Rio - O laudo pericial do Instituto Médico Legal (IML) concluiu que a maioria dos corpos mumificados encontrados no Hospital Municipal Salgado Filho, na Zona Norte do Rio, é de vítimas de atropelamento. Entre os cadáveres, alguns também foram classificados como casos de "morte suspeita".
Ao todo, 14 corpos são alvo de investigação da 23ª DP (Méier), que apura possíveis crimes de fraude processual e vilipêndio de cadáver. Dez foram encaminhados ao IML e outros quatro recolhidos pela própria Civil durante uma vistoria no necrotério do Salgado Filho.
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS-Rio), por sua vez, afirma que quatro corpos estavam no necrotério do hospital no dia da vistoria, e diz não saber a origem dos outros dez cadáveres. Nesta sexta-feira (24), a pasta informou que três vítimas possuem identificação, com as causas de óbito determinadas. O quarto corpo, de um homem em situação de rua, segue sem identificação.
Vítimas identificadas:
A.S.J., 74 anos Causa da morte: doença cardíaca e hipertensiva com insuficiência renal
L.M.G., 83 anos Causa da morte: insuficiência respiratória aguda e septicemia
J.L.S.R., 67 anos Causa da morte: neoplasia maligna do encéfalo
Homem não identificado, em situação de rua, levado ao hospital por uma ambulância dos bombeiros, sem documentação Causa da morte: indeterminada, com tomografia de crânio sugestiva de acidente vascular cerebral
Sinais de violência em corpos
As divergências entre a Polícia Civil e a SMS-Rio não se limitam ao número de corpos. As causas das mortes também são motivo de conflito. De acordo com a investigação, todos os 14 corpos apresentavam sinais de violência, com indícios de homicídio, atropelamento e até "pedaços" de corpos dentro de sacos plásticos.
Um dos cadáveres estaria no local desde dezembro de 2024, sem possibilidade de identificação, nem mesmo o sexo da vítima pôde ser determinado.
Início da investigação
A apuração dos cadáveres mumificados teve início no começo de outubro deste ano, a partir de uma comunicação feita por um perito do IML, que relatou a impossibilidade de elaborar laudos devido ao avançado estado de decomposição dos corpos. Após depoimentos de testemunhas, foi descoberto que mais corpos estariam abandonados na unidade de saúde.
Ao DIA, o delegado Luiz Jorge Rodrigues, titular da 23ª DP, disse que só há três formas para corpos serem retirados do hospital: cadáver objeto de crime, morte suspeita ou não identificados. "Nos dois primeiros, a comunicação é imediata. Nesse último caso, às vezes demora até 72 horas. Estamos falando de um ano de demora", informou o delegado.
O que diz a SMS-Rio
A direção do Salgado Filho disse que aguarda a comunicação formal do delegado responsável pelo caso e repudia a forma como o mesmo tem conduzido o assunto. "A Secretaria Municipal de Saúde reforça que não considera adequado que esse tipo de informação seja tratado de maneira informal, antes da conclusão das investigações e da comunicação oficial às partes envolvidas."
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