida, em vários aspectos. Essa minissérie teve esse plus de eu conseguir estar com outras mulheres podendo falar deste assunto", conta.

Em 'Assédio', as vidas de Stela (Adriana Esteves), Vera (Fernanda D'Umbra), Eugênia (Paula Possani), Daiane (Jéssica Ellen) e Maria José (Hermila Guedes) se entrelaçam em meio a sonhos, frustrações, tristeza, superação, heroísmo e um desejo enorme por justiça. Todas foram iludidas pela figura de Dr. Roger. Referência na reprodução humana assistida, o renomado profissional usa todo o seu poder de persuasão e influências social e profissional para envolver as mulheres que o procuram.

Todas são suas pacientes, com exceção de Daiane (Jéssica Ellen), que trabalha na clínica, mas também sofre assédio. Elas contam com a ajuda da jornalista Mira (Elisa Volpatto), que vai atrás obsessivamente de provas dos crimes cometidos pelo médico. 

Amora explica que o conceito, desde o início, da minissérie era mostrar a pluralidade, no sentido de representar todas as mulheres e vítimas. Foi feita uma escalação que favorecesse esse desejo, trazendo rostos ainda desconhecidos na TV, mas prestigiados no teatro em São Paulo. "Atores maravilhosos, que adorei conhecer e trabalhar. Aprendi muito com eles. Mas temos nossos grandes atores também, como Paolla Oliveira, Antonio Calloni e Mariana Lima, que estão fazendo papéis brilhantes. Isso sem falar da Adriana Esteves. Ter a Adriana no elenco, considero que é ter garantia de boa atuação. E todo esse grupo junto com os demais, que acrescentaram a cada personagem tanta riqueza de interpretação, forma a alma da minissérie. Estou muito satisfeita e grata a todo o elenco que esteve nesse projeto", derrete-se.

Sobre a estreia da parceria com Maria Camargo, Amora é só elogios. "Maria foi um presente na minha vida. Vou sempre agradecer ao Silvio de Abreu, a Monica Albuquerque e a Edna Palatnik por terem me apresentado a ela, porque é uma grande autora, muito talentosa e uma pessoa apaixonante. Foi muito feliz essa parceria. Espero trabalhar com ela de novo porque sou muito fã do seu texto, do seu trabalho e da pessoa que é", afirma. E vai além: "Acho que o fato de sermos duas mulheres ajudou muito nessa comunicação, por sabermos sobre esse universo, sobre como as mulheres podem se tornar vítimas em situações muito pouco esperadas, como no consultório de um médico. Também temos um gosto muito parecido, o que ajudou no conceito da minissérie".

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