Ministério da Economia já havia se manifestado contra a desoneração, calculando um impacto de R$ 10 bilhões nos cofres públicos em 2021, por não haver uma fonte de recursos para compensar a perda na arrecadação - Wallace Martins / Futura Press / Estadão Conteúdo
Ministério da Economia já havia se manifestado contra a desoneração, calculando um impacto de R$ 10 bilhões nos cofres públicos em 2021, por não haver uma fonte de recursos para compensar a perda na arrecadaçãoWallace Martins / Futura Press / Estadão Conteúdo
Por ESTADÃO CONTEÚDO
Publicado 19/10/2020 12:04 | Atualizado 19/10/2020 12:05
Brasília - O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que irá lutar pelo teto de gastos enquanto for necessário e, que quando o debate se tornou público, o presidente Jair Bolsonaro não hesitou em apoiar a posição da equipe econômica. Guedes participa do evento online US-Brazil Connect Summit, organizado pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos. "O presidente está claramente do nosso lado", garantiu.
Segundo o ministro, não há desculpa para a criação de despesas permanentes. "As medidas para conter a pandemia nunca foram desculpa para continuar gastando", defendeu.
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Guedes ainda destacou que há uma proposta no Congresso para impedir o crescimento do piso dos gastos, com a desindexação, que deve ser votada nos próximos 40 dias. "As reformas devem ser analisadas e votadas pelo Congresso após eleições municipais. Precisamos acelerar e diversificar programa de privatizações. Do primeiro ao último dia do governo, estaremos promovendo reformas "
Segundo Guedes, há um grande problema de indexação de gastos no Brasil. "Nenhuma outra economia tem teto de gastos com grande indexação de despesas como o Brasil." O ministro afirmou que o governo do presidente Michel Temer criou o teto de gastos, mas não "as paredes necessárias" para mantê-lo. "As reformas são para congelar o crescimento do piso de gastos, que pressiona o teto. O teto de gastos é um símbolo, uma bandeira, para defender gerações futuras."
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Retomada em 'V'
O ministro da Economia repetiu que a retomada do crescimento no Brasil em meio à crise provocada pelo novo coronavírus está ocorrendo de forma acelerada, em "V". Ele voltou a destacar que, no momento que o mundo foi atingido pela pandemia, o Brasil decolava, enquanto a economia global desacelerava.
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Além disso, Guedes repetiu que as previsões iniciais eram de que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cairia 10% e que agora as projeções de mercado estão em recuo de 5,5% e 5,0%. "Mas achamos que será menos, uma queda de cerca de 4%."
Segundo o ministro, o auxílio emergencial salvou "os sinais vitais da economia". "O Brasil gastou 10% do PIB nessa operação de resgate na pandemia. O gasto foi o dobro dos emergentes, mas sem arrependimento." O ministro ainda afirmou que o Brasil é a quarta maior economia digital do mundo.
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Parceria com os EUA

No mesmo evento, o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, afirmou que a parceria com os Estados Unidos é essencial para o País virar uma economia de mercado. Brasil e EUA estão para assinar um acordo triplo: de facilitação de comércio, de melhores práticas regulatórias e anticorrupção. Araújo citou iniciativas de parcerias entre dois países. "Abrimos portas com os EUA em defesa, tecnologia, comércio e segurança", afirmou. "Trabalhamos para promover democracia e combate a crime organizado e terrorismo na América do Sul."

O chanceler ainda disse que conversa com os americanos sobre como a recuperação global deve se apoiar em democracia e liberdade. "Queremos mudar o Brasil, mudar região e ajudar a mudar o mundo."

Araújo também afirmou que o País está trabalhando para fechar um acordo comercial com os Estados Unidos no curto prazo. Ele destacou que o País tem trabalhado em soluções para mercados específicos, como de aço, etanol e açúcar. Segundo o ministro, a velocidade desses acordos deve-se a uma nova postura com relação aos Estados Unidos no governo Jair Bolsonaro. "Precisamos dos investimentos e da inovação que parceria com EUA pode fornecer."