Grupo de corrida noturna de Niterói, na Região MetropolitanaReprodução / Felipe Duarte

Rio - Poderia ser mais um treino normal para os membros de uma comunidade de corrida de Niterói, na Região Metropolitana, mas dessa vez os participantes contaram com a ajuda de um 'combustível extra': a cervejinha.

Durante um circuito que o grupo fazia na noite de quarta-feira (13), os corredores se depararam com um ponto de hidratação diferente organizado por Marcelo Dantas, dono do Quiosque 883, na Praia de Boa Viagem.
Veja o vídeo:


"Toda vez que o pessoal passa eu fico gritando de brincadeira 'posto de hidratação, posto de hidratação!' e a galera fica perguntando: 'Cadê a cerveja'? E aí eu bolei essa brincadeira de colocar a bebida na ida e na volta", contou.

Marcelo também falou sobre a interação dos atletas: "A galera sempre levou na esportiva e por isso eu fiz a brincadeira. Inclusive até o organizador da corrida bebeu e isso é legal demais".

Nas redes sociais, internautas também comentaram sobre a corrida inusitada. "Onde se inscreve para começar a correr? disse um. "Na próxima eu vou passar para me hidratar", disse outro.

Felipe Duarte, organizador da comunidade de corrida e analista de marketing, diz que o treino realizado na quarta-feira (13) acontece a cada 15 dias e é voltado para iniciantes na modalidade. O percurso vai da Praça Arariboia, no Centro, até a Praia da Boa Viagem.

"O Marcelo é um amigo meu e nos conhecemos há algum tempo, então ele sabia das datas dos treinos, mas foi uma surpresa para a gente, porque não tinha nada combinado. Foi algo muito legal, porque, para quem está começando na corrida e precisa 'virar a chavinha', é uma experiência bacana para facilitar a transição", disse.

O corredor ainda complementou falando sobre a importância das trocas entre os participantes durante os treinos. "Muita gente tem uma imagem do corredor com uma alimentação regrada e na verdade a corrida de rua é muito mais que o esporte em si, é criar conexões e memórias afetivas também. No nosso pós-treino o grupo sempre para em algum bar para conversar e o fato da cerveja estar sempre envolvida é legal para gente ter essas trocas".

Segundo Felipe, a Nikiti Run Club nasceu em 2020 para democratizar o esporte na cidade. Hoje, a comunidade conta com cerca de 600 atletas de todos os bairros de Niterói e até outros do estado do Rio.

Hidratação inusitada
Karen Louise Barrera, corretora de planos de saúde de 26 anos, entrou para o grupo em 2025 e ficou surpresa com a ação. "Eu passei mais cedo pelo quiosque, na ida, com a bandeira do grupo, e o Marcelo me perguntou mais ou menos o horário em que iríamos passar e questionou se seria uma boa ideia colocar um ponto de hidratação com cerveja. Só que eu não esperava que ele realmente fosse colocar", relatou.
A corretora ainda falou sobre o significado da atitude. "Esse pequeno gesto é um 'apoio', nós ficamos muito felizes. Não só pela cerveja, mas por entender que nosso grupo é importante de muitas formas".
O fisioterapeuta Daniel Cruz de Moura, de 29 anos, participa do Nikit Run Club desde 2022 e contou sobre como foi a experiência do dia. "Aquele dia foi uma parada surreal, a gente sempre passava brincando com o pessoal do quiosque e calhou que nesta quarta-feira eles preparam essa hidratação e quando juntou corrida com uma cervejinha casou bem demais".

Para Daniel, o equilíbrio é tudo. "Tem que saber balancear né? Um pouco de corrida e pouco de cerveja e é óbvio que eu tive que aproveitar esse momento.", declarou.
A também fisioterapeuta Criscielly Souza, de 30 anos, começou a integrar a comunidade há três anos e não imaginava a 'hidratação' inusitada durante o treino.

"A gente sempre passa ali e o pessoal do quiosque tá sempre sorrindo pra gente, só que não imaginávamos que ia ter esse 'posto de hidratação'".

No entanto, Criscielly disse que não bebeu porque estava com o filho de oito anos. "Não bebi porque meu filho que também participa das corridas estava um pouco cansado e fomos caminhando. Dai a galera que passou na frente bebeu toda a cerveja e não sobrou pra mim", lamentou.
Reportagem da estagiária Lívia Mendes, sob supervisão de Iuri Corsini