Filipe Luís, durante jogo contra o Madureira neste domingo (22)Adriano Fontes / Flamengo
Publicado 22/02/2026 23:40 | Atualizado 22/02/2026 23:42
Rio — O técnico do Flamengo, Filipe Luís, se manifestou sobre o seu comentário em relação ao caso de racismo sofrido por Vinicius Júnior em um jogo da Liga dos Campeões. Em entrevista coletiva neste domingo (22), após o duelo contra o Madureira, o treinador pediu a palavra e disse que suas palavras foram "amplamente mal interpretadas".

"Em nenhum momento, a minha intenção foi minimizar o caso de racismo, ou o ato racista, nem de desrespeitar a vítima, nesse caso. Muito pelo contrário. Eu, o Flamengo, estamos com o Vinicius. Tenho um carinho e admiração gigantes por ele, e não tenho nenhuma dúvida do que estou falando", disse.

Na última quinta-feira (19), ele afirmou que "um caso isolado como esse não influencia em nada do que penso sobre este país, que é tão lindo", ao ser questionado por um repórter sobre como o Flamengo é tratado visitando o país e a opinião dele sobre os ataques do jogador argentino Gianluca Prestianni contra o camisa 7 do Real Madrid.
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O treinador também esclareceu o termo "caso isolado". "A pergunta [do repórter] foi: 'Como o Flamengo foi tratado nas visitas à Argentina?'. E eu quis dizer 'caso isolado' daquele caso isolado dentro de campo, que foi aquele caso que aconteceu naquele jogo. Existem mais casos? Existem muitos mais, na Argentina, Paraguai, Espanha, Inglaterra, no Brasil", disse.

"Existem muitos casos de racismo no Brasil e eu amo meu país. Existem muitos casos de racismo, homofobia, machismo, corrupção e todos esses problemas, e não quer dizer que eu não tenha que amar meu país, e que eu não possa gostar da Argentina. Eu gosto, amo o Brasil e que fique bem claro que eu quis me expressar de um caso específico", afirmou.
"Eu repudio o racismo. Eu condeno o ato racista. Racismo é crime. Como falei para um meio de comunicação no dia do jogo, não cabe a mim julgar, mas se o menino fez isso, que ele pague, com força. Eu chegar aqui e falar é fácil. Fazer camiseta com 'não ao racismo' é fácil. Difícil é unir. Se ele fez, que ele pague. Que fique bem claro", concluiu.

'Responsabilidade é do treinador'

Filipe também assumiu a culpa pelo momento ruim do time. "Quando você vê o Flamengo não performando com o elenco que tem, é responsabilidade do treinador. Seja Filipe, seja outro, a responsabilidade é do treinador de fazer esse time jogar. Não tenha nenhuma dúvida, não tem ninguém mais que eu quebrando a cabeça para fazer esse time voltar a jogar, performar naquele nível que estava no auge do ano passado", disse.
"Eu sei o caminho, sei o que fazer, mas tudo é um processo. Eu vejo muito mais hoje uma parte mental, de confiança, ansiedade, de jogadores acelerados, arriscando um pouco menos para não errar, e isso faz com que o time não tenha a bola. Todas as peças vão caindo e faz com que o time piore a performance. Isso acontece durante esse processo de perda de confiança porque a cobrança é muito grande para um grupo que está acostumado a ganhar e não estava acostumado a ter esses momentos de 'crise'. Mas é minha responsabilidade fazer com que eles voltem a performar", concluiu.
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