Ronnie Lessa e Cristiano Girão já estavam presos e acompanharam júri por videoconferênciaBruno Dantas/TJRJ
Lessa e Girão são condenados a pena máxima por mortes de ex-PM e mulher
Ex-policial e ex-vereador foram sentenciados a 90 e 45 anos anos de prisão, respectivamente, por homicídio doloso duplamente qualificado
Rio - O ex-policial militar Ronnie Lessa e o ex-vereador Cristiano Girão foram condenados à pena máxima pelo homicídio doloso duplamente qualificado do ex-PM André Henrique da Silva Souza, o Zóio, e da mulher dele, Juliana Sales de Oliveira, em 2014. O julgamento teve início na tarde de quarta-feira (21) e terminou por volta das 8h desta quinta-feira (22), após a leitura da sentença.
Lessa e Girão eram apontados como executor e mandante dos assassinatos, respectivamente. O crime aconteceu na Gardênia Azul, na Zona Oeste, em 14 de junho de 2014, quando o casal, que estava em um carro, foi emboscado e atingido por mais de 30 disparos de fuzil vindos de outro veículo. As mortes ocorreram em uma área onde o ex-vereador era apontado por comandar uma milícia. O ex-PM foi contratado para matar Zóio, que era rival do ex-parlamentar, com que disputava o controle de território.
Na sentença, a juíza Tula Correa de Mello, que presidiu a sessão, condenou Ronnie Lessa a 90 anos e Cristiano Girão a 45 anos de prisão em regime fechado, sem poderem recorrer. Os réus participaram do julgamento por videoconferência, por já estarem presos. O ex-PM cumpre pena na Penitenciária de Tremembé, em São Paulo, pelas mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Já o ex-parlamentar está em uma unidade do Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste.
As defesas dos acusados disseram que vão recorrer da decisão. "A defesa manifesta inconformismo com a decisão prolatada hoje pelo corpo de jurados e a defesa irá recorrer", afirmou o advogado Saulo Carvalho, que defende Lessa.
Já o advogado Zoser Hardman, da defesa de Girão, descreveu a condenação como absurda. "A condenação é totalmente absurda. Os jurados julgaram o processo pela capa e não pelo conteúdo. Julgaram o passado do acusado e ignoraram completamente a prova. Já recorremos da sentença e temos certeza que esse julgamento será anulado pelo Tribunal de Justiça".
Primeiro dia teve depoimentos de delegados
O julgamento de Lessa e Girão teve início na tarde de ontem e se estendeu ao longo da noite, sendo retomado na manhã de hoje. Entre as testemunhas ouvidas estão os delegados da Polícia Civil, Moyses Santana Gomes e Daniel Freitas da Rosa, bem como o delegado da Polícia Federal Guilhermo de Paula Machado Catramby e o policial federal Marcelo de Almeida Pasqualeti.
Depois das oitivas, o júri entrou na fase dos interrogatórios dos réus e seguiu para os debates entre o Ministério Público do Rio (MPRJ) e as defesas dos acusados. Em seguida, os sete jurados do Conselho de Sentença do III Tribunal do Júri se reuniram na sala secreta e decidiram que os réus eram culpados.



Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.