Ataques russos na Ucrânia deixam vários mortos e feridosAFP
Nas últimas semanas, as tropas russas intensificaram os ataques contra a Ucrânia, enquanto as negociações em Istambul, que buscam uma solução para o conflito que dura mais de três anos, permanecem estagnadas.
Os ataques atingiram principalmente as cidades de Kherson, no sul, e Kharkiv, no nordeste.
"Kharkiv sofreu o pior ataque desde o início da guerra total", anunciou o prefeito da cidade, Igor Terekhov, no Telegram. Ele informou um balanço de três mortos e 17 feridos.
Terekhov descreveu uma tempestade de mísseis, drones e bombas guiadas que atingiram a cidade simultaneamente, a segunda maior do país, com quase 1,4 milhão de habitantes, situada a menos de 50 km da fronteira russa.
Duas pessoas morreram em Kherson, um casal de cerca de 50 anos, segundo o chefe da administração regional, Oleksandr Prokudin.
"A Rússia prossegue com os ataques contra a população civil", denunciou o chanceler ucraniano, Andrii Sibiga, que fez um novo apelo à comunidade internacional para "aumentar a pressão sobre Moscou e acabar com os massacres e a destruição".
A Força Aérea ucraniana informou que a Rússia lançou 206 drones e nove mísseis contra o país.
Na semana passada, o presidente russo, Vladimir Putin, prometeu que Moscou responderia ao ataque ousado de drones ucranianos que destruiu vários aviões militares com capacidade nuclear.
As tropas russas, que ocupam quase 20% do território ucraniano, bombardeiam quase diariamente cidades ucranianas desde 2022 e intensificaram os ataques nas últimas semanas.
Em resposta, a Ucrânia também realiza ataques aéreos na Rússia quase todos os dias.
Além disso, os dois países concordaram com a devolução dos cadáveres de milhares de militares.
Moscou e Kiev participaram em duas rodadas de negociações em Istambul, promovidas pelo presidente americano Donald Trump, mas não conseguiram aproximar suas posições.
Durante a segunda reunião, que aconteceu no início da semana, a delegação russa apresentou várias exigências a Kiev, incluindo a retirada de suas forças de quatro regiões das quais Moscou reivindica a anexação e que a Ucrânia desista do processo de adesão à Otan.
Zelensky respondeu que as condições eram "ultimatos" inaceitáveis.
Em mais uma demonstração da intransigência de Moscou, no momento em que as exigências das partes parecem irreconciliáveis, o Kremlin classificou a invasão da Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, como "uma questão existencial".
"Para nós, trata-se de uma questão existencial, de nossos interesses nacionais, de nossa segurança, de nosso futuro e o de nossos filhos", declarou à imprensa o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
Desde o início da invasão, dezenas de milhares de pessoas morreram, amplas áreas do leste e sul da Ucrânia foram destruídas e milhões de pessoas foram obrigadas a fugir de suas casas.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.