Delegado Ângelo Lajes, da 12ªDP (Copacabana), é o responsável pelos casosÉrica Martin / Agência O Dia
Publicado 03/03/2026 18:08
Rio - A Polícia Civil tentou prender em flagrante os acusados de estuprar coletivamente uma adolescente, revelou o delegado responsável pelo caso, da 12ªDP (Copacabana), nesta terça-feira (3). Ângelo Lages explicou que os suspeitos não foram encontrados no apartamento em que o crime aconteceu, em Copacabana, Zona Sul. 
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Mattheus Veríssimo Zoel Martins, 19 anos; João Gabriel Xavier Bertho, 19; Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18; e Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18, são investigados. Um adolescente de 17 anos também é apontado de ter participado do ato infracional. 
"A gente tentou prender eles em flagrante. Assim que a vítima chegou aqui, o delegado de plantão imediatamente foi até o local do crime. Chegando lá, viu que o apartamento estava vazio. Esse apartamento, que é da família do Vitor Hugo, é alugado por aplicativo. Não residia ninguém", explicou o delegado.

Segundo Lajes, a adolescente chegou muito machucada à delegacia. "Ela saiu do apartamento totalmente abalada psicologicamente, mas teve a coragem de contar o que aconteceu. Para ela, é um momento difícil, mas ela contou para o irmão. Assim que chegou em casa ela contou para a mãe, que não teve dúvida e procurou a Polícia Civil. Ela estava sangrando aqui na delegacia, totalmente abalada, com lesões aparentes”, lembrou.

Em seguida, o delegado explicou que a menina foi encaminhada para um exame de corpo de delito e presou depoimento, que foi “totalmente compatível” com as lesões apresentadas. "O perito deixou isso muito claro. Tudo o que ela narrou era compatível com as lesões. Ela tinha lesões no órgão sexual, nas costas, nas nádegas… inclusive, ela tinha uma suspeita de fratura da costela. Isso tudo foi constatado pelo legista e batia exatamente com a narrativa dela, com o que ela declarou para a gente", descreveu.

Após a primeira ida à delegacia, a vítima foi chamada novamente depois que os investigadores tiveram acesso às imagens de câmeras de segurança e os envolvidos no crime, que aconteceu na noite de 31 de janeiro, foram identificados.

"Posteriormente, a gente chamou novamente a vítima e ela reconheceu todos eles. De alguma forma, ela já conhecia eles de vista. Eles praticamente têm a mesma idade, frequentavam os mesmos locais, dois deles estudavam no mesmo colégio dela. A gente não teve dificuldade de qualificar e identificar esses criminosos. Com todos eles identificados, imediatamente representamos pela prisão e pela busca e apreensão. Eu tinha muito interesse em avançar com a investigação, colhendo os aparelhos celulares. Isso foi para o plantão judiciário, que entendeu que não era caso de plantão e decidiu redistribuir o feito. Foi quando a gente teve esse lapso entre o fim da investigação e a decretação da prisão deles”, explicou.

Para o delegado, o crime foi planejado com cuidado pelo grupo. "Ela já conhecia esse adolescente infrator, tinha um relacionamento, confiava nele. Achando que ia se relacionar com ele, entrou no quarto, fecharam a porta, mas não trancaram, e ela foi surpreendida pela entrada de quatro adultos. Uma adolescente trancada em um quarto com cinco homens. A gente tem encarado isso como uma emboscada muito bem planejada”, afirmou.
Pelo menos outras duas meninas foram alvo de integrantes do mesmo grupo. Nesta segunda-feira (2) e terça (3), outras vítimas foram à Polícia Civil para denunciar casos semelhantes. Em 2023, ao menos dois dos acusados praticaram o mesmo crime com outra adolescente de 14 anos.
Lajes ainda alertou: "O que eu acho que deve ficar muito claro, para os meninos, é que não é não. Isso aí é fundamental e a investigação deixou isso muito claro. A todo momento, ela disse que não se relacionaria com mais ninguém. Isso ficou mais do que claro para a gente. Não tivemos dúvida nenhuma na questão da tipificação da conduta, uma vez que ela, já no caminho, disse que não teria nada com ninguém. Subindo no elevador, ele voltou a insinuar que queria outra coisa e ela disse que não faria nada com ninguém. Esse adolescente infrator se valeu da confiança adquirida dessa menina, por estudar no mesmo colégio e já ter tido relação com ela, para atraí-la até esse apartamento".

Nesta terça-feira, Mattheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho se entregaram à Polícia Civil. Segundo o delegado, nenhum dos dois quis dar depoimento e se mantiveram calados por orientação dos advogados. Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonin continuam foragidos.

Vitor Hugo é filho do subsecretário de Governança, Compliance e Gestão Administrativa, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Rio, José Carlos Simonin. De acordo com a pasta, ele será exonerado do cargo ainda nesta terça-feira.
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