Maradona fez dois gols contra a Inglaterra na Copa de 1986AFP
Publicado 15/07/2026 07:00
Argentina e Inglaterra vão se enfrentar nesta quarta-feira (14), às 16h, no estádio de Atlanta, valendo uma vaga na final da Copa do Mundo. O confronto entre as seleções representa uma rivalidade que atravessa as quatro linhas do gramado e carrega um peso nas relações entre os países, que travaram uma sangrenta batalha em 1982: a Guerra das Malvinas, pelo controle das Ilhas Malvinas, também chamadas de Falkland, a cerca de 600 km da costa da América do Sul.

O local já era palco de disputas entre os países desde o século 19. A Argentina reivindicou o território após conquistar, em 1810, a independência da Espanha, dona do arquipélago por décadas, enquanto a Grã-Bretanha argumentava que já tinha um assentamento no local desde 1765, o Port Egmont, tomado pelos espanhóis anos depois. Os argentinos assumiram o controle da região em 1820 e permaneceram no local até 1833, quando tropas inglesas invadiram as ilhas e as reconquistaram.

Então, após mais de um século, em abril de 1982, o ditador argentino Leopoldo Galtieri lançou a Operação Rosário, com o objetivo de recuperar o domínio do local através de uma incursão militar. A ação deu início a uma guerra que durou dois meses e acabou vencida pelos ingleses. No total, 649 soldados argentinos e 255 britânicos morreram, além de três moradores. O embate deixou cicatrizes profundas nas relações entre os países.
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O confronto dentro de campo

Apenas quatro anos depois do conflito, quando as memórias da guerra ainda estavam frescas para argentinos e ingleses, as seleções de futebol se cruzaram na Copa do Mundo 1986, nas quartas de final. O confronto, que já seria de peso por colocar frente a frente duas campeãs mundiais, ganhou um peso ainda maior, devido ao sangue derramado na guerra das Malvinas. Segundo Diego Maradona, não tinha como os jogadores argentinos esquecerem das mortes no conflito ao entrarem em campo.

"Embora nós disséssemos, antes da partida, que o futebol não tinha nada a ver com as Malvinas, sabíamos que muitos jovens argentinos tinham morrido lá, que haviam sido mortos como passarinhos. E aquilo era uma revanche, era recuperar algo das Malvinas. Todos dizíamos, nas entrevistas antes do jogo, que não se devia misturar as coisas, mas isso era mentira. Não pensávamos em outra coisa. Era mais do que eliminar os ingleses da Copa do Mundo", disse.

A bola rolou na tarde de 22 de junho de 1986, no lendário estádio Azteca. A partida, que ganhava contornos de tensão, estava empatado até os seis minutos do segundo tempo, quando Maradona abriu o placar ao aproveitar rebatida errada da defesa inglesa e tocar com a mão na saída do goleiro Shilton, em movimento que ficou conhecido como "La Mano de Dios" (A Mão de Deus, em espanhol). Depois, o próprio camisa 10 da Argentina fez o segundo após pegar a bola no meio-campo e enfileirar a defesa inglesa, marcando o que seria eleito como o "Gol do Século" em votação popular.
Até hoje, esta é amplamente considerada uma das maiores partidas da história por especialistas e o público, devido a todo o contexto de conflito recente entre os países. Agora, anos depois, Argentina e Inglaterra vão se enfrentar mais uma vez em Mundiais. A bola rola nesta quarta-feira (15), às 16h.
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