Publicado 06/11/2025 07:59 | Atualizado 06/11/2025 09:13
O técnico Oswaldo de Oliveira voltou a se pronunciar, na noite desta quarta-feira (5), sobre a sua declaração de que "não queria estrangeiro" na Seleção em evento com a presença do italiano Carlo Ancelotti, na última terça-feira (4). O treinador afirmou, nas redes sociais, que não vai se desculpar por algo que não falou e reforçou seu posicionamento.
Publicidade"A minha frase foi: 'Eu quero que o Ancelotti tenha muito boa sorte na Copa do Mundo, nos traga o título e que depois, quando ele deixar a seleção brasileira, que novamente, um treinador brasileiro assuma o cargo'. Foi exatamente isso que eu disse", explicou.
O discurso de Oswaldo foi feito durante o 2º Fórum Brasileiro dos Treinadores de Futebol, na sede da CBF, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, e causou constrangimento entre o público presente.
"Claro, o momento foi inoportuno, porque eu quis valorizar, com a minha fala, o valor do treinador brasileiro. Eu não sou contra a presença do treinador estrangeiro, mas a minha preferência é que o treinador da seleção brasileira especialmente seja um brasileiro."
O treinador brasileiro de 74 anos insistiu no seu posicionamento e ressaltou a sua opinião sobre a qualidade de Ancelotti.
"Não vou me desculpar por algo que eu não falei. Eu o acho, como eu disse a ele [Ancelotti], o melhor treinador do mundo. Se não pudesse ser um brasileiro, que fosse ele, e eu torci para que fosse ele quando estava acontecendo a escolha. Que na ausência de um brasileiro, que fosse o melhor do mundo, que é o Carlo Ancelotti. E muitos outros treinadores e torcedores comungam da minha opinião", afirmou.
Ele também considerou as críticas "infundadas, agressivas e pejorativas". "Qual é o problema de eu achar que a seleção brasileira tem que ser dirigida por um treinador brasileiro? É impossível eu ser contra a presença do treinador estrangeiro no Brasil, até porque eu trabalhei no Catar e no Japão como treinador nos clubes desses países", argumentou.
Oswaldo, que tem passagens por Fluminense, Vasco, Flamengo e Botafogo, já havia se manifestado sobre o assunto nesta quarta-feira. Ele opinou que as "edições mal-intencionadas" são o grande problema.
"Eu fiz um discurso de 12 minutos. A pergunta que me foi feita foi sobre a situação atual do treinador brasileiro, e eu sou defensor que os clubes e a seleção tenham técnicos brasileiros. Falei isso e, no final, disse que se tivesse que vir um estrangeiro, que seja o Ancelotti, que é um dos maiores de todos os tempos", disse, entrevista ao "Lance!".
Diretor da FBTF se pronuncia
O diretor da Federação Brasileira de Treinadores de Futebol (FBTF), Alfredo Sampaio, repudiou os comentários e o comportamento de Oswaldo.
"A FBTF considera inadmissível que um profissional que, ao longo de sua carreira, ocupou espaços relevantes no cenário nacional e internacional, utilize sua fala de maneira desequilibrada e ofensiva para desqualificar colegas de profissão e propagar discursos que desrespeitam o esforço coletivo de uma categoria", escreveu a entidade.
Entenda
Oswaldo e o ex-treinador Emerson Leão criticaram a "invasão" de estrangeiros no Brasil em discurso diante de Carlo Ancelotti.
"Eu sempre disse que eu não gosto de treinadores estrangeiros no meu país. (...) Não mudo a minha opinião. Mas tenho que ser inteligente o suficiente pra dizer que isso tudo tem um culpado. Nós. Nós, treinadores, somos culpados da invasão de outros treinadores que não têm nada a ver com isso", disparou Leão.
Após o discurso de Emerson Leão, foi a vez de Oswaldo de Oliveira, que fez coro contra estrangeiros no comando da seleção brasileira. "Eu não queria treinador estrangeiro, mas não tinha jeito, se tivesse que ser, que fosse esse senhor (Carlo Ancelotti). Torci para ser esse senhor. Depois que ele for embora, campeão do mundo, que venha um brasileiro", afirmou.
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