Exclusivo Polícia Civil embargou 20 construções irregulares da milícia na Zona Oeste nos últimos meses
De acordo com levantamento que O DIA teve acesso, as ações já geraram um prejuízo de mais de R$ 50 milhões aos paramilitares
Desabamento de prédio em Rio das Pedras deixou pai e filha mortos sob os escombrosDaniel Castelo Branco
Por Thuany Dossares
Publicado 05/06/2021 12:35
Rio - O desabamento do prédio em Rio das Pedras, Zona Oeste do Rio, na última quinta-feira, voltou a chamar atenção das autoridades políticas e policiais sobre as construções irregulares. Embora o edifício que caiu, deixando duas pessoas mortas e quatro feridas, fosse familiar, muitas construções na região são promovidas por milicianos.
A Polícia Civil criou, após a tragédia, uma força-tarefa para identificar os empresários do ramo imobiliário clandestino, que lucram com a construção, venda e aluguel de imóveis irregulares da milícia, e tentar evitar novas vítimas de desabamentos. Agentes da 16ª DP (Barra da Tijuca), 32ª DP (Taquara), Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) integram o grupo de investigação.
O novo trabalho é um desdobramento da força-tarefa criada em outubro para combater a milícia. O DIA teve acesso a um levantamento da corporação que apontou que, em oito meses, os policiais conseguiram embargar 20 obras na Zona Oeste do Rio, gerando um prejuízo de cerca de R$ 50 milhões aos paramilitares.
Segundo o delegado Felipe Curi, diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), esses resultados foram alcançados graças a uma mudança de estratégia da corporação ao investigar construções irregulares.
"A DPMA faz um trabalho de inteligência, mapeamento e juntada de provas. Instaura inquérito policial, instrui a investigação com as provas colhidas com as atividades de campo e com as ações da Força-Tarefa de combate às milícias e, por fim, requer à Justiça que a construção irregular investigada seja interditada. Essa mudança de estratégia dá mais efetividade às ações de combate às construções irregulares por parte da milícia", explicou.
Investigações do desabamento
A Polícia Civil já descartou a participação de milicianos nas obras do prédio. O imóvel foi comprado e construído ao longo de anos, pelo pai e avô das vítimas fatais, Genivan Gomes Macedo.
Vindo do Ceará, no Nordeste, com dois irmãos, no final dos anos 1990 para o Rio de Janeiro tentar melhores oportunidades de emprego, segundo familiares, ele contou, em depoimento na Delegacia da Barra da Tijuca, que começou a construir a casa para sua família há 21 anos. Genivan Gomes Macedo prestou depoimento na 16ª DP (Barra da Tijuca)Divulgação
Até o momento, Macedo foi o único a prestar depoimento sobre o caso.
Assim como a polícia está investigando o caso, a Prefeitura do Rio afirma que também faz suas fiscalizações. No entanto, o município afirmou que o imóvel em questão, não constava no sistema.
"No caso do imóvel que desabou em Rio das Pedras, não consta no sistema da Prefeitura licença para o prédio em questão, que é ilegalizável, porque não respeita os parâmetros urbanísticos definidos pelo Código de Obras do Rio de Janeiro", afirmou em nota.
A Prefeitura informou ainda que, desde janeiro, a Secretaria Municipal de Conservação já demoliu 300 construções irregulares na cidade, e 180 só na Zona Oeste.
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Bombeiros trabalham para resgatar vítimas que estão presas nos escombrosDaniel Castelo Branco
Genivan Gomes Macedo prestou depoimento na 16ª DP (Barra da Tijuca)Divulgação
Prédio de quatro andares habitado por pessoas da mesma família desabou na madrugada desta quinta-feira (3) em Rio das Pedras, na rua Uva, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Estiveram presentes no local o Governador Cláudio Castro e o Prefeito Eduardo Paes. Daniel Castelo Branco
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