Danúbia gravou um vídeo para redes nesta segunda (7)Reprodução

Rio – Ex-mulher de Nem da Rocinha, Danúbia de Souza Rangel foi transferida para o sistema prisional nesta segunda-feira (7). Contra ela, havia em aberto um mandado de prisão condenatória, expedido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), por tráfico de drogas. Ela foi presa no sábado (5), horas após dar à luz uma bebê em uma maternidade na Barra da Tijuca, na Zona Oeste.
Segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), Danúbia, após passar por audiência de custódia, ficará acautelada na Unidade Materno-Infantil (UMI), em Bangu, também na Zona Oeste. No local, as mães podem permanecer com os filhos por até um ano.
A prisão de Danúbia, que estava em liberdade desde 2024, foi feita por agentes da 72ª DP (São Gonçalo), que vinham acompanhando a rotina dela. "Sabíamos havia muito tempo que ela estava grávida e, lógico, teria que procurar algum hospital para fazer o parto. Ficamos monitorando os hospitais onde ela poderia ser atendida e quando identificamos, fomos lá e efetuamos a prisão", disse a O DIA, ainda no sábado, o delegado Fábio Souza, titular da distrital.
No Instagram, Danúbia publicou um vídeo em que ressalta que tem seguido "um caminho diferente daquele que seguia no passado". Ela admite que sabia da existência do mandado de prisão quando deu entrada na maternidade.
"Não vou mentir, eu sabia que tinha saído esse mandado, há uns 20 dias. Só que não me entreguei porque minha filha estava na posição pélvica. Todo mundo sabe que essa posição oferece risco para a mãe e a criança se o parto não for com cesariana. E eu não tinha como fazer cesariana a não ser que viesse para um hospital. Optei pela minha vida e a da minha filha. Não cometi crime nenhum", afirmou.
Não fica claro se Danúbia fez a postagem antes de ser informada que seria encaminhada a um espaço próprio para receber puérperas. No vídeo, ela cita a condição da bebê, sem entrar em detalhes, e faz um apelo: "Não tenho paz desde que esse processo existe. Mas agora está pior, porque vou ter que voltar para a cadeia com minha filha, que é especial, tem síndrome. Só peço que ajudem uma mãe compartilhando esse vídeo, para que eu possa ir para uma prisão domiciliar".
A Unidade Materno-Infantil
Ainda de acordo com a Seap, a UMI é "um espaço humanizado, destinado exclusivamente a gestantes e mulheres em período de puerpério no sistema prisional". A instalação, ao contrário de cadeias tradicionais, tem características de uma residência, sem celas e com adaptações para mães e bebês.
A estrutura da UMI conta com berçário, local apropriado para amamentação, acompanhamento nutricional e cuidados de saúde. Ao chegarem, as mulheres recebem um kit composto por lençol, cobertor, toalha, fraldas, roupinhas de bebê e itens de higiene. Atualmente, há 14 internas no espaço - sete gestantes e sete lactantes.
O tempo mínimo legal para a mãe seguir com o bebê é de seis meses, mas a extensão para um ano pode acontecer de acordo com critérios da pasta, que destaca priorizar o vínculo afetivo e o desenvolvimento saudável da criança. Após o período máximo, os filhos são entregues às famílias, enquanto as detentas seguem para unidades prisionais convencionais.