Galeão e Santos Dumont: papéis trocados

Para aumentar atratividade dos aeroportos, o governo do Rio estuda reduzir o valor do ICMS sobre o querosene de aviação

Por Luiz Fernando Santos Reis*

Rio - É enfadonho ficarmos falando das mazelas que o Estado do Rio vive. O pior é que não vemos saída a curto prazo. O encolhimento ocorre em todos os setores sem distinção. É triste quando lembramos que o Aeroporto do Galeão/Tom Jobim é o maior sítio aeroportuário do país, possui as maiores pistas de pouso e decolagem do Brasil, além das melhores condições climáticas em relação a seus concorrentes. Só que deixou de ser a principal porta de entrada e saída dos voos internacionais, posição que ocupou no passado, e hoje amarga o 4º lugar em movimento de passageiros.

Com capacidade de receber até 37 milhões de passageiros/ano, o Galeão registrou, em 2018, um movimento de 15 milhões, bem menos do que a metade da sua capacidade. Se compararmos as dimensões e estrutura dele com às do Santos Dumont, os números são ainda mais chocantes.

O Santos Dumont possui capacidade para operar com 8,5 milhões de passageiros/ano e há pelo menos sete anos, mantém em média um movimento acima de 9 milhões. Em 2018, registrou movimento de quase 9,2 milhões de passageiros/ano.


O Galeão foi privatizado em 2014, e a Concessionária informa ter investido mais de R$ 2 bilhões em sua ampliação tornando-o o mais moderno do país. Entre 2015 e 2018, registrou uma queda de 11,4% no número de passageiros/ano e 17% no total de pousos e decolagens. Hoje o Terminal 1 está completamente fora de uso, deserto e sucateado. O aeroporto de Guarulhos/São Paulo, o maior complexo aeroportuário da América do Sul, fechou 2018 com mais de 42 milhões de passageiros/ano, quase três vezes mais que o Galeão.

Para aumentar a atratividade de nossos aeroportos, o governo do Estado do Rio estuda reduzir o valor do ICMS sobre o querosene de aviação. Será que também reduzir as taxas aeroportuárias não seria atrativo?

O governo federal vai iniciar ainda esse mês programa de privatização de todos os aeroportos brasileiros, medida mais que acertada. Do Galeão, o governo pretende vender a participação que a Infraero ainda possui e, como joias da coroa, os últimos seriam Congonhas e Santos Dumont.

No entanto, antes que isso ocorra, é importante rever as frequências de pouso e decolagens entre o Galeão e o Santos Dumont, um ocioso e o outro saturado. Foi anunciado que serão criados mais seis voos semanais entre Guarulhos e Santos Dumont. Cada vez mais estas medidas diminuirão a demanda ao Galeão, transformando o Santos Dumont no mais importante aeroporto internacional do Rio. Para viajar para o exterior, teremos que fazer as conexões em Guarulhos.

Será que é isso que queremos para o maior sítio aeroportuário do Brasil?

 

*Presidente-executivo da Associação das Empresas e Engenharia do Rio

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