Familiares e amigos compareceram ao velório, no Cemitério do CajuÉrica Martin / Agência O Dia

O corpo do ator, diretor, escritor e comentarista de carnaval Haroldo Costa foi velado na manhã desta segunda-feira (15) na capela I do Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, Zona Portuária do Rio, em despedida que contou com a presença de amigos, familiares e personalidades. O sepultamento aconteceu às 14h. O intelectual morreu no último sábado (13), aos 95 anos.
Integrantes do Salgueiro, escola de coração do artista, marcaram presença e deixaram uma coroa de flores no local. Membros da Beija-Flor de Nilópolis também compareceram, assim como o prefeito Eduardo Paes, o deputado federal Pedro Paulo (PSD), o escritor e pesquisador musical Ricardo Cravo Albin e a empresária e ex-primeira-dama da Mangueira, Célia Domingues.
Os atores Antonio Pitanga e Romeu Evaristo também estiveram na despedida.
'Deixou um enorme legado'
Na avaliação de Eduardo Paes, Haroldo "marcou a cultura brasileira". "Tinha uma relação incomparável com o samba, o carnaval, essa manifestação popular que tem tanta identidade com o Rio de Janeiro, aquilo que a gente representa. O Haroldo era um dos grandes representantes daquilo que a gente chama de civilização carioca. É uma grande perda, mas viveu intensamente, deixa um enorme legado, agora é se despedir e ter sempre ele nas nossas lembranças", disse o prefeito.
Quem também destacou o legado do intérprete foi a presidente da torcida Amigos do Salgueiro, Elisinha Salgueiro. "O Haroldo Costa, para a gente, é imortal. O corpo pode ter ido, mas o Haroldo vai sempre permanecer, porque o legado fica. O que ele fez não morre com ele, o que ele fez permanece em cada um de nós, salgueirenses, e cada sambista. O legado fica, a obra continua. A cabeça pensante foi, mas os pensamentos ficaram em forma de livros, obras e tudo que ele deixou para a gente de legado."
O diretor do carnaval você presidente da Liesa, Elmo José dos Santos, exaltou a trajetória do artista. "Eu não poderia deixar de estar aqui hoje, porque Haroldo Costa foi um grande defensor do Quilombo do Samba e da cultura popular. Ele faleceu, mas sempre defendendo o Quilombo do Samba, e nosso Quilombo, alguém ataca e alguém defende. Nele, tem uma grande floresta, e nessa floresta, as pessoas fazem a fogueira para comemorar quando está nos intervalos da batalha. Ele foi aquela pessoa que regou essa floresta para que as pessoas tirassem o seu sustento. Quando chegava o dia, ele ia lá de novo, se transvestia de guerreiro e ia defender o Quilombo do Samba. Toda honra e glória a Haroldo Costa", concluiu.
Trajetória
Nascido em 13 de maio de 1930, Haroldo Costa começou sua carreira no Teatro Experimental do Negro, com a peça "O Filho Pródigo". Anos depois, tornou-se o primeiro ator negro a atuar no Theatro Municipal do Rio, no histórico espetáculo "Orfeu da Conceição".
Foi, também, integrante da companhia Brasiliana, com a qual passou cinco anos em turnê pelo mundo. Também atuou como Jesus no "Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna.
Haroldo escreveu 15 livros, como "Fala, Crioulo" (1982), "Salgueiro: Academia de Samba (1984)", "Na Cadência do Samba" (2000) e "100 Anos de Carnaval no Rio de Janeiro" (2001), referências para pesquisadores e fãs do Carnaval.
Na TV, marcou seu nome como integrante do time de diretores que fundou a TV Globo, em 1965. Na emissora, dirigiu nomes como Dercy Gonçalves e Chacrinha. Como ator, na mesma emissora, participou da minissérie "Chiquinha Gonzaga" e da série "Subúrbia". Na extinta Manchete, fez a novela "Kananga do Japão".
Durante muitos anos, foi comentarista dos desfiles das escolas de samba na Globo e na Manchete. Desde 1972, integrava ao time de jurados do Troféu Estandarte de Ouro, do jornal "O Globo".
* Colaborou: Erica Martin