Crise exige cautela para investimentos

Apesar da valorização de ações na bolsa, especialistas alertam para risco e recomendam aplicações seguras

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio -  O cenário político explosivo está provocando altas recordes das ações de empresas na bolsa de valores e quedas sucessivas da cotação do dólar, ao sabor da divulgação diária de novas denúncias contra o governo, e pode provocar prejuízos a investidores atraídos pela possibilidade de lucro fácil com investimentos arriscados. Especialistas alertam que neste momento de grande instabilidade, é preciso ter cautela para aplicar o dinheiro guardado. A saída pode ser a proteção na renda fixa.

Influenciada pela turbulência política, ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve alta de quase 7%, a maior registrada nos últimos sete anos, fechando aos 50.914 pontos. Já o dólar comercial caiu de 2,29%, vendido a R$ 3,653. O comportamento do mercado financeiro refletiu a expectativa de investidores financeiros que apostam na substituição do governo, após a divulgação de ligações telefônicas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff.

Maurício conta que quando recebe pagamento em dólar%2C espera o momento de valorização da moeda para vender ou trocar por reaisDivulgação

Para o economista e professor do Ibmec-Rio Gilberto Braga, apesar desses indicadores positivos, o momento não é de confiança. “O mercado financeiro vem respondendo positivamente quando há sinalização de mudança de governo e negativamente quando o cenário é o oposto. Não recomendo esse momento tão instável para investidores novatos”, alerta.

Segundo o especialista, para quem busca proteção de suas reservas, uma alternativa bem mais segura é a aplicação em títulos públicos do governo federal. “Em função da alta taxa de juros, o ideal é investir no Tesouro Direto”, sugere. A ideia é evitar o risco de uma queda no dólar, quando títulos indexados à taxa Selic têm rendimento de quase 15%.

Para quem tem uma reserva maior, a recomendação da professora dos MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV) Myrian Lund, é o investimento em Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e em Letra de Crédito do Agronegócio (LCA). “Rendem mais que a poupança, mas normalmente é necessário ter em mãos R$ 10 mil para um investimento inicial”, disse.

Um dos sócios do Lapa Hostel, Maurício Carvalho, 36 anos, conta que ele e os outros empresários seguem à risca as recomendações dos especialistas. “Para termos bons rendimentos, aplicamos nosso ‘giro extra’, ou seja, o que não vamos precisar no nosso caixa, em fundo de renda fixa. É uma forma de não deixar o dinheiro parado na conta e ter rendimento”.

Além disso, quando recebem em dólar, esperam para trocar ou vender o dinheiro quando a moeda está mais valorizada. “Todo dólar que estamos recebendo, temos segurado para trocar no melhor momento”, explica.

ALGUMAS DICAS
APLICAÇÕES

Para ser conservador e também fazer o dinheiro render, a orientação é investir em fundos de renda fixa. O ganho será de 10,5% ao ano (mínimo). As opções são CDB, fundo DI, LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e a LCA (Letra de Crédito do Agronegócio). Procure o melhor conforme sua renda e potencial de investimento. Quem tem poupança manterá seu dinheiro protegido, porém a rentabilidade hoje é baixa, de 8%.

DÓLAR

A queda do dólar, que fechou a R$ 3,65 ontem, pode atrair mais compradores. Foi a maior queda percentual diária desde 3 de novembro de 2015, quando a moeda havia caído 2,29%. No entanto, o momento ainda é de cautela, alertam especialistas. Apenas quem realmente precisa ter a moeda para viajar, por exemplo, deve fazer a aquisição. “O ideal é comprar um pouco a cada dia, pois diante dessa oscilação, pode haver queda maior”, alerta Myrian Lund, professora dos MBAs da FGV.

MERCADO DE AÇÕES

É um mercado arriscado, principalmente para quem não tem experiência e recursos. Não é momento de investir.

Empresas contratam menos crédito

As empresas instaladas no Brasil diminuíram em 12,2% a busca por crédito, no último mês de fevereiro, comparado ao mesmo mês do ano passado, segundo mostra a pesquisa do Indicador Serasa Experian de Demanda das Empresas por Crédito. Na comparação com o mês anterior, no entanto, a demanda subiu 4,7%. No acumulado do ano em relação ao mesmo período de 2015, a procura recuou 11,7%.

Em fevereiro, as empresas de médio porte foram as que mais reduziram a procura (-21,8%), na comparação o mesmo período do ano passado. Em seguida, estão as grandes companhias (-18%) e micro e pequenas empresas (-11,6%). Já entre janeiro e fevereiro, as micro e pequenas empresas lideram com aumento de 4,9% na demanda; as empresas de médio porte indicaram alta de 0,7% e as grandes, uma redução de 0,4%.

Por setor, a maior queda na demanda anual foi na indústria (-13,9%), seguida pelo comércio (-12,2%) e serviços (-11,7%). O Centro-Oeste do país foi a região com o recuo mais expressivo (-13,9%). No Sudeste, a procura caiu em 13,2%; seguido do Nordeste (-10,6%); Norte (-10,4%) e Sul (-9,9%).

Na virada de janeiro para fevereiro, o segmento industrial apresentou crescimento de 4,1%; o comércio 6,3% e os serviços 3%. A região Norte foi a que mais buscou crédito (4,7%); no Sudeste e Sul a procura cresceu 4,5%; no Centro-Oeste (6,1%); e no Nordeste (6,2%).

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