Igor Rickli vive um professor da escola de dança em ’Quem ama cuida’Divulgação / Brunno Rangel
Publicado 14/10/2026 05:00
Quando Igor Rickli começou a interpretar Patrick em "Quem Ama Cuida", o personagem já carregava características bem definidas: professor de dança, carismático e ambicioso. Mas, para o ator, uma das particularidades mais interessantes de fazer uma novela está justamente no fato de que o personagem não chega pronto. Ao longo dos meses de gravação, novas relações, conflitos e escolhas vão modificando a maneira como ele enxerga o papel. 
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"Novela tem essa particularidade maravilhosa de você não receber o personagem completamente pronto. Ele vai acontecendo durante muitos meses. Você vai descobrindo junto com o público, junto com os autores, com a direção", afirma Igor.
Patrick já se aproximou de Fábia (Flávia Alessandra), ex-mulher de Ulisses (Alexandre Borges), e chegou a ser flagrado pelo empresário dançando coladinho com ela. Agora, o professor de dança vive um romance com Carolina (Mah Duarte), filha do irmão de Pilar (Isabel Teixeira), e enfrenta a resistência do pai dela. Para Igor, essa nova fase coloca o personagem diante de conflitos que ele não consegue controlar sozinho.

"Acho interessante porque o romance coloca o Patrick diante de conflitos que ele não controla sozinho. Ele pode saber o que quer, pode tentar conduzir as coisas de determinada maneira, mas existe a Carolina, existe o Ulisses, existem sentimentos e relações anteriores a ele", diz.

O relacionamento também confronta uma característica importante de Patrick: a necessidade de conquistar aquilo que deseja. "Relacionamento não é exatamente um território que você conquista. É um território que você constrói com outra pessoa. Acho que esse embate pode revelar bastante dele."

A ambição do personagem, aliás, é uma das características que mais interessam ao ator. Em vez de simplesmente julgá-lo pelas escolhas que faz, Igor prefere entender de onde vem a necessidade de mudar de vida e conquistar um lugar que acredita merecer. "Não acho que ele acorde pensando em ser uma pessoa ruim. Ele vai justificando as próprias escolhas, como todos nós fazemos de alguma maneira. E acho que é aí que o personagem fica interessante."

Para Igor, compreender Patrick não significa concordar com suas atitudes. "Se eu julgar o Patrick, eu me afasto dele. Como ator, preciso fazer justamente o contrário: tenho que encontrar a lógica dele, entender por que, para ele, aquela escolha faz sentido naquele momento. Isso não significa concordar com o personagem. São coisas completamente diferentes."

Nesse universo, Dora (Mariana Ximenes) também ocupa um espaço importante. A amizade entre os dois representa, para o ator, um lugar de pertencimento para Patrick, justamente porque ela o conhece de antes de muitas das situações que vive atualmente. "Existe história ali, intimidade, confiança. E eu acho muito bonito quando um personagem tem alguém diante de quem ele não precisa construir uma versão de si mesmo o tempo inteiro."

A dança como desafio

Para interpretar Patrick, Igor precisou se aproximar de uma linguagem que não fazia parte de sua vida daquela maneira. Mais do que executar coreografias, o desafio era construir a presença de alguém que vive profissionalmente da dança. "Uma coisa é você gostar de música, se movimentar, ter alguma consciência corporal; outra é convencer como alguém que vive da dança, que ensina aquilo. Existe uma postura, uma segurança, um jeito de ocupar o espaço", explica.

O processo também modificou a relação do ator com o próprio corpo. "A dança te obriga a estar presente no corpo de um jeito muito específico. Eu descobri movimentos, limites e possibilidades que não conhecia."

A principal descoberta veio quando ele deixou de tentar controlar cada movimento. "No começo você quer acertar o passo, contar, pensar em tudo. Depois começa a entender que precisa sentir. Acho que essa foi uma descoberta muito interessante para mim, inclusive como ator."


Uma volta com significado

Depois de mais de dez anos longe das novelas da Globo, Igor conta que sentia vontade de voltar à rotina de uma produção diária. "Eu estava com muita vontade de viver novamente essa rotina, esse encontro diário com um personagem. Foram muitos anos em que eu experimentei outras coisas, outros formatos, vivi outros processos também, e acho que tudo isso foi me transformando como ator e como pessoa.”

O retorno ganhou ainda um significado pessoal por acontecer ao lado do filho, Antônio, que interpreta Camilo, personagem de outro núcleo da novela. Os dois não contracenam diretamente, mas o artista acompanha de perto as descobertas do jovem no trabalho.
Para o ator, essa experiência é especial e, ao mesmo tempo, exige respeitar o caminho próprio do filho. "É muito bonito acompanhar o processo dele, observar as descobertas, a maneira como ele se relaciona com o trabalho. E eu tento também respeitar muito o caminho dele, porque é a experiência dele, não a minha."

Após passar por novelas, teatro, musicais e séries, o ator diz que hoje tem mais clareza sobre os trabalhos que deseja fazer. "Quando a gente é mais novo, existe uma ansiedade natural de fazer, experimentar, aproveitar as oportunidades. Com o tempo, você começa a entender melhor onde quer colocar sua energia."

Patrick, segundo ele, se encaixou justamente nesse momento. "Quero encontrar projetos e personagens que me provoquem alguma coisa. O Patrick fez isso. E essa volta também reacendeu em mim um prazer muito grande pela novela, pela continuidade, pela convivência com aquele personagem durante tanto tempo."
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