Joe Biden e Donald Trump - Reprodução
Joe Biden e Donald TrumpReprodução
Por iG - Economia
São Paulo - A escolha do próximo presidente dos Estados Unidos impactará o mundo inteiro, já que a eleição, que acontece nesta terça-feira, decidirá quem será o presidente da maior economia do mundo. A vitória de um republicano ou um democrata terá implicações a curto prazo nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil e, para que haja um aumento no fluxo de negócios bilaterais, a economia precisa se recuperar da crise gerada pela pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2). Além disso, o aumento do fluxo nessas relações também depende de mais diversificação e competitividade na pauta de exportação do que da política do próximo governo norte-americano ou de maior alinhamento entre os países.

A soma de exportações e importações entre Brasil e EUA, segundo dados da balança comercial brasileira, mostram que a corrente de comércios tem se mantido estável na última década, entre US$ 50 bilhões e US$ 60 bilhões por ano. Em 2019, fechou com R$ 59,8 bilhões. O melhor resultado foi registrado em 2014, quando somou R$ 62 bilhões.

O destino de exportações do Brasil para os EUA representa 9,7% do total. O país norte-americano também é 2ª principal origem de importações brasileiras, 16%.

A China superou os Estados Unidos como principal parceiro comercial do país, mas os EUA mantêm as principais trocas totais. No entanto, nos 9 primeiros meses de 2020, o acumulado caiu para 12,3%, enquanto a China subiu 28,8% ao importar mais commodities brasileiras, como minério de ferro, soja e proteína animal.

No entanto, as exportações mundiais do Brasil permaneceram praticamente estagnadas nas últimas décadas, segundo um levantamento da Agência Espacial Brasileira (AEB). As exportações passaram de de 0,99% em 1980 para 1,23% em 2018, e no mesmo período a China saltou de 0,88% para 12,77%, enquanto os EUA recuaram de 11,06% para 8,54%.

O impacto da pandemia

Agora, o maior desafio para o comércio bilateral entre os dois países é recuperar o patamar pré-pandemia. Segundo um levantamento da Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil), o comércio entre Brasil e Estados Unidos despencou em 2020 para o menor nível desde a crise internacional de 2009.

No acumulado de janeiro a setembro, a soma de exportações e importações entre Brasil e Estados Unidos caiu 25,1% em relação ao mesmo período de 2019, para US$ 33,4 bilhões, sendo o pior resultado para o período dos últimos 11 anos.

Já no acomulado dos 9 primeiros meses deste ano, as importações de produtos dos EUA totalizaram US$ 18,3 bilhões, uma queda de 18,8% na comparação com o mesmo intervalo do ano passado. Já as exportações caíram 31,5%, para US$ 15,2 bilhões. O déficit comercial com os EUA está em US$ 3,1 bilhões na parcial do ano. Se o cenário atual se mantiver, o Brasil deve encerrar 2020 com o maior déficit bilateral dos últimos 6 anos.

Mas não é só com com os Estados Unidos que a corrente de comércio do Brasil tem encolhido. Em 2019, exportações e compras do exterior recuaram, mas as vendas externas apresentaram maior queda. Para 2020, o Ministério da Economia estima que a soma das importações e exportações brasileiras caia 9%. A previsão é de que as importações somem US$ 155,7 bilhões – uma queda de 12,2% – e as exportações somem US$ 210,7 bilhões, uma queda de 6,5%.

Governo Trump

Segundo a Amcham, a taxa de queda na corrente de comércio entre os dois países foi mais acentuada devido ao perfil dos produtos mais negociados, como petróleo, aviões, insumos para a indústria, além do elevado número de operações intrafirma – quando uma multinacional tem uma produção compartilhada e importa dela mesma.

Segundo analistas ouvidos pelo G1, os impactos da guerra comercial entre EUA e China são mínimos, assim como a aproximação do governo Bolsonaro com o governo Trump. Os analistas destacam que, além das perdas com as restrições impostas às exportações brasileiras de aço e alumínio, o Brasil teve alguns ganhos, como: a reabertura para a entrada de carne bovina in natura produzida pelo Brasil, a possibilidade de exploração comercial do centro de lançamento de Alcântara, no Maranhão, e a oferta de até US$ 1 bilhão em crédito do governo norte-americano para financiar projetos no Brasil.