João Martins, auxiliar técnico do PalmeirasCesar Greco/Palmeiras

O Palmeiras saiu em defesa do auxiliar técnico João Martins após a nota emitida pela CBF. A entidade acusou o português de xenofobia após as críticas sobre a arbitragem no empate contra o Athletico-PR, neste último domingo (2), na Arena da Baixada, e prometeu levá-lo ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para dar explicações. 
Após o empate por 2 a 2 contra o Athletico-PR, o auxiliar técnico João Martins afirmou que "é ruim para o sistema" o Palmeiras conquistar o Brasileirão por dois anos seguidos. Em nota, a CBF classificou a coletiva do português como um "festival de grosserias" e uma tentativa xenofóbica de diminuir o Brasileirão no exterior. O Verdão rebateu a entidade. 
"Diante da nota oficial divulgada pela CBF e dos reiterados erros graves cometidos contra o Palmeiras, entendemos ser este o momento oportuno de demonstrar, em público, a nossa indignação. Não queremos ser beneficiados, mas exigimos que as regras sejam aplicadas com isonomia. Confiamos na independência do STJD, evocado pela CBF, e temos convicção de que o órgão dará ao auxiliar João Martins o tratamento equilibrado que lhe compete", disse.
Na nota oficial, o Palmeiras relembrou os erros de arbitragem contra o Bahia, no Brasileirão deste ano, além do jogo contra o São Paulo, pela Copa do Brasil de 2022, cujo erro do VAR na hora de verificar impedimento custou a eliminação alviverde. O clube ainda reclamou do lance em que Zé Ivaldo, do Athletico-PR, acertou Endrick com uma cotovelada na nuca, na partida do último domingo.
Com o empate diante do Athletico-PR, o Palmeiras chegou aos 23 pontos e viu o Botafogo abrir dez pontos de vantagem na liderança. O Verdão se manteve no quarto lugar, atrás do Grêmio (26) e Flamengo (25). O Alviverde volta a campo na próxima quarta-feira (5), contra o São Paulo, às 19h30 (de Brasília), no Morumbi, pelo jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil. 
Confira a nota oficial do Palmeiras:
"Diante da agressiva nota oficial divulgada nesta segunda-feira (3) pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a Sociedade Esportiva Palmeiras propõe alguns questionamentos, sempre no sentido de defender os direitos do clube e contribuir com a melhora do produto futebol:

– Por que o comunicado da CBF é endereçado exclusivamente ao Palmeiras, sendo que profissionais de outra equipe da Série A fizeram, também ontem, comentários semelhantes aos do auxiliar técnico João Martins?

– Por que a opinião de um profissional português sobre o futebol brasileiro causou tanto desconforto à CBF se a própria entidade, como é de conhecimento público, busca um treinador estrangeiro para comandar a Seleção Brasileira?

– Qual teria sido a conduta “xenofóbica” de João Martins? Elogiar a qualidade dos jogadores brasileiros?

– Se a gestão da Comissão de Arbitragem investe tanto assim em tecnologia, por que o nosso VAR é incapaz de apontar objetivamente se uma bola ultrapassou ou não a linha de gol, como aconteceu no recente duelo entre Palmeiras e Bahia, pelo Brasileiro?

– Por que o atleta Zé Ivaldo, do Athletico-PR, não foi expulso ontem, após acertar uma cotovelada na nuca do atacante Endrick, em lance revisado pelo VAR?

– Por que no jogo entre Palmeiras e São Paulo, pela Copa do Brasil de 2022, o VAR não traçou a linha de impedimento no lance que originou o gol do nosso adversário e que nos custou a eliminação? Por que a imagem da revisão desta jogada sumiu?

– Por que a Comissão de Arbitragem da CBF, presidida por Wilson Seneme, nunca pediu desculpas ao Palmeiras pelo erro grave cometido pelo VAR na Copa do Brasil do ano passado?

– Por que o Palmeiras, na rodada seguinte após a mais recente Data Fifa, não pôde contar com nenhum de seus três atletas convocados para a Seleção Brasileira?

A Sociedade Esportiva Palmeiras, ao longo dos anos, sempre se preocupou em construir uma relação de saudável parceria com a Confederação Brasileira de Futebol. Há cerca de três semanas, a presidente Leila Pereira esteve na sede da entidade, no Rio de Janeiro (RJ), para conversar com Wilson Seneme, de quem ouviu a promessa de melhorias imediatas na arbitragem.

Na semana seguinte, o vice-presidente da Comissão de Arbitragem, Emerson Carvalho, e o gerente técnico do VAR, Periclés Bassols, chegaram a realizar uma palestra para os profissionais do clube na Academia de Futebol, também com a presença da presidente Leila Pereira.

Contudo, diante da nota oficial divulgada pela CBF e dos reiterados erros graves cometidos contra o Palmeiras, entendemos ser este o momento oportuno de demonstrar, em público, a nossa indignação. Não queremos ser beneficiados, mas exigimos que as regras sejam aplicadas com isonomia.

Confiamos na independência do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), evocado pela CBF, e temos convicção de que o órgão dará ao auxiliar João Martins o tratamento equilibrado que lhe compete."