Montagem com capas marcantes de O DIA, fundado em 5 de junho de 1951Arquivo / Agência O Dia
Desde a sua primeira edição, publicada em 5 de junho de 1951, O DIA não se limitou a noticiar: o jornal foi testemunha viva da história e agente de memória. A estreia já indicava o compromisso O Dia com o noticiário popular, atento às ruas e ao povo. Com uma linguagem acessível, a publicação atravessou 74 anos como um dos principais diários do país.
Outra primeira página histórica foi após o massacre ocorrido na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, em 2011. A capa “Rio em Pedaços” traduziu a dor da tragédia que vitimou 12 crianças e comoveu o Brasil. A cobertura foi marcada por sensibilidade e busca por justiça, reforçando o papel do jornalismo como instrumento de transformação social.
"Eu chefiava a reportagem e montei a operação. Mandamos equipe para o colégio, para o hospital, e fizemos o encontro do policial com uma criança sobrevivente. Era uma cena de guerra. Crianças e famílias devastadas. Jornalismo é ver a história acontecer e colocar ela nas páginas do jornal", lembra ele.
Luarlindo, que ingressou no jornal em 1979 e logo se destacou como um dos nomes mais atuantes da cobertura policial, lembra com emoção da primeira capa, publicada na fundação do jornal, em 1951: um editorial crítico e direto, que denunciava a alta carga tributária com a frase "Roncando de olhos abertos". Mais de sete décadas depois, ele acredita que o conteúdo daquela capa inaugural ainda ecoa com força. "A primeira capa do jornal poderia ser usada hoje, pois toca no mesmo problema. O editorial dizia: 'Nascemos do apoio popular e só a ele devemos conta dos nossos atos'. Livres de quaisquer compromissos com entidades ou grupos, estaremos onde estiver o interesse coletivo'. Isso é atemporal", reflete o veterano.
Outras tragédias também marcaram a história do jornal. Em 1966, o incêndio do Gran Circus Norte-Americano, em Niterói, estampou uma capa carregada de tristeza: mais de 500 mortos, em uma das maiores tragédias do país. Em 2011, outro momento difícil para a população do estado do Rio, quando as chuvas na Região Serrana mataram mais de 900 pessoas. Já em 2019, o incêndio no CT do Flamengo tirou a vida de dez jovens atletas e comoveu o Rio, gerando outra capa histórica.
No campo esportivo, o jornal atravessou 19 Copas do Mundo, desde 1950 até 2022. Manchetes como “Maracanaço Silencia o Brasil” (1950), “Fim do Sonho na Espanha” (1982), o inesquecível “7x1: A Alemanha Humilha o Brasil” (2014) e “Ouro Olímpico em Casa” (2016) eternizaram as emoções de milhões de torcedores.
O Rio de Janeiro também sempre foi personagem central destas páginas. O DIA acompanhou a perda do status de capital federal em 1960, a conferência mundial Eco-92, o anúncio da vitória do Rio como sede olímpica, em 2007, e os Jogos Olímpicos de 2016, com a cerimônia de abertura no Maracanã. Cada evento foi documentado com imagens impactantes e manchetes inesquecíveis.
A tecnologia também não passou despercebida. O homem pisando na Lua, em 1969, a chegada da internet ao Brasil, nos anos 1990, o lançamento do iPhone, em 2007, e a transformação no modo de vida durante a pandemia, com o home office e o ensino remoto, também ganharam destaque.
São capas que hoje formam um verdadeiro acervo de memória, documentando não apenas os grandes fatos, mas também os sentimentos de uma cidade e de um país. Do luto à festa, da dor à superação, da revolta à esperança — O DIA foi, e continua sendo, espelho de uma sociedade em movimento.
Comemorando 74 anos de história, o jornal reafirma seu compromisso com o presente e lança o olhar para o futuro, sem jamais esquecer de onde veio. Porque cada capa é um pedaço da nossa história. E contar essa história continua sendo o nosso maior compromisso.
No último dia 29, o Jornal O DIA recebeu o título de Benemérito do Estado do Rio de Janeiro, concedido pela Assembleia Legislativa (Alerj). A homenagem reconhece a relevância histórica e social do veículo, que há mais de sete décadas acompanha os principais acontecimentos do Brasil e do mundo, dando voz ao povo fluminense e contribuindo para a preservação da memória coletiva. Com uma trajetória marcada pelo jornalismo popular, o título reafirma o papel de O DIA como referência na imprensa do estado.















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