Número de carros elétricos em circulação aumentou 63% no Brasil nos últimos 16 mesesPixabay
De acordo com "Panorama da Eletromobilidade no Brasil", elaborado pela Associação da Eletromobilidade e da Economia de Baixo Carbono, o País possui hoje 391 mil veículos elétricos em circulação. Este número, no entanto, teve um grande crescimento a partir de janeiro de 2024. Somente no ano passado, foram comercializados mais de 177 mil veículos. Nos primeiros quatro meses de 2025, as vendas bateram a marca de mais 70 mil automóveis do tipo — o que representa que dos 391 mil, 247 mil (63%) foram comercializados nos últimos 16 meses.
Um outro exemplo desse crescimento é a BYD, líder global em carros movidos a energia elétrica, que inaugurou 15 lojas pelo Brasil entre abril e maio. Com isso, a companhia chinesa chegou a 180 concessionárias no País.
A professora Andrea Santos, do Programa de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro), comenta os benefícios deste tipo de carro em comparação aos movidos a combustão.
"O transporte elétrico traz benefícios ambientais, principalmente por não emitir gases de efeito estufa e outros poluentes. Isso também pode ajudar muito na qualidade do ar. Além disso, teremos cidades mais silenciosas", aponta.
Ela, no entanto, ressalta que não se pode olhar somente para os prejuízos causados no uso do produto, mas sim na produção. "É importante olharmos para o ciclo de vida como um todo. A produção de baterias tem um impacto ambiental grande, como a utilização de minerais raros que são usados como componentes. Também é preciso pensar em como descartar esse material de forma ecológica", diz.
Ela aponta ainda que a questão da infraestrutura para a recarga "precisa melhorar muito".
Pontos de recarga
Questionada, a Prefeitura do Rio afirma, em nota, que sabe da demanda crescente por pontos de recarga e que está se preparando para atendê-la. A administração municipal também ressalta a inauguração do Eletroposto Carioca, na Barra da Tijuca, Zona Oeste da cidade, em fevereiro. O local possui seis pontos e funciona 24 horas por dia.
"A cidade do Rio vem se preparando e se antecipando para atender à crescente demanda por recarga, com o aumento da frota de carros elétricos na cidade. Uma das iniciativas é o programa Sandbox.Rio – programa experimental de regulação, que permite a entrada de inovação na cidade do Rio. E foi por meio do Sandbox.Rio que foi inaugurado o Projeto Eletroposto Carioca, na Barra da Tijuca, em fevereiro deste ano – o primeiro posto eletroposto em área pública do Rio", diz um trecho da nota.
O professor de economia e coordenador do grupo de Energia e Regulação da Universidade Federal Fluminense (UFF), Luciano Losekann, diz que a cidade do Rio pode não apresentar uma infraestrutura adequada para a recarga de veículos elétricos, mas que este problema não é somente da capital fluminense ou do Brasil.
"O número de pontos de recarga é um desafio para o mundo inteiro. Mesmo em locais com frota mais estabelecida, há uma carência de pontos para carregamento", aponta.
"Há o carregamento residencial, normalmente feito durante a noite, e os locais de carregamento rápido, que são públicos", diz. Para ele, as pessoas que possuem carros elétricos ainda são muito dependentes do carregamento doméstico.
Ele também aponta que há uma questão de "ovo ou galinha", já que o crescimento da frota de veículos elétricos e dos pontos de carregamento estão, segundo o especialista, interligados.
"É aquela questão do ovo e da galinha. Para o mercado investir de forma significativa em pontos de recarga, seria importante ter uma frota de veículos mais estabelecida. Mas um número maior de pontos de recarga daria mais confiança para as pessoas que pensam em ter um carro elétrico poderem adquirir o produto", lembra.
Para o economista, a situação do Estado como um todo sobre o tema é ainda mais precária. O DIA questionou o governo estadual e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços para entender se o Rio de Janeiro planeja algum incentivo para instalações do tipo, mas não obteve resposta.
Setor público não tem obrigação de investimento
Questionada, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informa que "não possui planos de distribuição de pontos de recarga de veículos elétricos". "Nos termos da Resolução Normativa nº 1.000/2021, a exploração comercial de pontos de recarga de veículos elétricos é uma atividade que pode ser livremente desenvolvida por qualquer interessado", destaca a nota.
Quem tem não se arrepende
O empresário Gustavo Stutzel, de 50 anos, utiliza há um ano um carro híbrido. Ele, que é morador do Recreio, na Zona Oeste, se mostra satisfeito com o veículo.
"O carro está entregando até mais do que eu esperava. A tecnologia e os itens de segurança me fazem andar com muita tranquilidade com minha família. O torque do motor elétrico é surpreendente, poderoso e prazeroso na estrada, te dando segurança em ultrapassagens", diz.
Ele afirma não ter problemas com a recarga. "A região da Barra da Tijuca é um dos lugares mais equipados no País com eletropostos. Você encontra em muitos supermercados, shoppings e em postos convencionais. Além disso vários lugares oferecem recarga gratuita. Meu condomínio tem um eletroposto e vários outros também possuem na região", conta.
"Ele tem autonomia combinada, elétrico e gasolina, de mais de 500 km. No elétrico mais de 100 km, o que é o suficiente para deslocamento urbano. Quando precisamos viajar, uso o modo híbrido, no qual o próprio sistema procura a alternância de motores, a combustão e elétrico, para a máxima eficiência. Com certeza indicaria. Além da diminuição de emissão, o custo caiu para um terço", pontua.
O empresário Jurandy Oliveira, que mora na Freguesia, na Zona Oeste, possui um carro híbrido há quatro anos. Ele destaca a economia proporcionada pelo veículo entre as principais vantagens: ''A maior vantagem é a economia com custeio de combustíveis. Além disso, não há emissão de gases poluentes e o veículo não produz ruídos provenientes de combustão, o que o torna completamente silencioso.''
Oliveira ressalta que carrega a bateria de seu veículo em casa e no trabalho, além de pontos de recarga em alguns shoppings e mercados. Segundo o empresário, ele raramente recorre à gasolina ou ao etanol.
''Meu veículo, por ser híbrido, consome um tanque de combustível a cada 90 dias. Antes, o consumo era de um tanque a cada semana'', revela. Ele, inclusive, dá um conselho para quem ainda não considera utilizar um carro elétrico. ''Eu diria que o carro elétrico é uma realidade, e os veículos que utilizam combustíveis fósseis em um futuro próximo serão cada vez mais desvalorizados'', avalia.


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