Publicado 05/03/2026 12:44
Rio - O zagueiro Gustavo Marques, de 24 anos, que defende o Bragantino foi punido com 12 jogos de suspensão pelo TJD-SP (Tribunal de Justiça Desportivo) pela fala machista proferida contra árbitra Daiane Muniz, depois da partida entre o clube do Interior Paulista e o São Paulo, no último dia 21, pelo Campeonato Estadual.
Publicidade Por se tratar de uma punição do TJD-SP, ela será aplicada em partidas do Campeonato Paulista do ano que vem. Além da suspensão, o zagueiro também foi condenado a pagar uma multa de R$ 30 mil.
O defensor foi denunciado em dois artigos do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva): 243-G (praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência) e 243-F (ofender alguém em sua honra, por fato relacionado diretamente ao desporto).
Relembre o caso
A declaração de Gustavo aconteceu depois da derrota do Bragantino para o São Paulo por 2 a 1, pelo Campeonato Paulista. Ele reclamou da arbitragem, utilizando termos machistas.
"Primeiramente eu quero falar da arbitragem. Porque não adianta a gente jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians... e eles colocarem uma mulher para apitar um jogo deste tamanho. Eu acho que ela não foi honesta pelo que ela fez. Eu acho que o São Paulo tem todo mérito, pela camisa, pela tradição que tem. Eu acho que ela puxou pra eles, porque independente da situação, o Red Bull é grande, mas pra ela o São Paulo foi melhor, foi maior", afirmou o defensor.
Posteriormente, Ainda no estádio, o jogador e o diretor esportivo do clube, Diego Cerri, se dirigiram até o vestiário da arbitragem para pedir desculpas pessoalmente em nome da instituição e reconhecer o erro. Ambos também atenderam a imprensa no local. Por meio das redes sociais, o defensor publicou uma nota pedindo desculpas por suas falas de cunho machista.
"Gostaria de me desculpar pelo que falei hoje após o jogo. Estava de cabeça quente e muito frustrado pelo resultado da nossa equipe e acabei falando o que não deveria e poderia. Isso não justifica minha atitude e peço desculpas a todas mulheres e em especial a Daiane, o que já fiz pessoalmente no estádio. Reconheço o meu erro e a infelicidade da minha declaração. Estou muito triste e peço desculpas do fundo do meu coração. Espero sair desse episódio uma pessoa melhor. Prometo aprender com esse erro. Novamente, meu pedido de desculpas. Obrigado", disse.
Ainda no dia da partida, o clube do interior paulista também de manifestou em repúdio a atitude do defensor por meio das suas redes sociais: "O Red Bull Bragantino vem a público reforçar o pedido de desculpas a todas as mulheres e, principalmente, à árbitra Daiane Muniz. O clube não compactua e repudia a fala machista do zagueiro Gustavo Marques, dita após a partida.".
A própria Federação Paulista de Futebol (FPF) divulgou uma nota rejeitando a atitude de Gustavo. ""É com profunda indignação e revolta que a Federação Paulista de Futebol recebeu a entrevista do atleta Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, após a partida contra o São Paulo, neste sábado (21), pelo Paulistão Casas Bahia. Uma declaração em relação à árbitra Daiane Muniz que reflete uma visão primitiva, machista, preconceituosa e misógina, incompatível com os valores que regem a sociedade e o futebol. É absolutamente estarrecedor que um atleta, em qualquer circunstância, questione a capacidade de um árbitro com base em seu gênero. A FPF tem orgulho de contar em seu quadro com 36 árbitras e assistentes e continua trabalhando ativamente para que este número cresça. Daiane Muniz é uma árbitra FPF/CBF/FIFA da mais alta qualidade técnica, correta e de caráter. A FPF reforça todo apoio a Daiane e a todas as mulheres que atuam ou desejam atuar em qualquer área do futebol. Nosso trabalho diário é para garantir que o futebol seja um ambiente seguro e justo para todas as mulheres. Por fim, a FPF encaminhará tais declarações à Justiça Desportiva, para que esta tome todas as providências cabíveis."
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