Renata Sorrah interpreta Pérola em 'Por Você' Manoella Mello / TV Globo
Publicado 23/08/2026 05:00
Rio - Aos 79 anos, Renata Sorrah encara em "Por Você" um desafio diferente: ser mãe de uma vilã. Na novela das 19h, da TV Globo, ela vive Pérola, dona do Hospital & Maternidade Luz. A personagem entra em choque com a filha, Vanessa (Alinne Moraes), ao apoiar Bela (Sheron Menezzes) e defender uma medicina mais humanizada na unidade de saúde. Nos próximos capítulos, Pérola também enfrentará uma doença, ampliando os conflitos da trama. Ao MEIA HORA, a atriz refletiu sobre os limites do amor materno, a ligação da história com a própria família e a força de Nazaré Tedesco até hoje. Confira! 
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– Pérola é descrita como uma mulher ética, firme e corajosa. O que mais te interessou na construção dela?

Eu acho que ela é uma mulher corajosa, direita e ética, que quer o melhor. Ela se coloca, sabe? É uma mulher que acredita muito naquilo que faz e na forma como o hospital deve funcionar. Acho muito bonito esse lado dela.

– "Por Você" aborda questões que vão além dos conflitos familiares. O que mais te chama atenção nos temas tratados pela novela?

A novela é muito bem estruturada e fala de assuntos que considero importantes. Tem o núcleo do hospital, a escola e a Vila Maravilha. Acho que toca em maternidade, fraternidade e amor. É uma novela extremamente feminina, com a maternidade e a cumplicidade entre as mulheres muito fortes. São assuntos muito bonitos para falar agora.

– Pérola ama Vanessa, mas não reconhece muitas das escolhas da filha. Como está sendo construir esse conflito entre amor materno e reprovação?

Eu estou aprendendo, e a Pérola também, como é ser mãe de uma vilã. Isso fica muito na minha cabeça: até que ponto o amor de mãe é incondicional? Até onde você defende uma filha quando ela toma caminhos completamente diferentes daqueles em que você acredita? Eu não sei a resposta. E acho bom quando a arte não traz respostas prontas. Estou construindo isso junto com a Alinne, com os autores e com o público.

– Ao mesmo tempo em que entra em choque com Vanessa, Pérola se aproxima de Bela e apoia suas ideias para o hospital. O que aproxima as duas?

Ela defende a Bela, que à Sheron está fazendo lindamente. Bela representa muito do que Pérola gostaria para o hospital. É uma médica que atende quem está precisando e quer criar uma ala para grávidas em situação de vulnerabilidade. As duas compartilham essa visão mais humana da medicina, enquanto Vanessa segue por outro caminho.

– Sua filha, Mariana Sochaczewski, é pediatra e atua em projetos humanitários. Essa experiência dela te aproximou de alguma forma do universo de Pérola?

Totalmente. Mariana faz um trabalho muito bonito com médicos voluntários. Ela vai para lugares onde a medicina e os profissionais muitas vezes não chegam, viaja pelo Brasil e também já foi para a África. Para mim, foi muito bom interpretar agora a diretora de um hospital e uma personagem que acredita nesse tipo de medicina.

– Pérola também começará a enfrentar um problema de saúde nos próximos capítulos. O que você já sabe sobre esse novo momento dela?

Ela vem com uma doença, sim, mas eu ainda não sei exatamente o que vai acontecer, porque estamos descobrindo aos poucos. A gente vai construindo a personagem conforme os capítulos chegam.

– Mesmo com questões mais delicadas, "Por Você" mantém a leveza característica do horário das 19h. Você sente diferença ao fazer uma novela dessa faixa?

Acho que não importa muito o horário. Quando existe um bom texto, é muito bom fazer. "Por Você" é leve, mas toca em pontos importantíssimos, como educação, saúde, racismo e empoderamento. Fala sobre muitas coisas sem deixar de ser gostosa de assistir.

– Ao longo da carreira, você já viveu personagens muito diferentes, de mocinhas a algumas das vilãs mais lembradas da televisão. Existe algum tipo de papel que te interessa mais?

Não. O que eu quero são bons papéis, personagens com os quais você possa transmitir alguma coisa. A arte toca as pessoas e constrói pontes. O mundo está difícil, então uma coisa bonita no cinema, no teatro, em um livro ou em uma poesia dá um alívio.

– É inevitável falar de vilãs com você sem lembrar de Nazaré Tedesco, de "Senhora do Destino" (2004). Por que acha que ela permanece tão presente no imaginário do público?

A Nazaré tem humor. O Aguinaldo escreveu uma coisa muito interessante para ela: ela é engraçada. Então não é uma personagem apenas maniqueísta, que é má o tempo inteiro. Tem alguma coisa que quebra isso e faz você pensar: "Ai, meu Deus do céu". Acho que isso ajuda a explicar essa relação com o público.
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