Rio - A campeã olímpica de boxe Imane Khelif, de 26 anos, recebeu um pedido de desculpas da World Boxing, por na semana passada ter citado nominalmente a argelina no anúncio de um teste de gênero obrigatório para todos os atletas com 18 anos ou mais que desejem competir em torneios da modalidade.
"Escrevo pessoalmente para apresentar minhas desculpas formais e sinceras. Reconheço que sua particularidade deveria ter sido protegida", afirmou presidente, Boris Van der Vorst, em entrevista à "BBC Sport".
Na ocasião, a participação da argelina no Box Cup de Eindhoven (Holanda), entre 5 e 10 de junho, foi vetada até que ela se submetesse aos exames. Porém, a federação voltou atrás em relação a seu posicionamento.
A nova federação mundial de boxe, responsável pelo programa olímpico e amador da modalidade, havia anunciado na última sexta a introdução de testes genéticos de gênero obrigatórios para seus atletas. A entidade também vetou a participação de Imane Khelif, medalha de ouro em Paris e vítima de polêmicas, em eventos da modalidade até que ela passe pela testagem.
De acordo com a federação, os testes fazem parte de uma nova política de "sexo, idade e peso", que entrará em vigor no dia 1º de julho e que foca em "garantir a segurança dos participantes e entregar um nível competitivo igual para homens e mulheres"
"A política está em fase final de desenvolvimento e foi elaborada por um grupo de trabalho do Comitê Médico e Antidoping do Boxe Mundial, que analisou dados e evidências médicas de uma grande variedade de fontes e consultou amplamente outros esportes e especialistas ao redor do mundo", dizia o comunicado.
Imane Khelif foi vítima de polêmica e ataques em Paris ao disputar o torneio sob recusa de outra associação, a Associação Internacional de Boxe (IBA), em autorizá-la a disputar o Mundial de 2023. Segundo a entidade, que não apresentou os resultados dos testes de gênero, a argelina teria a combinação de cromossomos XY, masculina. A IBA havia sido desfiliada pelo Cômite Olímpico Internacional (COI) naquele mesmo 2023 por questões de governança. O comitê, por sua vez, autorizou a participação de Khelif nos Jogos.
Os ataques e discurso de ódio cresceram na estreia da argelina, quando a italiana Angela Carini abandonou a luta aos 46 segundos com dores no rosto. Mesmo sob ataques, Khelif avançou no torneio e garantiu o ouro na categoria meio-médio ao vencer a chinesa Yang Liu na final.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.