Mounjaro passou a ser vendido no Brasil em maio deste ano, mas quadrilha já oferecia medicamento desde 2023Reprodução
Ação mira quadrilha por venda de remédio para emagrecer importado ilegalmente da Europa
Organização comercializava medicamento sem autorização da Anvisa pelas redes socias e lucrou 300%
Rio - A Polícia Civil mirou, nesta segunda-feira (16), uma organização criminosa que importa e vende clandestinamente um medicamento controlado para diabetes. A Operação Mounjaro, em referência ao nome do remédio, cumpriu três mandados de busca e apreensão em Jacarepaguá e na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, contra alvos que lucraram 300% com a comercialização ilegal. Um homem foi conduzido à delegacia.
A ação foi realizada pela Delegacia do Consumidor (Decon), que investigou a entrada irregular do medicamento Mounjaro no país, em desacordo com as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e venda sem prescrição médica. Segundo o delegado Wellington Pereira Vieira, o remédio passou a ser vendido no Brasil em maio deste ano por farmácias credenciadas e com receita retida no estabelecimento.
Entretanto, desde 2023, um homem e uma mulher ligados à quadrilha viajavam frequentemente à Europa, onde compravam caixas do remédio por 100 euros ou 110 libras. O medicamento era vendido sem receita pelas redes sociais, com lucros de 300%. Em dezembro do ano passado, a Polícia Federal encontrou 20 caixas do Mounjaro na mala da suspeita.
O Mounjaro é um medicamento na forma de caneta injetável para tratamento da diabetes tipo 2 descontrolada em adultos. Mas, passou a ser alvo de bandidos por conta do uso para emagrecimento, porque auxilia na redução de apetite. Na Europa, onde a quadrilha adquiria o remédio há dois anos, a compra já era legalizada. Em lojas de farmácias na internet, os preços variam de R$ 1,9 mil a R$ 2,3 mil.
Ainda de acordo com o delegado titular da Decon, o principal alvo confessou a participação no esquema e foi conduzido à prestar esclarecimentos na especializada. Os celulares apreendidos na operação vão passar por perícia. A Polícia Civil alertou que a venda de remédios em desacordo com as normas da Anvisa é crime e representa risco direto à saúde pública, por envolver produtos que exigem controle rigoroso de armazenamento, transporte e aplicação, além da prescrição por profissional habilitado.

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