Falta de profissionais e insumos limitam abertura de novos leitosFoto: reprodução internet
Por Beatriz Perez*
Publicado 31/03/2021 15:49 | Atualizado 31/03/2021 18:26
Rio - A rede privada de Saúde do Rio vêm observando um aumento de internações por covid-19 entre pessoas mais jovens. No Hospital Unimed-Rio, na Barra da Tijuca, Zona Oeste da capital, jovens e adultos representam 45% dos internados por covid-19 no mês de março: 8,6% estão concentrados entre os 20 e os 39 anos de idade. Entre os 40 e os 59 anos, o percentual registrado foi de 37,1%, enquanto os pacientes com mais de 60 anos responderam por 54,3% do total. A unidade está com ocupação de aproximadamente 90%.
Segundo a Unimed Federação Rio, a procura por internação nas Unimeds de todo o estado alcança, em média, 80% da capacidade para internações e leitos de UTI Covid-19, mas não registra fila de espera. A operadora ressalta que os números variam rapidamente por causa da alta rotatividade de pacientes com a necessidade de atendimento, óbitos e altas médicas. O DIA pediu a diversos hospitais particulares e planos de Saúde um levantamento sobre a situação enfrentada pela rede privada, mas apenas a Unimed colaborou.
Publicidade
A rede afirma que em decorrência do aumento da contaminação pelo novo coronavírus em todo o país, as redes hospitalares pública e privada sofrem um iminente colapso por causa da alta procura por internação e acomodação em UTI, severas dificuldades na contratação de pessoal e na compra de insumos e medicamentos, em especial sedativos e relaxantes musculares, que compõem o "kit intubação".
A faixa etária com maior índice de internação, segundo o plano de Saúde, segue entre 50 e 70 anos, porém,no último mês, houve um crescimento entre os pacientes com 20 a 40 anos.
Publicidade
A rede Unimed no estado do Rio de Janeiro conta com 19 Unimeds que atendem mais de 1,3 milhão de clientes em todas as regiões fluminenses. A Unimed oferece, no estado, 12 hospitais e seis unidades de Pronto Atendimento próprios com mais de mil leitos, além de 187 prestadores da rede credenciada.
Na segunda-feira, o diretor da Associação dos Hospitais do Estado do Rio (Aherj), Graccho Alvim, informou que a  ocupação em CTIs na rede privada chegou a 95% no Rio.
Publicidade
Questionados sobre a situação atual de ocupação de leitos, fila de espera e aumento na internação de pacientes mais jovens a Amil e a Bradesco Saúde disseram que se posicionariam pela Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde) e FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar).
Procurada, a Fena Saúde afirmou que não obtinha esses dados. "As 15 operadoras associadas à FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar), que representam 40% do mercado de saúde suplementar, estão trabalhando com foco total em salvar vidas. A Federação tem atuado em conjunto com outras organizações do setor de saúde para buscar soluções que garantam o enfrentamento ao atual quadro da pandemia", disse em nota. A federação diz que todos os recursos devem ser direcionados para o atendimento aos casos de Covid-19 e a urgências que impliquem risco para a vida dos pacientes.
Publicidade
A Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde) disse que, frente à gravidade da pandemia, apoia a iniciativa de suspensão imediata da realização de procedimentos eletivos adiáveis, nas regiões críticas do país, onde os insumos necessários para o correto atendimento estão escassos e a rede hospitalar sobrecarregada.A medida preza pela otimização do uso de leitos, de medicamentos, de anestésicos e até dos estoques de sangue, com propósito de priorizar quem realmente necessita neste momento tão crítico.

"Infelizmente, a abertura de leitos hospitalares e a contratação de profissionais de saúde não conseguem acompanhar o ritmo do contágio, e a falta de medicamentos tem demandado esforços tanto da iniciativa privada como de associações e do próprio governo para agilizar o abastecimento dos insumos utilizados para manter os pacientes anestesiados e intubados", acrescenta a associação.
A Casa de Saúde São José disse que preferia não abrir os números. "A Casa de Saúde São José informa que segue vigilante, monitorando diariamente a evolução da pandemia no país e buscando adequar os leitos de acordo com a demanda, de forma a receber os pacientes com toda segurança. O hospital informa que não há desabastecimento de suprimentos utilizados em pacientes internados com Covid-19 e que, atualmente, a média da faixa etária dos pacientes está entre 45 e 63 anos", diz em nota.
Publicidade
O Hospital São Lucas Copacabana informou que a taxa de ocupação dos leitos específicos para pacientes com Covid é variável e que não havia fila de espera. 
A Rede D'or e o Hospital São Vicente de Paulo não retornaram à reportagem.
Publicidade
*Colaboraram Karen Rodrigues e Jorge Costa 
 
Publicidade

Leia mais