Alejandro Mancuso jogou pelo Flamengo em 1996 e 1997Juan Mabromata / AFP
Publicado 07/10/2026 14:15
O ex-volante Alejandro Mancuso, que já vestiu as camisas do Flamengo e Palmeiras, foi acusado de oferecer diplomas de treinador a astros do futebol brasileiro. Ele dizia que poderia vender, em no máximo 10 dias, quatro licenças da ATFA, a escola de técnicos da Argentina, que eram enviadas pelo correio e permitem treinar qualquer time no mundo, conforme apuração da jornalista Joanna de Assis, do 'UOL'.
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Segundo a reportagem, Thiago Silva, Petkovic, Felipe Melo, Paolo Guerrero, Roberto Carlos, Luiz Gustavo, Diego Lugano, Alex de Souza e Paulinho, entre outros, são citados como clientes de Mancuso. A proposta permitia que fosse possível tirar as licenças A PRO (internacional), a A (profissional) e os certificados B e C (base).
O ex-jogador se dizia "diretor internacional da ATFA", afirmando que o "presidente" e o "jurídico" da entidade estavam ao lado dele para "facilitar a vida" de ex-atletas. Na avaliação de Mancuso, o curso, que tem uma duração média de três anos, é uma "burocracia desnecessária" para pessoas que jogaram futebol "a vida toda".
Dentre os ídolos que compraram as licenças, Felipe Melo explicou que conseguiu recuperar o dinheiro. "Eu imaginei que as licenças poderiam ser falsas quando eu comecei a cobrar pela aula presencial e o Mancuso nunca marcava. Pensei: 'Isso aqui tá errado'. A primeira coisa que eu faço é tirar das minhas redes sociais, porque eu estava exibindo que eu era um associado da ATFA, né? E aí peço o meu dinheiro de volta. Diferente de muitos, eu consegui essa façanha aí."
Dejan Petkovic também negociou com Mancuso e, assim como o Felipe Melo, foi alvo de investigação da polícia argentina em junho de 2025. "Tratei com o Mancuso e tenho a licença argentina. Está suspensa porque eu não consegui cumprir o presencial. Como não vou trabalhar [como técnico], nem fui completar", explicou Pet.
Já Roberto Carlos, Lugano, Alex de Souza e Paulinho afirmaram que chegaram a fazer os cursos on-line, mas não chegaram a completar as aulas. Thiago Silva detalhou que as aulas não foram ministradas como prometido e tentou, sem sucesso, realizar verificação na AFTA, mas mesmo assim, recebeu os certificados no fim de 2023, sem nunca ter utilizado.
Os diplomas enviados aos atletas apresentaram inconsistências. Algumas delas eram não eram documentos originais, e sim cópias autenticadas, o que, segundo especialistas, não valida a autenticidade dos certificados e nem das assinaturas. A escola de treinadores não envia cópias autenticadas como documentos oficiais.
Em comunicado, a AFTA afirmou que toda a documentação enviada por Mancuso é falsa. "A ATFA não reconhece qualquer gestão que o Sr. Mancuso tenha realizado ou alegado fazer em nome da entidade. O referido senhor não integra a Diretoria, não ocupa cargo de autoridade na ATFA, não mantém qualquer vínculo contratual com a instituição e não possui autorização para agir em seu nome ou representá-la. Consequentemente, qualquer oferta, cobrança ou envio de documentação que ele possa ter realizado invocando a ATFA é algo totalmente alheio a esta instituição", diz a nota.
A escola de treinadores ainda afirmou que o caso já foi investigado e resolvido pela Justiça Federal argentina.
Mancuso, que jogou pelo Flamengo em 1996 e 1997, negou que tenha vendido licenças de treinador. " Muitos brasileiros me ligam. Por quê? Porque eu sou um cara muito conhecido no Brasil, sabe? E eles me perguntam como é que a gente faz, como é que dá um jeito. Eu passo o contato da federação para que eles liguem direto. Eu não estou na federação, eu não sou parte da federação", disse.
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