A exposição ’Pandeiros do Brasil: História, Tradição e Inovação’ é permanenteReprodução / Instagram

Rio - Uma exposição permanente e gratuita sobre a trajetória do pandeiro no Brasil foi inaugurada no Centro do Rio no último sábado (10). A exibição "Pandeiros do Brasil: História, Tradição e Inovação", na Casa do Pandeiro, espaço cultural localizado na Travessa do Ouvidor, 36, busca resgatar a força do instrumento no país.

A pandeirista e criadora do estabelecimento, Clarice Magalhães, em entrevista ao DIA, disse que a galeria conta com curiosidades sobre o pandeiro, como a sua relação com a capoeira e as perseguições que ambos sofreram na história. "Eu organizei a exposição junto com Eduardo Vidili, um pandeirista com viés acadêmico forte que fez mestrado e doutorado em relação ao pandeiro. Ficamos bastante tempo decidindo o que teria em cada parede", disse.

Segundo Clarice, o instrumento como um fator associado à ancestralidade feminina é um dos tópicos de destaque da mostra. "Vemos, nos museus, esculturas de mulheres com pandeiros na mão. A primeira imagem de um pandeiro que se tem registro no Brasil é de 1640, em que um holandês desenhou e foi um pandeiro com uma mulher escravizada. Era um casal, em que a mulher estava com um pandeiro na mão e o homem estava com uma cabaça", explicou. Uma réplica desta ilustração é um dos itens da apresentação.

A exposição é gratuita e aberta de segunda a sexta, das 10h às 17h, e aos sábados, das 10h às 14h, com horário sujeito a alterações de acordo com a programação da casa, informada ao público através da conta do espaço no Instagram.

Espaço para pandeiristas

A Casa do Pandeiro foi fundada no último mês de setembro, mas desde então, conta com atividades culturais. Clarice contou que teve a ideia de organizar um local dedicado ao instrumento, onde os pandeiristas pudessem se encontrar, organizar aulas.
"Foi, principalmente, sabendo que os pandeiristas se reconhecem como uma comunidade. Inclusive, tem um grupo no WhatsApp com um monte de pandeiristas que eu conheço, e que a gente considera. Quando eu tive essa ideia, compartilhei com eles nesse grupo e muitos comentaram, acharam a ideia legal. Um dos pandeiristas, o Tom Andrade, que eu nem conhecia, acabou compartilhando o link da prefeitura de um edital que abria a projetos para se cadastrarem, para criarem espaços culturais e revitalizar o Centro do Rio", disse.
"Sou principalmente pandeirista, professora de pandeiro, percussionista, cantora. Nunca fui produtora. Já tive empreendimentos, mas tem que ter aquela veia para levar isso em frente. Era uma coisa simples de se inscrever, a prefeitura aprovou e eu consegui fechar um contrato com todos os requisitos que esse programa, chamado 'Reviver Cultural', precisava. Tudo foi se encaminhando de uma forma que estava dando certo", completou.
A Casa do Pandeiro possui um cronograma de aulas semanais com professores diferentes, além de oficinas. Neste sábado (17), das 14h às 16h, Negadeza, uma das maiores referências do instrumento no país, realizará um workshop no local sobre os ritmos tradicionais de Pernambuco, estado onde nasceu, e os batuques da cultura popular nordestina. As entradas custam a partir de R$ 70.
O percussionista e compositor Lucas Ferraz também realizará atividades no espaço, aos sábados dos meses de maio e junho, com valores colaborativos.
Há, no espaço, rodas de samba e choro, além de uma loja com acessórios musicais. "Convidamos a todos para vir conhecer a Casa do Pandeiro para se apaixonar por esse instrumento, assim como eu me apaixonei", concluiu Clarice.