Publicado 27/02/2026 10:11
Rio - O júri popular de Cíntia Mariano Dias Cabral, acusada de matar envenenada a enteada e de tentativa de homicídio contra o enteado, acontecerá na próxima quarta-feira (4). O julgamento já havia sido iniciado em outubro do ano passado, mas foi adiado depois da defesa da ré deixar o plenário alegando ausência de testemunha considerada imprescindível e falta de diligências.
PublicidadeSegundo a denúncia do Ministério Público do Rio (MPRJ), em 15 de março de 2022, Cíntia teria colocado um veneno conhecido como "chumbinho" na comida de Fernanda Cabral, de 22 anos. A jovem passou mal logo após a refeição, foi hospitalizada e morreu quase duas semanas depois. Em maio do mesmo ano, a ré teria repetido o método ao servir alimento contaminado a Bruno Cabral, então com 16 anos, que sobreviveu.
O MPRJ sustenta que há prova da materialidade e autoria. De acordo com a investigação, os irmãos tiveram sintomas compatíveis com intoxicação exógena por carbamato - princípio ativo do chumbinho.
Laudos periciais apontaram que a morte de Fernanda e as lesões sofridas por Bruno ocorreram por uma ação química provocada por envenenamento. A acusação também sustenta que o crime foi praticado por motivo fútil, devido ao ciúmes da relação deles com o pai, Adeílson Jarbas Cabral, com quem Cíntia era casada.
Julgamento adiado
O júri popular de Cíntia aconteceria no dia 21 de outubro de 2025. No entanto, depois de ter um pedido de adiamento indeferido pela Justiça, a defesa da acusada decidiu abandonar o plenário. Na decisão, o juízo afirmou que o "abandono da sessão plenária do Tribunal do Júri de forma deliberada constitui tática processual que atenta contra a dignidade da Justiça e o dever de lealdade processual".
Na época, a Justiça destacou que o ato gera gastos desnecessários aos cofres públicos em razão da logística que envolve a realização do júri. Por isso, multou a defesa da mulher no valor de 10 salários mínimos, além do valor correspondente ao custo para realização da sessão.
Na última audiência de instrução e julgamento do caso, que aconteceu em maio de 2023, Cíntia optou por se manter em silêncio. A única testemunha a ser interrogada foi o médico neurologista e legista da Polícia Civil, Gustavo Figueira Rodrigues, que destacou o resultado do laudo pericial de Bruno. "Apesar de não evidenciar, está claro o caso de intoxicação", discursou.
Fernanda morreu depois de ficar 12 dias internada no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, na Zona Oeste, mesmo bairro onde o crime ocorreu. A jovem deu entrada na unidade após passar mal na casa do pai. Ela apresentou dificuldades para respirar, ficou com a língua enrolada e a boca estava coberta por espuma. No hospital, ela não teve um diagnóstico definido, o que dificultou o tratamento.
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