Publicado 10/02/2026 09:45 | Atualizado 10/02/2026 11:36
Rio - O júri popular dos policiais militares acusados de matar Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, na Cidade de Deus, Zona Sudoeste, teve início na manhã desta terça-feira (10). O crime aconteceu em 2023 e os PMs Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria são acusados de homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado. Eles estão presos desde 2024. O julgamento ocorre duas semanas depois de ter sido adiado por divergência de uma prova entre a acusação e a defesa.
PublicidadeAntes da sessão, familiares do adolescente e ativistas protestaram contra a violência policial, em frente ao Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), no Centro. Em um vídeo públicado pelo Voz das Comunidades durante o ato, a mãe de Thiago fez um desabafo sobre a morte do adolescente. Ela agradeceu o apoio que a família vem recebendo e chegou a lembrar que o menino teria terminado o Ensino Fundamental no ano passado e foi homenageado pelos colegas durante a formatura. Confira abaixo.
"O que eu vou fazer da minha sem o meu filho? Eu venho me mantendo de pé, essa dor adoece. É muito difícil a gente estar nos nossos dias com nossos familiares, a gente estar sorrindo, mas só Deus sabe como a gente está por dentro. A gente pensa: "Era para o meu filho estar aqui comigo" e eu não vou ver mais o Thiago (...) Sou muito grata pelas pessoas que sempre homenageiam o meu filho, estão sempre lembrando o Thiago, sempre mantendo a memória do Thiago viva, para não deixar que eles marginalizem o meu filho", lamentou Priscilla Menezes.
No último dia 27, quando o júri foi adiado, a mãe de Thiago, Priscilla Menezes, chegou a sentir mal e precisou de atendimento médico. A decisão também provocou revolta nos familiares do jovem, que dissera, na ocasião, terem sido os últimos a saber sobre a mudança de data. O julgamento desta terça-feira estava previsto para ter início às 9h, mas foi iniciado por volta das 10h50, com o depoimento do amigo que pilotava a motocicleta em que Thiago estava na garupa no dia do crime, em 7 de agosto de 2023.
O caso aconteceu na Estrada Miguel Salazar Mendes de Moraes, esquina com a Rua Jeremias, na entrada da Cidade de Deus. Na ocasião, a dupla acabou caindo com o veículo e, no momento em que tentava levantar, um carro descaracterizado, onde estavam os policiais militares, se aproximou e atirou. O adolescente, atingido por três tiros, morreu no local e o outro, ferido na mão, conseguiu fugir.
De acordo com o Ministério Público do Rio (MPRJ), os policiais militares agiram por motivo torpe, dificultaram a defesa das vítimas, "abordadas de forma inopinada (surpresa) por um veículo particular com vidros escurecidos (insulfilm)", e cometeram o crime usando um fuzil. Além dos PMs Diego e Aslan Wagner, os agentes Silvio Gomes dos Santos e Roni Cordeiro de Lima chegaram a ser presos pelo crime, mas acabaram soltos em junho do ano passado.
Entenda o caso
Em depoimento, os policiais militares relataram que havia uma operação para coibir um baile funk irregular e alegaram que estavam usando o carro de Roni, atendendo a um pedido de superiores para que operassem drones para monitorar a região e identficar a melhor estratégia para as equipes acessarem a área.
Após terminarem o trabalho com os drones, eles seguiram para encontrar com a equipe em um posto de combustíveis, com excessão de Roni, que estava à paisana e voltaria ao batalhão no próprio carro. Ainda segundo as oitivias, enquanto aguardavam no veículo particular, os PMs viram a motocicleta com as vítimas passar pelo estabelecimento, alegaram terem visto Thiago portando uma arma e passaram a seguir as vítimas, até o momento em que elas caíram com a moto.
Na sequência, Aslan Wagner teria descido do banco de trás e ido em direção aos jovens, no momento em que, segundo relatos dos réus, teriam sido efetuados disparos contra a equipe. Ele afirmou ter sido o primeiro a desembarcar e que deu ordem de parada para as vítimas, mas que Thiago teria atirado contra ele, que revidou com dois disparos, mas não soube dizer se foram esses os tiros que o atingiram.
Já Diego, que estava no banco do carona, afirmou que ao ouvir os tiros, imediatamente saiu do carro e viu o adolescente atirando contra a equipe, disparando contra a vítima neste momento.
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