Marcelle estava sem contato com a família desde quinta (12)Acervo da família

Rio – O velório de Marcelle Júlia Araújo da Silva, cujo corpo foi encontrado dilacerado por cães, sábado (14), em uma casa na Comunidade Beira Rio, na Pavuna, Zona Norte, acontece na tarde desta segunda-feira (16), no Cemitério de Irajá. O corpo chegou por volta de 16h30, em meio a protestos e muita emoção.
Vestidos com camisas brancas que traziam uma foto da jovem de branco, parentes e amigos gritaram por justiça para a jovem de 18 anos e exibiram cartazes, também com imagens dela.
"As amigas fizeram um protesto pacífico, com cartazes pedindo justiça. Naturalmente, estão todos muito emocionados", disse Cláudia Luciano de Araújo, tia da jovem.
O caso
O suspeito de ter matado Marcelle, de acordo com investigações da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), é Zhaohu Qiu, um comerciante chinês de 35 anos que vendia yakisoba em um food truck na região em que ambos moravam, no bairro Jardim América, também na Zona Norte.
Zhaohu Qiu, também conhecido como Xau, seria próximo da família de Marcelle e teria uma paixão não correspondida pela jovem. Este, inclusive, é o fator que a Polícia Civil aponta como possível motivação para o feminicídio.
Ainda segundo as investigações da DHC, o que indica Xau como suspeito são imagens de câmeras de segurança, que mostram Marcelle indo à casa do comerciante pouco depois das 2h de quinta-feira (12) - momento a partir do qual ela deixou de ter contato com amigos e familiares. Horas depois, às 7h, ele deixa o imóvel puxando um carrinho coberto por uma lona azul.
Já no sábado (14), o corpo de Marcelle foi encontrado, dilacerado por dois cães da raça pitbull e enrolado em uma lona azul semelhante à usada por Xau para cobrir o carrinho, em outra residência do suspeito, localizada na Rua São Fidélis, na Comunidade Beira Rio.
A tia de Marcelle relembrou o estado do corpo: "Os cachorros, com fome, dilaceraram ela toda. Eles (policiais) não me deixaram reconhecer o corpo só pelas características físicas porque devoraram o rosto dela, comeram o peito, arrancaram o braço. Foi com requinte de crueldade".
A pedido da DHC, o plantão Judiciário da Comarca da Capital decretou no sábado a prisão temporária, pelo crime de homicídio qualificado, de Xau, que já é considerado foragido.
O Disque Denúncia divulgou, neste domingo (15), um cartaz pedindo informações que levem à localização de Xau. É possível entrar em contato pela central de atendimento (21 2253-1177 ou 0300-253-1177); pelo WhatsApp Anonimizado (21 2253-1177), uma técnica de processamento de dados que omite a identificação do denunciante; ou pelo aplicativo Disque Denúncia RJ. O anonimato é garantido.