Publicado 05/08/2026 07:02 | Atualizado 05/08/2026 07:09
Rio - Wagner Moura, de 50 anos, recordou a indicação ao Oscar de Melhor Ator, por "O Agente Secreto", durante o "Conversa com Bial", da TV Globo, nesta terça-feira (4). O artista baiano comentou que estava sozinho no avião quando soube do marco na carreira.
Publicidade"Estava viajando de Paris para Los Angeles, que é um voo muito longo. Estava sozinho, todo mundo dormindo, entrei [na internet] e as pessoas começaram a me mandar mensagem. Aí falei: 'por** fui indicado ao Oscar'. Olhei para o lado um cara dormindo, pedi pra menina trazer um vinho, um negócio para eu tomar", lembrou.
Bial perguntou ao ator se ele não dividiu a novidade nem mesmo com a aeromoça. "Não contei. Fiquei com vontade de dizer: 'Esse vinho aqui, é porque fui indicado ao Oscar'. Fiquei quietinho, bebi meu vinho quietinho", declarou o artista, que foi superado por Michael B. Jordan, de "Pecadores", na premiação.
Wagner também destacou o apoio que recebeu dos brasileiros. "O engajamento dos brasileiros dessa campanha era emocionante. Os caras lá não estão acostumados e é bonito um produto cultural brasileiro mobilizar tanta gente assim. [...] Você ver a galera dizendo: 'Esse filme me representa como brasileiro, representa minha cultura, quem eu sou', isso para mim, era f*da".
Após a indicação, Wagner ganhou projeção internacional. Questionado por Bial se o "tipo de convite de papel nos filmes mudou" e "se ele já tem inglês sem sotaque", o ator disparou: "Não tenho e não quero. Acho que represento uma parcela gigante de pessoas que moram naquele país, gente que fala com sotaque, imigrante. Politicamente me sinto confortável de dizer: 'não quero fazer isso', 'é com sotaque que quero fazer'."
Novelas
Apesar de ter somente duas novelas no currículo, "Paraíso Tropical" (2007) e "A Lua Me Disse" (2005), Wagner falou sobre o formato. "A novela é também um patrimônio da cultura brasileira. Eu adoro novela. Hoje em dia vejo menos, mas já vi muita. Adorei fazer... A novela me preparou", disse o ator.
"Esse instinto de sobrevivência a novela me deu. Nesse momento frenético que estou vivendo, que estou chegando no set sem saber meu script... esse não sou eu, mas é um outro eu, que estou inventando e quero ter ali. Isso a novela me deu. Fazer [novela] é um compromisso muito longo, é um ano inteiro que você fica agarrado numa coisa só", complementou.
'Vou morrer dizendo as coisas que acho'
Reconhecido como um apoiador da esquerda, Wagner confirma que isso tem um preço. "Eu vou morrer dizendo as coisas que eu acho. Podem estar erradas, inclusive... Agora é cansativo", disse ele, que apontou as críticas que recebe. "O cara diz assim: 'você prosperou na sua carreira como ator, você conseguiu ter dinheiro para comprar suas coisas'."
"Quando eu fui de Rodelas, pobre, eu podia ser de esquerda. É como se tivesse um portal por onde você passa. Queria saber qual é o teto. Quanto você precisa ganhar para deixar de acreditar em justiça social? Que portal é esse que você passa se prosperar com seu trabalho e tem que deixar de acreditar que os outros também merecem? Que você é uma exceção e conseguiu. Não entendo esse raciocínio... Não existe esse portal", opinou.
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