Publicado 21/07/2025 09:49
Rio – O número de tiroteios entre facções criminosas na Região Metropolitana, nos primeiros seis meses do ano, cresceu de 104, em 2024, para 154 em 2025. O número representa um aumento de 48%, além de um recorde na série histórica elaborada pelo Instituto Fogo Cruzado.
PublicidadeDe acordo com o relatório, neste período, o Morro dos Macacos, em Vila Isabel, o Morro do Fubá, entre Cascadura e Campinho, o Juramento, em Vicente de Carvalho, e o Catiri, em Bangu, concentram mais da metade (57%) dos confrontos ocorridos durante disputas de território no primeiro semestre.
- Morro dos Macacos: 57 tiroteios, sendo 24 (42%) em disputas entre grupos armados;
- Complexo do Fubá: 54 tiroteios, sendo 22 (41%) em disputas entre grupos armados;
- Morro do Juramento: 54 tiroteios, sendo 34 (63%) em disputas entre grupos armados;
- Favela do Catiri: 16 tiroteios, sendo 8 (50%) em disputas entre grupos armados.
- Complexo do Fubá: 54 tiroteios, sendo 22 (41%) em disputas entre grupos armados;
- Morro do Juramento: 54 tiroteios, sendo 34 (63%) em disputas entre grupos armados;
- Favela do Catiri: 16 tiroteios, sendo 8 (50%) em disputas entre grupos armados.
Confira os dados ano a ano
- Primeiro semestre de 2017: 40 tiroteios e 38 baleados em disputas;
- Primeiro semestre de 2018: 42 tiroteios e 33 baleados em disputas;
- Primeiro semestre de 2019: 48 tiroteios e 30 baleados em disputas;
- Primeiro semestre de 2020: 13 tiroteios e 14 baleados em disputas;
- Primeiro semestre de 2021: 63 tiroteios e 43 baleados em disputas;
- Primeiro semestre de 2022: 56 tiroteios e 49 baleados em disputas;
- Primeiro semestre de 2023: 98 tiroteios e 85 baleados em disputas;
- Primeiro semestre de 2024: 104 tiroteios e 82 baleados em disputas;
- Primeiro semestre de 2025: 154 tiroteios e 72 baleados em disputas.
- Primeiro semestre de 2018: 42 tiroteios e 33 baleados em disputas;
- Primeiro semestre de 2019: 48 tiroteios e 30 baleados em disputas;
- Primeiro semestre de 2020: 13 tiroteios e 14 baleados em disputas;
- Primeiro semestre de 2021: 63 tiroteios e 43 baleados em disputas;
- Primeiro semestre de 2022: 56 tiroteios e 49 baleados em disputas;
- Primeiro semestre de 2023: 98 tiroteios e 85 baleados em disputas;
- Primeiro semestre de 2024: 104 tiroteios e 82 baleados em disputas;
- Primeiro semestre de 2025: 154 tiroteios e 72 baleados em disputas.
Rotina de terror
O Morro dos Macacos vive dias de terror por causa da guerra entre criminosos do Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP), que disputam o controle da comunidade desde o ano passado. Os conflitos se intensificaram em 2025, com direito a símbolos das facções espalhados pela região. No último dia 11 de julho, após um intenso tiroteio entre bandidos no local, uma operação das autoridades resultou na morte de Pedro Paulo Lucas Adriano do Nascimento, vulgo Titauro. Ele era apontado como a principal liderança do Comando Vermelho (CV) nas tentativas de invasão.
As facções também buscam expandir seus territórios no Morro do Fubá, em Cascadura, em uma série de confrontos que já duram mais de dois anos. Recentemente, após a morte do líder Kaio da Silva Honorato, conhecido como Kaioba, as disputas se tornaram mais frequentes. O bandido fazia parte do tráfico de drogas do Morro do Dezoito, em Água Santa, e foi morto a tiros no Fubá, pelo TCP, em junho. Além disso, os dois grupos travam constantes tiroteios no Morro do Juramento.
Já na favela do Catiri, em Bangu, Zona Oeste, há uma disputa territorial entre o CV e milicianos, causando pânico entre os moradores. No último dia 5 de julho, as autoridades prenderam quatro criminosos que estariam envolvidos nos confrontos.
Número de baleados volta a crescer
Ainda segundo o estudo, o número de pessoas baleadas no Grande Rio voltou a crescer nos primeiros seis meses do ano. Ao todo, 816 pessoas foram atingidas por disparos de arma de fogo: 406 morreram e 410 ficaram feridas no período. Houve aumento de 6% no número de mortes e de 14% no de atingidos, em comparação com o mesmo período de 2024, que registrou 744 baleados, com 383 mortos e 361 feridos.
Os disparos atingiram ao menos 56 pessoas dentro de automóveis, 44 dentro de bares e outras 40 quando estavam dentro de casa. Houve, ainda, 12 pessoas vítimas de tiro quando participavam de eventos, cinco atingidas dentro de transporte público, quatro dentro de barbearias e três atingidas dentro de unidades de ensino.
'Planejamento é fundamental'
Ao DIA, o professor de sociologia e coordenador do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense, Daniel Hirata, destacou a crescente nos confrontos e analisou que as autoridades devem tomar medidas mais inteligentes para combater o crime.
"O governo do Estado tem feito operações policiais bastante ineficazes para a contenção desses confrontos armados. É necessário que nós atuemos de forma mais inteligente, com planejamento, para que a gente possa interromper essa escalada que já vem há alguns anos. Temos o avanço do Comando Vermelho em algumas regiões de controle territorial do Terceiro Comando Puro e das milícias, reações desses grupos, de forma que é fundamental um maior planejamento e ações inteligentes para proteger, sobretudo, a população residente nessas áreas", afirmou.
Já na avaliação de Lenin Pires, antropólogo e professor do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), as políticas de enfrentamento do governo do Estado se limitam a estratégias de confronto a grupos armados.
"Historicamente, as forças polícias, principalmente a Polícia Militar do Rio, considera o CV o grupo que deve concentrar a maior ênfase na proposta belicista de atuação. O que comprova o fracasso da política, pois nos últimos dois anos este grupo vem avançando sobre áreas que haviam sido ocupadas por grupos milicianos, por exemplo. Isso também se explica justamente pela beligerância dos confrontos, que aumenta o fluxo de armas e munições e a necessidade de aumentar o capital para dar conta dos compromissos firmados neste comércio macabro", disse.
Autoridades se manifestam
Em nota, a Polícia Militar afirmou que a redução dos índices de letalidade em todo o território do Rio de Janeiro está entre as prioridades da corporação. "A opção pelo confronto é sempre uma iniciativa dos criminosos, que realizam ataques armados inconsequentes diante do cumprimento das missões institucionais dos entes de segurança do Estado", diz o texto.
"Quando as ocorrências resultam em lesão corporal ou morte, são instaurados inquéritos no âmbito da Polícia Militar e da Polícia Civil, com acompanhamento do Ministério Público estadual", acrescentou a corporação.
A Polícia Civil também se manifestou e afirmou que "a instituição, por meio de suas delegacias especializadas e distritais, investiga a ação de facções criminosas, bem como suas disputas territoriais". "Agentes monitoram as atividades ilegais praticadas e realizam diligências continuamente para identificar e responsabilizar criminalmente todos os envolvidos", esclarece o comunicado.
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