Papa Francisco foi cercado por fiéis durante Jornada Mundial da Juventude, em 2013, no RioEstefan Radovicz/Arquivo O Dia
Relembre como foi a visita de Francisco ao Rio, em 2013, na Jornada Mundial da Juventude
Mais de 3,5 milhões de fiéis se reuniram para ouvir a vigília celebrada pelo Papa
Rio - Em julho de 2013, há quase 12 anos, Francisco dava início à primeira viagem como papa. No Rio de Janeiro, cidade escolhida para sediar a 28ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ), o pontífice reuniu mais de 3,5 milhões de fiéis na Praia de Copacabana. Nesta segunda-feira (21), o líder morreu aos 88 anos.
Entre problemas com segurança, chuva, frio e mudanças de planos, a visita do papa ao Brasil se transformou em uma verdadeira quebra de protocolos. O pontífice chegou ao Rio de Janeiro em 22 de julho de 2013 e foi recebido pela então presidente Dilma Rousseff, o então governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes, que estava em seu segundo mandato na época.
Falha na segurança causa tumulto
Assim que chegou à Cidade Maravilhosa, ainda no percurso do Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, na Ilha do Governador, Zona Norte, até a Catedral Metropolitana de São Sebastião, no Centro, o carro de Francisco foi totalmente cercado por fiéis, que lutaram para conseguir uma benção.
Seguranças até tentaram conter o tumulto na Avenida Presidente Vargas, após falhas no isolamento, mas, no banco de trás e com a janela aberta na maior parte do caminho, o pontífice acenou e cumprimentou a todos que se aproximavam. Ele, que também beijou uma criança, chegou a ficar preso no trânsito. Cerca de 200 mil fiéis acompanharam o cortejo.
Depois de discursar no Palácio Guanabara, Francisco percorreu as ruas do Centro no papamóvel, usado pela primeira vez em 300 anos fora do Vaticano. O pontífice escolheu não usar o carro blindado, mas um menor, com escolta mínima, para ficar mais próximo dos fiéis.
Papa visita favela e hospital
Com o dia 23 de julho separado para descanso, em 24 de julho viajou brevemente para Aparecida, em São Paulo, para uma missa. De volta ao Rio no mesmo dia, no dia seguinte ele visitou a favela da Varginha, em Manguinhos, na Zona Norte, onde se encontrou com fiéis e crianças, que o presentearam com uma faixa de seu time do coração, o San Lorenzo.
Depois, ele esteve no Hospital São Francisco de Assis na Providência de Deus, na Tijuca, Zona Norte. Na unidade de saúde, ele inaugurou uma ala para dependentes químicos. No local, Francisco se posicionou contra a legalização das drogas.
Jovens se reúnem na Praia de Copacabana
À noite, Francisco participou do evento que dava início oficialmente à Jornada Mundial da Juventude, encontro de jovens organizado pela Igreja Católica. A festa, que estava programada para acontecer no "Campo da Fé", em Guaratiba, na Zona Oeste, precisou ser transferida às pressas para Copacabana, Zona Sul, devido ao lamaçal que se formou no local por causa da chuva forte que caia na cidade.
No dia seguinte, em 26 de julho, ouviu confissões na Quinta da Boa Vista pela manhã. À noite, se encontrou com os jovens na Praia de Copacabana para a tradicional Via Sacra. A encenação reuniu cerca de 1,5 milhão de pessoas.
Em 27 de julho, sábado, aconteceu o ponto alto da visita de Francisco ao Brasil. Nas areias da Princesinha do Mar, cerca de 3,7 milhões de fiéis se reuniram para a vigília celebrada pelo papa. Debaixo de chuva, o frio não impediu os jovens de irem atrás de suas bênçãos. No domingo (28), o pontífice incentivou os jovens a serem protagonistas da mudança e se despediu do Brasil. No mesmo dia, ele retornou a Roma.
Visita acontece em momento tenso
Em 2013, o Brasil passava por um momento tenso politicamente. A visita de Francisco ao Rio aconteceu pouco depois da série de manifestações, em junho, que tomaram todo o país. Durante a permanência do papa na Cidade Maravilhosa, diversos protestos foram feitos.
Em meio aos fiéis, ativistas protestavam contra os gastos da JMJ. Em uma das manifestações, que terminou em confronto, oito pessoas chegaram a ficar feridas. Outro grupo, de feministas, aproveitou a visita de Francisco para promover um ato a favor da liberdade sexual das mulheres. Além destes, protestos contra o governo da época seguiram com força.













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