Diana de Carvalho  usou a criatividade para se reinventar na pandemia e movimentar o negócio
Diana de Carvalho usou a criatividade para se reinventar na pandemia e movimentar o negócio Arquivo pessoal
Por Letícia Moura
Rio - Impactadas pela pandemia de Covid-19 desde o princípio, empresas tentam sobreviver em meio à queda no faturamento provocada pela crise. Segundo um estudo do Sebrae Rio, feito entre os dias 6 e 8 de abril, com a participação de 597 donos de pequenos negócios fluminenses, o grande desafio de 30% dos empreendedores fluminenses é equilibrar as finanças. Para 24% dos empresários, manter o volume de vendas é uma preocupação, seguido do planejamento das atividades diante da crise (21%).
Na avaliação de Antonio Alvarenga, diretor-superintendente do Sebrae Rio, em momentos de crise, todo empresário, independentemente do tamanho, necessita inovar. “No caso da pandemia, a adaptação ao universo digital é uma necessidade, uma vez que as atividades presenciais estão prejudicadas”, afirmou Alvarenga.
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Diana de Carvalho, de 67 anos, dona do restaurante Summer Garden, em Miguel Pereira, no Sul Fluminense, precisou usar a criatividade para se reinventar durante a pandemia e movimentar o seu negócio enquanto as portas estiveram fechadas. Devido ao isolamento social e às restrições de circulação, ela migrou, em março do ano passado, para o serviço de entregas, sem antes ter trabalhado neste formato.
A empresária contou que valoriza a experiência dos clientes além da comida. Segundo ela, o ambiente de seu empreendimento, que está em meio a um jardim em contato com a natureza, era o atrativo antes da pandemia. Mas, para vencer o período de recessão, ela explicou que passou a levar a experiência para a casa dos consumidores, por meio do delivery. 
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"Comprei embalagens bonitas, que não liberassem nenhuma toxina e que pudessem ir ao micro-ondas. Eu já tinha uma lista de contatos no meu WhatsApp, mas comecei a ampliá-la. Então, eu enviava aos clientes as fotos dos pratos", esclarece. 
Faturamento
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Desde o início da crise, os pequenos negócios passam por dificuldades. Ainda segundo o levantamento, no momento, 59% das empresas implementaram mudanças para continuar funcionando. Apesar das adaptações realizadas, 79% alegaram diminuição no faturamento, 9% permaneceram com o rendimento igual, 7% acreditam que foi melhor que o ano passado e 5% não souberam responder.
Ainda conforme a empresária Diana de Carvalho, no começo da pandemia, quando apenas estava operando com o delivery, o restaurante registrou uma queda de 70% no faturamento. Atualmente, com o estabelecimento funcionando sexta-feira, sábado e domingo em horários restritos, ela tem uma redução de 40% a 50% na renda. Porém, continua tentando driblar a crise. "Temos que reinventar, criar, fazer uso das redes sociais, seja Instagram ou WhatsApp, que, hoje, eu acho que são as duas melhores para negócios".
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De acordo com Sérgio Tavares, de 57 anos, professor universitário e gestor da Rio Ecoesporte, empresa que gera empregos para profissionais de educação física, a receita de seu negócio diminuiu em torno de 70%. Diante do contexto atual, ele disse que tem buscado cada vez mais estudar o cenário da crise para poder trabalhar em cima das oportunidades possíveis. "É preciso paciência, persistência e criatividade", pondera.
Sérgio Tavares é professor universitário e empresário, gestor da Rio Ecoesporte, empresa que gera empregos para profissionais de educação física - Arquivo pessoal
Sérgio Tavares é professor universitário e empresário, gestor da Rio Ecoesporte, empresa que gera empregos para profissionais de educação físicaArquivo pessoal
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"Estude com cuidado o cenário e organize um plano de contingência baseado na realidade concreta das projeções, e não improvise nas providências. É importante sempre pensar em abrir novos clientes em mercados antes não explorados pelo comercial da empresa. E como hoje todos estão no universo da tecnologia, intensifique as ações no marketing digital", aconselha o professor. 
Orientações
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Para equilibrar as finanças, o professor Luiz Fernando Barbieri, coordenador do MBA de Processos do Ibmec e consultor de Negócios, indica que o empresário deverá rever o planejamento financeiro, se houver. Segundo ele, caso não exista, o empreendedor precisa desenvolver, "tendo por base o cenário atual, estabelecendo metas de desempenho com o menor custo possível, fazer mais, por menos, sempre".
O professor também sugere que o empreendedor pode procurar alongar dívidas, por meio de negociação. "Buscar comprar novo empréstimo com juros menor, substituindo o anterior. Redução de custo fixo da operação". Ele acrescenta que outra alternativa é rever o capital de giro, "buscando receber dentro do mês, para que o fluxo de caixa não fique comprometido. Repensar o processo de compras, priorizando os produtos/serviços, revendo o portfólio, visando produtos que tenham giro de estoque ágil".
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Medidas econômicas
A pesquisa do Sebrae Rio concluiu que as medidas econômicas voltadas para a redução dos impactos da pandemia, anunciadas pelo governo federal, foram importantes para a manutenção dos pequenos negócios. No Estado do Rio, 45% dos empreendedores não utilizaram nenhuma medida governamental. 15% reduziram ou suspenderam o contrato de trabalho, 14% acessaram linhas de crédito com condições especiais, 12% adiaram o pagamento dos impostos, 4% usaram o auxílio emergencial da Prefeitura para pagamento de salário dos funcionários, 3% aproveitaram a flexibilização de regras para exercício de atividades e 2% conseguiram empréstimos a juro zero.
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Apesar da influência destas iniciativas para a sobrevivência dos negócios, os empreendedores ainda aguardam o retorno do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte). Adotada no ano passado, a linha de crédito tinha como objetivo ajudar as micro e pequenas empresas, evitando demissões durante a pandemia. Em 2021, o governo federal pretende destinar R$ 5 bilhões ao programa. Em 2020, nas três fases do benefício, foram liberados mais de R$ 37,5 bilhões, segundo balanço do Ministério da Economia.
Vendas on-line

De acordo com a pesquisa do Sebrae Rio, 58% das empresas fluminenses não estão vendendo de forma on-line. Dos pequenos negócios que apostaram nos canais digitais, 28% alegaram que as vendas on-line representaram até 50% de todo o faturamento. Já 14% relataram que esse modelo correspondeu a mais do que 50% da renda.
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"A percepção da nossa rede de atendimento é que este receio vem justamente pelo desconhecimento sobre como operar nesse modelo. Para essa transição, o Sebrae Rio está empenhado em promover capacitação. Através (do portal) “Sua Empresa + Digital” é possível avaliar o desempenho digital atual e apoiar o seu desenvolvimento", indica o diretor-superintendente do Sebrae Rio.