Sepultamento de Paulo Rogério Lopes e Paulo Rogério Filho lotou o Cemitério de IrajáÉrica Martin / Agência O Dia

Rio - O policial militar Paulo Rogério da Costa Lopes Filho, de 35 anos, e seu pai, Paulo Rogério da Costa Lopes, 65 anos, foram sepultados na tarde desta terça-feira (12), no Cemitério de Irajá, na Zona Norte. A cerimônia teve a presença da irmã do agente, Anni Caroline Lopes, que estava com as vítimas baleadas em Nova Iguaçu, na Baixada, no domingo do Dia dos Pais, e sofreu ferimentos nas pernas por um tiro de raspão, além de estilhaços.
Anni, que também é filha do Paulo Rogério, contou ao DIA que a família havia saído para comemorar a data festiva em um restaurante. Na volta para casa, os três e a mãe do agente estavam em um carro que foi parado por mais de dez bandidos na Avenida Severino Pereira da Silva, no bairro de Cabuçu. Segundo a irmã do cabo, os criminosos estavam armados com fuzis e vestiam camisetas escrito "Draco". Em nota, a Polícia Civil informou que a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) não utiliza vestimentas com a sigla e não há qualquer produção de roupas com essa escrita por parte da corporação.
"Quando chegamos a umas três esquinas da minha casa, tinha dois SUV atravessados no meio da rua. Eram mais de 10 homens com fuzis, altamente armados. Eles estavam vestidos com coturno, balaclava, calça escura, segunda pele preta e, no ombro, escrito 'Draco'. Começaram a gritar: 'Para, para, para' e ele respondeu: 'Calma, eu sou policial militar' e botou as mãos para o alto. Ele gritou: 'Só tem família. Sou cabo do 9º batalhão. Estou eu, meu pai, minha mãe e minha irmã’. Responderam: 'Desembarca, desembarca'.  Foi muito tiro. Ele foi o primeiro a morrer. Muito, muito, muito tiro em tudo. Eu sou um milagre, tomei um tiro de raspão na minha canela, um no pé e estilhaços pelas pernas", contou Anni.
Ainda de acordo com a irmã do PM, a família pensou que o grupo fosse da Polícia Civil e não reagiu a nenhum momento. Um dos bandidos se aproximou do policial baleado, roubou pertences do agente e atirou contra o pai do militar. Por fim, eles entraram de volta nos carros que estavam atravessados na via e fugiram do local. Anni ainda tentou correr atrás de um dos criminosos que havia levado a arma do irmão dela. O automóvel das vítimas ficou completamente destruído pelos disparos de fuzil.
"Ele não reagiu, não tinha como fazer nada. Ainda teve um que pegou a arma dele e foi quem baleou meu pai, porque achou que meu pai estivesse armado. Ele deu um confere, pegou a carteira e a arma do meu irmão e sumiu. No momento dos tiros, a gente já estava fora do carro, eles já tinham mandado a gente desembarcar. Estávamos nos apresentando porque achamos que fosse a Polícia Civil. Meu irmão estava no banco do motorista e meu pai no carona. Descemos juntos e começaram os tiros. Se olhar meu carro, você vai ver as marcas de tiro. A intenção era atirar contra a família inteira. Eu corri atrás do que pegou as coisas do meu irmão e ele não tirou em mim. Foi um carro para um lado e o outro para outro. Eu não queria que levassem a arma, então corri atrás dele", relatou.
Após os tiros, Anni tentou colocar o pai baleado dentro do carro para socorrê-lo, mas o veículo não deu partida. A mãe do PM ligou para um dos melhores amigos do marido, que foi quem levou a família para uma unidade de saúde. Ainda no hospital, o amigo que socorreu Paulo Rogério infartou e morreu. O pai do PM, atingido em diversas partes do corpo, não resistiu aos ferimentos e veio a óbito na madrugada de segunda-feira (11).
Anni contou que o cabo da PM comprou um carro blindado assim que a filha nasceu, há cinco anos, com objetivo de melhor a segurança da menina. No domingo, no entanto, a família estava no carro da irmã do policial, já que a filha havia sido levada para a casa da sogra do agente com o outro veículo. Anni disse que Paulo Rogério Filho já havia sofrido um ataque há cinco anos e tem suspeitas de quem pode ter sido o responsável pelo homicídio.
"A vida de policial é muito complicada, mas o Paulo era uma pessoa muito tranquila. Eu quero justiça. Estamos deixando a Delegacia de Homicídios agir. Para mim, tem um suspeito e vou dizer isso para a polícia. Tenho um suspeito que tem motivo para matar meu pai, minha mãe e meu irmão. Há cinco anos, meu irmão já tinha sofrido uma tentativa, mas não estava dentro do carro. Depois disso, ele nunca mais passou por nada. Meu irmão tinha muitos amigos, era um cara muito querido. Muito amado, muito desejado", lamentou.
Paulo era lotado no 9º BPM (Honório Gurgel) e deixa a mulher, Ingrid Cristina, e uma filha de cinco anos. Amigos de farda descreveram o policial como um agente exemplar. "É com profundo pesar que o Comando do 9º Batalhão lamenta a triste perda do cabo Paulo Rogério da Costa, que partiu precocemente, deixando um vazio em nossos corações. Ficam as lembranças da honrosa conduta do policial e dos bons serviços prestados à sociedade fluminense. Servir e proteger foi sua missão", escreveu a corporação.
O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), que analisam a abordagem flagrada por câmeras de segurança. Até o momento, ninguém foi preso.
O Disque Denúncia publicou um cartaz pedindo informações que levem à identificação e prisão dos envolvidos na morte de pai e filho. A denúncia pode ser feita de forma anônima pelo telefone (21) 2253-1177 ou pelo aplicativo Disque Denúncia RJ.