Rio - O prefeito do Rio abriu, nesta segunda-feira (3), a Cúpula Mundial de Perfeitos da C40, que dá início aos eventos pré-COP30, que acontecem em Belém, no Pará, entre 10 e 21 de novembro. O encontro debateu medidas urgentes para o enfrentamento à emergência climática a serem adotadas pelas lideranças globais e Eduardo Paes defendeu, entre as soluções, mais financiamento disponível para as ações urbanas.
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Pouco antes do início da plenária do Grupo C40 de Grandes Cidades para a Liderança Climática (C40 Cities), a Orquestra da Maré performou clássicos da música brasileira, como "Garota de Ipanema", para os participantes. Na abertura, o prefeito do Rio afirmou se tratar da maior cúpula já realizada por prefeitos e líderes locais de regiões de todo o mundo. Em seu discurso, ele destacou que os membros já estão demonstrando mudanças concretas e defendeu mais financiamento para as ações urbanas.
"Ao longo dos próximos dias, nós vamos mostrar como as lideranças locais já estão alcançando resultados concretos na luta contra mudanças climáticas e tudo o que temos a entregar durante o próximo ano. Também vamos deixar claro que é preciso que sejamos ouvidos e que governos nacionais sejam incluídos como verdadeiros parceiros na discussão da COP. Sobretudo, é necessário mais financiamento disponível para ação climática urbana. Já é passada a hora de fortalecermos a arquitetura global de financiamento climático e direcionarmos os recursos de forma justa e eficiente, principalmente para as cidades do chamado Sul Global, historicamente preteridas", afirmou.
Ainda de acordo com o prefeito, o Rio de Janeiro tem sido testemunha, ao longo dos últimos anos, da evolução do movimento climático global, e as cidades devem ter orgulho das metas alcançadas, mas ressaltou que ainda há muito trabalho a ser feito. Eduardo Paes pontuou também que a reunião com os líderes locais celebra os 20 anos do C40 Cities e dez do Acordo de Paris. O tratado internacional firmado em 2015 estabelece metas para limitar o aquecimento global e lidar com os impactos das mudanças climáticas.
"Devemos ter orgulho do que as cidades alcançaram nesse tempo, mas ainda há muito para ser feito. Juntos, vamos transformar negociação em ação. É com esse espírito que a gente está pronto para nos juntarmos aos governos nacionais em Belém e trabalhando lado a lado como em um mutirão, para transformar promessas em progressos, desafios em soluções e construir um futuro com sustentabilidade e desenvolvimento para todos", destacou.
Na abertura, discursaram ainda os copresidentes do C40 Cities, os prefeitos de Londres, na Inglaterra, Sadiq Khan, e de Freetown, em Serra Leoa, Yvonne Aki-Sawyerr. O primeiro apontou o Rio como pioneiro na criação de empregos verdes e na descarbonização dos transportes e destacou que as cidades comprometidas com as metas para o clima, por meio de políticas ambientais, conseguiram reduzir mais emissões de carbono que os governos nacionais e 3/4 dos membros do grupo mais rápido que o resto do mundo.
"A C40 está mostrando que a maneira de lidar com os desafios vão além da fronteira. Somos aqueles que estão fazendo o que muitos Estados estão atrasando ou negando. É uma luta existencial entre eles e nós que defendemos o clima", disse o prefeito de Londres, que citou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem tratado informações sobre a emergência climática como mentira. Ele deixou o acordo de Paris no início do ano, ao assumir a presidência do país. Segundo Khan, é necessário defender alternativas para uma sociedade mais verde. "É uma batalha que demanda urgência e muita coragem".
Já a prefeita de Freetown descreveu a crise climática como uma questão de desigualdade e que os prefeitos precisam se unir para proteger os mais vulneráveis. Ela ressaltou o calor extremo como o desastre mais mortal, com 490 mil vítimas por ano e que pode provocar uma perda de mais de dois trilhões em produtividade até 2030. Para isso, a cúpula aderiu a um projeto acelerador em resposta ao problema, do qual 33 das 40 cidades já aderiram, incluindo o Rio. Aki-Sawerr, que plantou 1,2 milhões de árvores em sua cidade, defendeu que "cada árvore plantada nos aproxima de um mundo mais justo e sustentável".
Cidades apresentam ações para os próximos 12 meses
O diretor-executivo do C40, Mark Watts, explicou que o grupo perdeu diversos membros ao longo dos anos, por conta dos "padrões de liderança rigorosos". No entanto, afirma que as medidas levaram ao cenário positivo atual, em que 73% das cidades já deixaram o pico das emissões de carbono. Ele pontuou ações imediatas para acelerar o combate à emergência climática, sendo elas: adoção de regulamentação municipal por ar limpo; encerrar a dependência por combustíveis fósseis; acelerar a eletrificação da mobilidade, por meio de veículos elétricos, e garantir alimentação saudável e sustentável para crianças, enquanto reduz desperdício.
"Precisamos modificar a maneira como tomamos decisões, não estamos avançando rápido o suficiente. A transição verde tem que ser justa e inclusiva", declarou Watts, que explicou que as cidades vão apresentar em Belém, as medidas de combate que serão adotadas já nos próximos 12 meses. "Na C40 gostamos de olhar pro futuro com esperança (...) Se o mundo mergulhar ainda mais na crise climática, não será por acaso, será por escolha", completou o diretor-executivo.
Parte do planejamento foi apresentado na plenária desta segunda. A prefeita de Freetown disse que a cidade sofre com o calor extrema e, nos próximos 12 meses, pretende fazer melhorias na habitação, instalar sombreamento nos mercados locais, além de mais ações de limpeza e redução de descarte, bem como iniciativas de compostagem. A expectativa é diminuir o desperdício de alimentos em 40% e criar mais trabalhos verdes, que contribuem para a preservação e restauração ambiental. "Não acreditamos em falar, acreditamos em ação. Queremos levar essa cultura para a COP30, precisamos desse sentimento de urgência", afirmou Yvonne Aki-Sawyerr.
A prefeita de Phoenix, nos Estados Unidos, também apontou o calor extremo como um dos maiores desafios da cidade. Para isso, a administração vai investir em sombreamento de área e tecnologia e treinamento de resfriamento como resposta para a emergência de calor. De acordo com Kate Gallego, é necessário investir em Inteligência Artificial para alcançar melhorias nos resultados. "Boas políticas climáticas são boas políticas econômicas", pontuou. O prefeito de Melbourne, na Austrália, também apontou o aumento em 40% de sombreamento de áreas e de criação de jardins como as soluções adotadas pela cidade nos próximos meses. "Vamos trazer um novo capítulo para nossas histórias. Sem exagero, o mundo precisa de nós", disse Nicholas Reece.
Já o prefeito de Amã, na Jordania, Yousef Shawarbeh, anunciou a limitação de emissões de carbono por meio da rota verde que conecta ônibus elétricos e aumentando a gestão de resíduos com sistemas de locais pilotos e a economia circular verde. A prefeita de Tsuane, na África do Sul, Nasiphi Moya, explicou que as ações da cidade vão focar nas áreas mais marginalizadas e onde há maior presença de jovens, com plantio de 30 mil árvores nos próximos 12 meses, bem como de hortas e jardins.
O secretário-geral do comitê municipal de Nanquim, na China, Li Hui, destacou o aumento de uso de energia neutra e mobilidade neutra em mais de 20%. "Queremos construir uma cidade melhor, também queremos instalações de baixo consumo de energia, áreas verdes e que as residências se tornem verdes". Por fim, o prefeito de Atenas, na Grécia, Haris Doukas, disse que e a cidade está comprometida em tornar espaços mais verdes, plantar 5 mil árvores e a manejar o lixo de forma mais inteligente, baseado por dados. Além disso, a administração pretende implantar um escritório para alívio e escolas inovadoras em termos de energia.
"Quero incentivar todos que adotem esse modelo daqui em diante (...) Agir juntos com urgência e determinação. Temos a certeza que assim poderemos avançar mais rápido, fechar as lacunas e ter um mundo mais resiliente", finalizou a prefeita de Freetown e copresidente da C40 Cities.
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