O pagamento representa 83 dólares para cada dia das mais de quatro décadas que Iwao Hakamada passou na prisãoJiji Press/AFP
Um japonês condenado injustamente por assassinato, que foi o sentenciado à pena capital que passou mais tempo no corredor da morte, recebeu uma indenização de 1,4 milhão de dólares (8 milhões de reais), informou nesta terça-feira (25) um porta-voz do Judiciário. Ele passou quase 50 anos no corredor da morte, já que em 2014 foi solto a espera de um novo julgamento, devido à sua idade e ao seu frágil estado mental.
O pagamento representa 12.500 ienes (83 dólares) para cada dia das mais de quatro décadas que Iwao Hakamada passou na prisão, a maior parte do tempo no corredor da morte.
Ele foi injustamente condenado à morte em 1968 pelo assassínio de uma família, marcando o fim de uma maratona de processos judiciais que levou o sistema de justiça penal japonês a ser alvo de escrutínio a nível mundial e alimentou os apelos à abolição da pena de morte no país.
Depois de um teste de ADN ao sangue encontrado nas calças não ter revelado qualquer correspondência com Hakamata ou com as vítimas, o Tribunal Distrital de Shizuoka ordenou um novo julgamento em 2014. Devido à sua idade e ao seu frágil estado mental, Hakamata foi libertado enquanto aguardava o seu dia no tribunal.
O tribunal distrital de Shizuoka informou que "serão concedidos ao demandante 217.362.500 ienes", disse um porta-voz da corte à AFP.
O mesmo tribunal determinou, em um novo julgamento em setembro, que Hakamada não era culpado e que a polícia havia manipulado as evidências.
Hakamada sofreu "interrogatórios desumanos para forçar uma declaração (confissão)", que depois retirou, segundo a decisão do tribunal.
O valor final é um recorde mundial para uma indenização do tipo, informou a imprensa japonesa. Mas os defensores de Hakamada ressaltaram que o dinheiro não compensa a dor que ele sofreu.
A detenção de décadas, com a ameaça permanente de uma execução, afetou a saúde mental de Hakamada, afirmaram seus advogados, que disseram que ele "vive em um mundo de fantasia".
Hakamada foi o quinto prisioneiro no corredor da morte que teve permissão para um novo julgamento no Japão do pós-guerra. Os quatro casos anteriores também resultaram em exonerações.
* Com informações da AFP
