Turismo interno é saída para driblar dólar em alta

Para não perder as férias escolares, conhecer o Brasil pode ser alternativa de quem está com orçamento apertado mas quer se divertir

Por *Carolina Moura

A estudante de Comunicação Social, Lívia Marques, 22, planeja viajar para o exterior, mas não agora.
A estudante de Comunicação Social, Lívia Marques, 22, planeja viajar para o exterior, mas não agora. -

Rio - Com o valor da moeda norte-americana lá em cima, a alternativa para quem pensava em viajar para o exterior nas férias do meio do ano é mudar a rota e aproveitar destinos por aqui pelo Brasil. Na última sexta-feira, o dólar turismo fechou em R$3,85 e o euro em R$ 4,28. De acordo com o coordenador do MBA de gestão financeira da FGV-Rio, Ricardo Teixeira, a proximidade das eleições deste ano é um dos fatores que estão impactando a alta das moedas, além de razões externas.

"Neste momento, a melhor opção para quem está de olho no orçamento mas não abre mão de se divertir, é viajar pelo nosso país", orientou Ricardo Teixeira.

Segundo a Agência de Turismo CVC, a alta da moeda norte-americana provocou desaceleração na venda de viagens internacionais. E o consumidor vem optando por destinos nacionais em tempos de dólar e também de euro mais caros.

Na avaliação da presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens do Rio (ABAV-RJ), Teresa Cristina Fritsch, quem já fechou pacote para outro país precisa ficar atento às despesas a fim de não sentir tanto no bolso. Ela também sugere o turismo interno como uma saída. "O brasileiro pode deixar de ir para o exterior e procurar destinos brasileiros por serem mais baratos", diz.

De família nordestina, a estudante de Comunicação Social, Lívia Lima, 22 anos, não abre mão de viajar nas férias: "Sou apaixonada por fazer as malas e desbravar lugares. Sempre viajo. Bahia, Minas, Pará, ou outras cidades dentro do Rio. Renova as energias".

A estudante, que pretende ir para o exterior quando a situação melhorar, vai se planejar para não ficar apertada financeiramente. Enquanto isso, prefere ficar pelo Brasil. "Tem tanto lugar bom, bonito e barato para se aventurar. É só querer. O nosso país é enorme", afirmou.

O Banco Central divulgou que o brasileiro no exterior gasta cerca de US$ 1,538 bilhão e o estrangeiro US$ 499 milhões, de acordo com levantamento do mês passado.

Grande diversidade do país é bom atrativo para incentivar viagens

A turismóloga Camila Melo considera que os brasileiros conhecem muito pouco o próprio país pela falta de publicidade do governo. "As agências de turismo falam muito do exterior. Muitas vezes, passagens para algumas regiões do Brasil, que é maior do que a Europa, são mais caras. Entretanto, sairia mais em conta por causa da moeda. Ainda assim, sair do país é a primeira opção das pessoas", diz.

"Se o dólar está em alta, eu aconselho uma aventura pela país. Tem muito brasileiro que nem conhece os estados direito. Talvez, com essa alta da moeda norte-americana, seja um novo tempo para passear, conhecer estruturas, culturas e arquiteturas diversas", comentou.

Segundo ela, há muitos destinos a serem aproveitados no país. "As regiões são muito ricas. O povo brasileiro é muito receptivo e diferente em vários pontos. É um país enorme que vale a pena viajar", disse.

No Nordeste, explica Camila, o forte é a comida, a música, e as praias. Além disso, quem quiser se adentrar mais, pode conhecer os sertões, o semi árido da região. "Em alguns lugares do semi árido se encontra excelentes vinhos, por exemplo. Eles inclusive são exportados", disse.

"Para quem quer algo diferente, no Centro Oeste tem a cidade Bonito, no Mato Grosso do Sul. Com lagoas, trilhas e muita natureza", acrescentou. "As chapadas também são bem frequentadas. A do Veadeiro é em Goiás e a Diamantina na Bahia. São lugares que parecem que você nem está no Brasil", concluiu.

"Quando o brasileiro viaja para fora ele usa mais cartão de crédito. Os juros são alto. É um gasto alto", afirmou.

*Estagiária sob supervisão de Max Leone

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