Wolney admitiu que tem ouvido reclamações de descontos indevidos em empréstimos consignadosFabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, disse, nesta quinta-feira (18), que mais de R$ 1 bilhão já foram devolvidos aos aposentados vítimas de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ele participou do programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC)

Ele também afirmou ter almoçado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na quarta-feira, 17: "Ele me pediu para não deixar nenhum aposentado no prejuízo". Segundo o ministro, ainda há mais de R$ 2 bilhões para serem devolvidos aos afetados pela fraude.

O governo editou uma medida provisória (MP) abrindo crédito extraordinário de R$ 3,31 bilhões para viabilizar os ressarcimentos e acelerar a devolução dos valores desviados na fraude do INSS. Na mesma entrevista, Wolney declarou estar "empoderando a inteligência" do ministério para ter melhores resultados e evitar novas fraudes.
Consignado
Wolney Queiroz disse que o ministério está vigilante para não haver nenhum tipo de fraude no crédito consignado nos moldes do que houve com os desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). 

"É um trabalho que não cessa. É permanente e nós estamos vigilantes para que não haja nenhum tipo de desconto indevido também nos consignados", declarou.

Wolney admitiu que tem ouvido reclamações de descontos indevidos em empréstimos consignados, mas disse que a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou ao ministério que essas reclamações são "residuais".

Segundo ele, houve uma reunião de mais de 3 horas na última quarta-feira, 17, sobre a segurança da ferramenta. Ele repetiu que o governo está "marcando cerrado" qualquer tipo de irregularidade com os consignados.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apura o funcionamento de uma prática semelhante dos desvios de benefícios previdenciários com empréstimos consignados. O relator, Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que a convocação de representantes de grandes bancos não está descartada.
Reforma da Previdência
O ministro também disse que não há clima para uma nova reforma da Previdência atualmente. Segundo ele, qualquer medida desse tipo, se fosse feita, deveria ser realizada no começo de um novo governo.

Ele afirma, entretanto, ser refratário a uma nova reforma ampla porque as mudanças normalmente miram "piorar as condições para os trabalhadores", como aumentar o tempo de trabalho. "A gente não pode fazer com que a conta sempre recaia sobre as pessoas que trabalham", declarou.

O ministro disse que reforma da Previdência feita pelo governo do ex-presidente Michel Temer foi "apenas para economizar".

Para Wolney, o financiamento previdenciário é um problema mundial, mas a solução é fazer com que o sistema seja mais confiável para aumentar a base de arrecadação.

"Reforma da Previdência, se um dia for necessária, tem que ser feita com a participação ampla da sociedade", afirmou o ministro.