Publicado 04/06/2026 08:00 | Atualizado 04/06/2026 08:05
Brasil disputa uma Copa do Mundo nos Estados Unidos e com 24 anos sem conquistar o torneio. É impossível não relacionar a edição de 2026 que começa em uma semana com aquela histórica de 1994, quando jogadores do nível de Romário, Bebeto, Jorginho e Taffarel conviveram com uma pressão enorme pelo tetra diante do mesmo jejum.
PublicidadeSituação parecida vivem os comandados de Carlo Ancelotti, que não sofrem tanto com ataques da torcida, mas veem uma desconfiança ainda maior.
"Acho que a seleção de 94 foi a que saiu mais desacreditada do Brasil até então. A pressão era gigantesca, pouca gente levava fé. Mas nós acreditávamos. Pelo menos para mim, e acho que pra maioria também, aquilo serviu de combustível e de motivação”, relembra Romário.
Uma diferença marcante entre essas duas seleções brasileiras está justamente no principal nome de cada elenco. Romário vivia seu auge em 1994 e foi tratado como a grande esperança de um time burocrático, forte defensivamente e criticado por não apresentar grande futebol. E o Baixinho chamou a responsabilidade à época, prometeu aos brasileiros a conquista e não só cumpriu como foi o cara do tetra ao lado de Bebeto.
Já em 2026, o principal nome do elenco nem sequer sabe se estará em campo. Neymar dividiu o país e em seu pior momento na carreira e é uma grande incógnita por causa da lesão na panturrilha direita. Mas também é uma das esperanças para muitos.
A outra é Vini Jr, que pela primeira vez pode ter a responsabilidade de ser a referência do país na busca pelo hexa e, enfim, desabrochar com a amarelinha.
"Não tem de driblar a pressão, pelo contrário , tem de usá-la a seu favor. A pressão faz parte. Em 94, eu cumpri o prometido e fomos tetra. Agora, o Neymar sabe a responsabilidade que tem, como maior craque, de liderar tecnicamente o time e trazer o hexa", aposta o Baixinho.
Outras dicas dos tetracampeões da Seleção
Mas para quem fez parte daquela campanha nos Estados Unidos há 32 anos, um outro fator além da qualidade de um craque fez a grande diferença. A força do grupo em meio às fortes críticas e desconfiança foi apontada por mais de um jogador daquele time como a responsável pela conquista.
"A união, aquele grupo era muito unido. Uma seleção muito forte e com a gente sempre pensando em entrar para a história. Acho que foi isso. Todo mundo pensando no mesmo objetivo e foco. É isso que hoje tem que fazer, se fechar mesmo. São 40 dias que tem que estar um ajudando o outro, porque depois vem a recompensa, que é ser campeão do mundo e cravar seu nome na história", conta Bebeto.
Um símbolo dessa união de 1994 é a cena em todos os jogos daquela Copa, do time entrando em campo de mãos dadas. Isso começou em agosto de 1993, na goleada por 6 a 0 sobre o Paraguai, pelas Eliminatórias, e marcou o início de uma nova fase até a conquista histórica.
"Essa é uma grande oportunidade pra mudar a história, é o que a gente focou ali. A gente deixou de lado toda a vaidade, focamos no trabalho, amizade entre nós", explica Jorginho.
"Tínhamos sete jogos, e fizemos sete reuniões para resolver problemas, se tinha alguma coisa errada. Era cartas na mesa e ponto. 'Vamos arregaçar as mangas, vamos trabalhar, vamos jogar muito'. É isso que a gente acreditou. E em mudar a história. Eles têm todas as condições de mudar também depois de 24 anos, e escrever o nome deles no futebol mundial".
Zinho também ressaltou que a união do grupo foi um fator essencial na conquista do título e aconselhou à equipe de Ancelotti a focar no momento.
"Eles precisam estar muito fechados e unidos. Nós não temos a melhor seleção, não temos o melhor time. Nesse momento, nós contamos com ótimos jogadores que, se estiverem unidos, fechados e comprometidos com o sistema tático do Ancelotti, podemos ter chance. É nisso que eles têm que focar. Não é no passado, é no presente".
Ancelotti se inspira em campeões de 1994
O próprio Carlo Ancelotti já utilizou em vários momentos a seleção brasileira de 1994 como referência. Especialmente a solidez defensiva que fez a diferença ao dar liberdade para os atacantes resolverem.
"Eu me lembro do Mundial de 1994, quando a equipe era muito sólida, com os dois volantes, com a equipe muito fechada atrás, com duas linhas muito juntas, e depois com o Romário e Bebeto na frente para fazer gols. Eu acho que é um aspecto muito, muito importante também para a próxima Copa do Mundo", afirmou o italiano em novembro de 2025.
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