Montagem com capas marcantes de O DIA, fundado em 5 de junho de 1951Arquivo / Agência O Dia

Rio - Ao longo de mais de sete décadas, o Jornal O DIA acompanhou o pulsar da história brasileira e mundial com capas que ficaram gravadas na memória coletiva. Cada manchete estampada em sua primeira página não apenas relatou os fatos do momento, mas ajudou a construir a identidade de uma época, dando rosto e voz aos grandes marcos políticos, culturais, esportivos e sociais que moldaram o país — e em especial, o Rio de Janeiro.

Desde a sua primeira edição, publicada em 5 de junho de 1951, O DIA não se limitou a noticiar: o jornal foi testemunha viva da história e agente de memória. A estreia já indicava o compromisso O Dia com o noticiário popular, atento às ruas e ao povo. Com uma linguagem acessível, a publicação atravessou 74 anos como um dos principais diários do país.
Uma das capas mais impactantes foi a que noticiou o suicídio do presidente Getúlio Vargas, em 1954. A manchete “Brasil Chora Getúlio” sintetizou o sentimento de uma nação em luto, chocada com a súbita partida do líder que marcou a política nacional. Essa mesma comoção coletiva se repetiria em outras ocasiões, como na morte de Michael Jackson, em 2009, quando o “Rei do pop” mobilizou multidões ao redor do mundo.


Outra primeira página histórica foi após o massacre ocorrido na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, em 2011. A capa “Rio em Pedaços” traduziu a dor da tragédia que vitimou 12 crianças e comoveu o Brasil. A cobertura foi marcada por sensibilidade e busca por justiça, reforçando o papel do jornalismo como instrumento de transformação social.
Prestes a completar 82 anos, Luarlindo Ernesto carrega nas costas uma história que se confunde com a do próprio jornalismo fluminense. Com mais de quatro décadas dedicadas à redação do Jornal O DIA, ele acompanhou muitos desses episódios que marcaram o Rio e o Brasil.
Entre as inúmeras coberturas marcantes de sua trajetória, Luarlindo cita com pesar a tragédia na Escola Tasso da Silveira, em abril de 2011, quando um ex-aluno armado invadiu a escola e assassinou 12 crianças. Luarlindo estava de plantão quando recebeu os primeiros informes.

"Eu chefiava a reportagem e montei a operação. Mandamos equipe para o colégio, para o hospital, e fizemos o encontro do policial com uma criança sobrevivente. Era uma cena de guerra. Crianças e famílias devastadas. Jornalismo é ver a história acontecer e colocar ela nas páginas do jornal", lembra ele.

Luarlindo, que ingressou no jornal em 1979 e logo se destacou como um dos nomes mais atuantes da cobertura policial, lembra com emoção da primeira capa, publicada na fundação do jornal, em 1951: um editorial crítico e direto, que denunciava a alta carga tributária com a frase "Roncando de olhos abertos". Mais de sete décadas depois, ele acredita que o conteúdo daquela capa inaugural ainda ecoa com força. "A primeira capa do jornal poderia ser usada hoje, pois toca no mesmo problema. O editorial dizia: 'Nascemos do apoio popular e só a ele devemos conta dos nossos atos'. Livres de quaisquer compromissos com entidades ou grupos, estaremos onde estiver o interesse coletivo'. Isso é atemporal", reflete o veterano.

Outras tragédias também marcaram a história do jornal. Em 1966, o incêndio do Gran Circus Norte-Americano, em Niterói, estampou uma capa carregada de tristeza: mais de 500 mortos, em uma das maiores tragédias do país. Em 2011, outro momento difícil para a população do estado do Rio, quando as chuvas na Região Serrana mataram mais de 900 pessoas. Já em 2019, o incêndio no CT do Flamengo tirou a vida de dez jovens atletas e comoveu o Rio, gerando outra capa histórica. 
Entre os momentos políticos que ficaram registrados nas capas de O DIA, pode-se listar o golpe militar de 1964 com a manchete “Militares Assumem o Poder”; a aprovação da Lei da Anistia em 1979; a campanha das Diretas Já, em 1985; a promulgação da Constituição de 1988; e as eleições diretas que devolveram o poder ao voto popular, em 1989, com a vitória de Fernando Collor. Mais recentemente, capas como “Dilma Fora do Planalto” (2016), “Bolsonaro Eleito Presidente” (2018) e “Lula Volta ao Planalto” (2022) também marcaram a democracia brasileira.

No campo esportivo, o jornal atravessou 19 Copas do Mundo, desde 1950 até 2022. Manchetes como “Maracanaço Silencia o Brasil” (1950), “Fim do Sonho na Espanha” (1982), o inesquecível “7x1: A Alemanha Humilha o Brasil” (2014) e “Ouro Olímpico em Casa” (2016) eternizaram as emoções de milhões de torcedores.

O Rio de Janeiro também sempre foi personagem central destas páginas. O DIA acompanhou a perda do status de capital federal em 1960, a conferência mundial Eco-92, o anúncio da vitória do Rio como sede olímpica, em 2007, e os Jogos Olímpicos de 2016, com a cerimônia de abertura no Maracanã. Cada evento foi documentado com imagens impactantes e manchetes inesquecíveis.

A tecnologia também não passou despercebida. O homem pisando na Lua, em 1969, a chegada da internet ao Brasil, nos anos 1990, o lançamento do iPhone, em 2007, e a transformação no modo de vida durante a pandemia, com o home office e o ensino remoto, também ganharam destaque.

São capas que hoje formam um verdadeiro acervo de memória, documentando não apenas os grandes fatos, mas também os sentimentos de uma cidade e de um país. Do luto à festa, da dor à superação, da revolta à esperança — O DIA foi, e continua sendo, espelho de uma sociedade em movimento.

Comemorando 74 anos de história, o jornal reafirma seu compromisso com o presente e lança o olhar para o futuro, sem jamais esquecer de onde veio. Porque cada capa é um pedaço da nossa história. E contar essa história continua sendo o nosso maior compromisso.
Benemérito do RJ

No último dia 29, o Jornal O DIA recebeu o título de Benemérito do Estado do Rio de Janeiro, concedido pela Assembleia Legislativa (Alerj). A homenagem reconhece a relevância histórica e social do veículo, que há mais de sete décadas acompanha os principais acontecimentos do Brasil e do mundo, dando voz ao povo fluminense e contribuindo para a preservação da memória coletiva. Com uma trajetória marcada pelo jornalismo popular, o título reafirma o papel de O DIA como referência na imprensa do estado.