Ações da Vale caem quase 20% e puxam queda de 96 mil pontos na Bolsa

No exterior, o minério de ferro teve alta relevante na China, com preocupações acerca da oferta de minério de ferro

Por ESTADÃO CONTEÚDO

Bombeiros procuram vítimas no entorno de Brumadinho,Minas Gerias,no quarto dia de buscas após o rompimento de uma barragem da Vale
Bombeiros procuram vítimas no entorno de Brumadinho,Minas Gerias,no quarto dia de buscas após o rompimento de uma barragem da Vale -

São Paulo - O desastre provocado pelo rompimento de barragem da Vale em Brumadinho (MG) repercute fortemente na reabertura da Bolsa brasileira nesta segunda-feira, após o feriado paulistano na sexta-feira. As ações da Vale perdiam cerca de 19% neste início de pregão, repercutindo a tragédia humana e ambiental. Às 10h45, os títulos da Vale eram cotados a 46,44 reais, uma queda de 17,45% em relação ao fechamento de quinta-feira.

No desastre com o rompimento de barragem da Samarco, em 5 de novembro de 2015, a maior repercussão negativa sobre a ação não foi imediata sobre a ação da Vale. Cerca de três meses depois do acidente, a ação chegou ao piso das cotações, em queda de mais de 50%. Um dia antes do acidente, a ação valia R$ 16,13. No dia 2 de fevereiro de 2016, encerrou o pregão a R$ 7,97. Desse dia até a quinta-feira passada (24/01/2019), quando encerrou a R$ 56,15, a alta acumulada era de mais de 604%.

No exterior, o minério de ferro teve alta relevante na China, com preocupações acerca da oferta de minério de ferro. Já o petróleo cai mais de 1%, enquanto os futuros de NY recuam cerca de 0,50%, assim como as bolsas da Europa.

Às 11h01, o Ibovespa caía 1,57% aos 96.146,22 pontos. Na mínima intraday, recuou 1,92% aos 95.806 pontos.

Vale suspende pagamento de dividendos e cria dois comitês 

Em reunião extraordinária realizada no domingo o Conselho de Administração da Vale decidiu mudar o sistema de remuneração e incentivos devido ao rompimento da barragem de rejeitos da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG).

Em fato relevante, a mineradora informa que o Conselho decidiu suspender o pagamento de remuneração variável aos executivos e também a Política de Remuneração aos Acionistas "e, consequentemente, o não pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio (JCP), bem como qualquer outra deliberação sobre recompra de ações de sua própria emissão".

No documento, a empresa diz ainda ter constituído dois Comitês Independentes de Assessoramento Extraordinário (Ciaes) ao Conselho de Administração, "coordenados e compostos por maioria de membros externos, independentes, de reputação ilibada e com experiência nos temas de que se ocuparão, a serem indicadas pelo Conselho".

O primeiro comitê, denominado Ciae de Apoio e Reparação, acompanhará as providências destinadas à assistência às vítimas e à recuperação da área atingida pelo rompimento da barragem. O segundo colegiado, chamado Ciae de Apuração, investigará as causas e responsabilidades pelo rompimento da barragem.

"O Conselho de Administração permanece em prontidão e acompanhando a evolução dos eventos relativos ao rompimento da barragem e tomará as medidas adicionais necessárias", diz o fato relevante.

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